02/10/2008

Pedro Calapez na Casa da Cerca

Porta na Igreja da Santissíma Trindade em Fátima, 2oo8

Porque de Pintura se trata, sugiro uma viagem à outra banda do rio, à Casa da Cerca, onde encontrarão um vasto conjunto de trabalhos de Pedro Calapez sob o título «Branca e neutra claridade» que, estou certo, vos enriquecerá tanto a vós como a mim.
Para obterem informações sobre horários da exposição consultem
Casa da Cerca e para uma análise mais detalhada da obra do Pedro Calapez iniciem a visita pelo espaço on-line, ou por bibliotecas.


04/09/2008

Aos meus amigos

Como estão?
Como sempre as férias acabam e ficamos à espera de mais.
É o caso neste momento.
Durante algum tempo mudei de vida: viajei para longe; nadei nas águas do mar, conduzi carros, bicicletas e tractores; cavei, colhi frutas, podei alfarrobeiras e pinheiros mansos e cozinhei para muita gente.
Mas amanhã tenho um exame, conversas, reuniões para planificações e etc.
Estou a tentar arrumar depressa tudo isto, para encontrar espaço mental para produzir Pintura ainda antes do final deste ano. As férias motivaram-me muito! Planos não faltam! Preciso de aproveitar este momento porque, no contexto contemporâneo, ninguém mais nos motiva...
E sobre a tua saúde. Já foram ao médico? Está tudo bem? Desejo muito que sim!
Gostava de dar noticias mais especificas sobre Pintura, sobre a minha Pintura; mas as certezas são iguais às duvidas e no final apenas estou cada vez mais concentrado em defini-la... como uma parte da Arte.
Talvez
aqui possas ver alguma coisa deste puzzle / poliptico / politico ainda em congeminação.
Um beijinho e um abraço
Ilidio

02/08/2008

Vinheta III - 20/33


I. Salt., 19. 54. N., 75. 09. W., (pormenor 20/33), óleo sobre papel, 150 cm x 200 cm, 2008.

01/08/2008

Vinheta III - 19/33

I. Salt., 19. 54. N., 75. 09. W., (pormenor 19/33), óleo sobre papel, 150 cm x 200 cm, 2008.

31/07/2008

Vinheta III - 18/33

I. Salt., 19. 54. N., 75. 09. W., (pormenor 18/33), óleo sobre papel, 150 cm x 200 cm, 2008.

30/07/2008

Vinheta III - 17/33

I. Salt., 19. 54. N., 75. 09. W., (pormenor 17/33), óleo sobre papel, 150 cm x 200 cm, 2008.

29/07/2008

Vinheta III - 16/33


I. Salt., 19. 54. N., 75. 09. W., (pormenor 16/33), óleo sobre papel, 150 cm x 200 cm, 2008.

28/07/2008

Vinheta III - 15/33

I. Salt., 19. 54. N., 75. 09. W., (pormenor 15/33), óleo sobre papel, 150 cm x 200 cm, 2008.

27/07/2008

Vinheta III - 14/33


I. Salt., 19. 54. N., 75. 09. W., (pormenor 14/33), óleo sobre papel, 150 cm x 200 cm, 2008.

26/07/2008

Vinheta III - 13/33

I. Salt., 19. 54. N., 75. 09. W., (pormenor 13/33), óleo sobre papel, 150 cm x 200 cm, 2008.

25/07/2008

Vinheta III - 12/33

I. Salt., 19. 54. N., 75. 09. W., (pormenor 12/33), óleo sobre papel, 150 cm x 200 cm, 2008.

24/07/2008

Vinheta III - 11/33

I. Salt., 19. 54. N., 75. 09. W., (pormenor 11/33), óleo sobre papel, 150 cm x 200 cm, 2008.

23/07/2008

Vinheta III - 10/33

I. Salt., 19. 54. N., 75. 09. W., (pormenor 10/33), óleo sobre papel, 150 cm x 200 cm, 2008.

22/07/2008

Vinheta III - 9/33

I. Salt., 19. 54. N., 75. 09. W., (pormenor 9/33), óleo sobre papel, 150 cm x 200 cm, 2008.

21/07/2008

Vinheta III - 8/33

I. Salt., 19. 54. N., 75. 09. W., (pormenor 8/33), óleo sobre papel, 150 cm x 200 cm, 2008.

20/07/2008

Vinheta III - 7/33

I. Salt., 19. 54. N., 75. 09. W., (pormenor 7/33), óleo sobre papel, 150 cm x 200 cm, 2008.

19/07/2008

Vinheta III - 6/33

I. Salt., 19. 54. N., 75. 09. W., (pormenor 6/33), óleo sobre papel, 150 cm x 200 cm, 2008.

18/07/2008

Vinheta III - 5/33

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I. Salt., 19. 54. N., 75. 09. W., (pormenor 5/33), óleo sobre papel, 150 cm x 200 cm, 2008.

17/07/2008

Vinheta III - 4/33

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I. Salt., 19. 54. N., 75. 09. W., (pormenor 4/33), óleo sobre papel, 150 cm x 200 cm, 2008.

16/07/2008

Vinheta III - 3/33

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I. Salt., 19. 54. N., 75. 09. W., (pormenor 3/33), óleo sobre papel, 150 cm x 200 cm, 2008.
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15/07/2008

Vinheta III - 2/33

I. Salt., 19. 54. N., 75. 09. W., (pormenor 2/33), óleo sobre papel, 150 cm x 200 cm, 2008.

14/07/2008

Vinheta III - 1/33

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I. Salt, 19. 54. N., 75. 09. W., (pormenor 1/33), óleo sobre papel, 150 cm x 200 cm, 2008
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13/07/2008

What do you expect from an art institution in the 21st century

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NOT MUCH. Based upon passed performance
Lawrence Weiner, in What do you expect from an art institution in the 21st century, Paris, Palais de Tokio, 2001, p.89.
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10/07/2008

What do you espect from an art institution in the 21st century?

Uma publicação editado pelo Palais de Tokio, em 2001, cujo título é O que espera de uma instituição artística no século XXI?, no seu inicio foi motivada clara e naturalmente pelp interesse próprio da instituição em saber qual o papel que poderia desempenhar no meio em que estava inserida. Mas o vastíssimo conjunto de respostas que contém, dadas pelos mais variados sectores intervenientes no mundo actual da produção e divulgação da arte, deixou um debate continuado e momentos oportunos para muitas reflexões.
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What do you expect from an art institution in the 21st century?
I expect an art institution to render the art more interesting than the institution.

Jean-Max Colard, Les Inrockuptibles
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06/07/2008

Mostly Mozart

«I cannot write in verse, for I am no poet. I cannot arrange the parts of speech with such art as to produce effects of light and shade, for I am no painter. Even by signs and gestures I cannot express my thoughts and feelings, for I am no dancer. But I can do so by means of sounds, for I am a musician.» Wolfgang Amadeus Mozart

05/07/2008

Lagoa Henriques

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«O grande problema do nosso tempo é conciliar a técnica com a ética, a estética e a poética.»
Esta frase tem sido a chave de vida de Lagoa Henriques e o princípio ordenador do seu processo criativo.
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04/07/2008

Plinio

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«La question des origines de 1a peinture est obscure et n'entre pas dans le plan de cet ouvrage. Les Égyptiens déclarent qu'elle a été inventée chez eux six mille ans avant de passer en Grèce: vaine prétention, c'est bien évident. Quant aux Grecs, les uns disent que le principe en a été découvert à Sicyone, les autres à Corinthe, et tous reconnaissent qu'il a consisté à tracer, grâce à des lignes, le contour d'une ombre humaine: ce fut donc là, selon eux, la première étape; dans la seconde, on employa les couleurs une par une, d'où le nom de monochrome usité quand on eut trouvé un procédé plus complexe, et cette méthode est encore en usage aujourd'hui».
Pline L'Ancien, Histoire Natturelle XXXV, La Peinture, Paris, Société d' édition Les Belles Lettres, 1997, p. 15.
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02/07/2008

Günther Förg

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Gunther Forg, sem titulo, 2007


A Galeria Filomena Soares até tem exposto um processo de Pintura pertinente e enquadrável no contexto do nosso tempo. O gesto, a repetição, os ritmos e a policromia pardacenta são os elementos da sintonia destas composições abstractas.
No entanto, nestas «New Paintings» não entendi a figuração de uma auto representação, explícita no canto superior direito, em quase todas as obras, sob a forma de um autógrafo de grandes dimensões.
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Galeria Filomena Soares, Günther Förg, New Paintings, 2008-06-19 2008-09-20.

01/07/2008

Bill Viola e James Turrell

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Quando a Pintura utiliza o vídeo ou a luz como médiuns encontramos no trabalho de Bill Viola ou James Turrel dois processos diferenciados mas ao mesmo tempo muito convergentes por causa do pensamento pictórico implicado e explicito na totalidade das suas obras.
Entre Junho e Setembro (até 9) podem ser vistos no Museu Regional de Faro dois trabalhos destes dois autores:
Bill Vila, Il Vapore, uma instalação vídeo de 1975.
James Turrel, Fargo, Blue, uma projecção de 1967.
Para mais informação recomendamos uma visita a Bill Viola ou a James Turrel.
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28/06/2008

O Museu

I.Salt. 2008.


Depois de algumas remodelações o Museu de Arte Moderna de Paris, Centre George Pompidou, reabriu as suas portas no início de 2008 para mostrar a Maior Colecção.
Perto uns dos outros e na mesma cidade, o Louvre, o Orsay e o Beaubourg (e outros) são apenas o mesmo museu.

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27/06/2008

Gesto idiota

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Visita museus?
Quase nunca. Não vou ao Louvre há vinte anos. Já não me interessa por causa desta dúvida que tenho a respeito do valor desses julgamentos que decidiram que todos aqueles quadros deveriam ser expostos no Louvre em vez de colocar outros que nunca foram considerados e que poderiam lá estar. No fundo, as pessoas satisfazem-se muito bem com essa opinião de que existe uma espécie de paixão passageira, uma moeda baseada no gosto momentâneo; este gosto momentâneo desaparece e, apesar de tudo certas coisas ainda ficam. Isto não se explica muito bem e também não pode ser muito bem defendido.
No entanto aceitou que todas as suas obras ficassem num museu?
Aceitei porque existem algumas coisas práticas na vida que não se pode impedir. Não ia recusar. Poderia tê-las rasgado ou quebrado, o que seria também um gesto idiota.
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Marcel Duchamp, Engenheiro do tempo perdido, entrevista com Pierre Cabanne, 1967, (tradução de António Rodrigues), Lisboa, Assírio Alvim, 1990, p. 111.

26/06/2008

O segredo de Marcel Duchamp

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«O artista só existe se for conhecido. Por consequência, pode-se considerar a existência de cem mil génios que se suicidam, que se matam, e que desaparecem porque não souberam fazer o necessário para que fossem conhecidos, para se imporem e conhecerem a glória»
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Marcel Duchamp, Engenheiro do tempo perdido, entrevista com Pierre Cabanne, 1967, (tradução de António Rodrigues), Lisboa, Assírio Alvim, 1990, p. 110.

Será que o «segredo» de Marcel Duchamp era:
Ser conhecido?
Impor-se perante os outros?
Conhecer a glória?
Este «segredo» serve-lhe de alguma coisa neste momento?
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25/06/2008

Quem é quem na Documenta 13

I.Salt., IX - Paulo Herkenhoff, colagem sobre papel, 2008
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Paulo Herkenhoff nasceu em 1949. Fez um mestrado em Direito Constitucional pela Universidade de Nova York e foi professor de Direito na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro trabalhando ainda num escritório de advocacia.
Também fez tentativas de integração no universo de expressão visual através de algumas aulas (pintura e desenho) com Ivan Serpa (1923-1973).
Recentemente foi curador do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), da Fundação Eva Klabin Rapaport, da 9ª Documenta de Kassel (1991), da 24ª Bienal de São Paulo (1997-1999) e dirigiu o Museu Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro até Janeiro de 2006. Em Abril de 2008 foi nomeado para o comité que irá decidir sobre o director da próxima documenta.

24/06/2008

Quem é quem na Documenta 13

I.Salt., X - Udo Kittelman, colagem sobre papel, 2008
Udo Kittelmann foi em 2001 o comissário da Alemanha à Bienal de Veneza e é desde 2002 o Director do Museu da Arte Moderna de Frankfurt (Museum fuer Moderne Kunst – MMK).

23/06/2008

Quem é quem na Documenta 13

I.Salt., VIII - Oscar Ho, colagem sobre papel, 2008


"Curating an exhibition is like an artistic creation process. The curator responds to the environments around him, views from a subjective angle and analyzes objectively. He then presents a whole bunch of things. These things should not serve only to deal with a kind of pure artistic feeling. Rather, it must cope with the developments of society, and reflect cultural phenomenon according to the cultural theme revealed by the artistic object." - Oscar Ho. (Ming Pao Daily, 17.1.2001)

(Ler a totalidade da entrevista AQUI)

22/06/2008

Quem é quem na Documenta 13

I.Salt., VII - Kasper Koenig, colagem sobre papel, 2008.

Kasper Koenig nasceu em 1943 em Mettingen e é director do Museu Ludwig (AQUI) em Colónia desde 2000 (MAIS).
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NOEMI SMOLIK: You are an art-school dean, an internationally known curator, and you sit on a lot of influential art-world committees. How does one get into such a position?
KASPER KOENIG: I only sit on committees when it interests me--not for strategic reasons but out of curiosity. I can afford to do this because my job at the Stadelschule, where I've been for seven years, and before that at the Dusseldorf Akademie, affords me a measure of independence. The deanship in Frankfurt is temporary; one is elected by a combination of the faculty and the students. (Ver o total desta entrevista AQUI)

21/06/2008

Quem é quem na Documenta 13

I.Salt., VI - Elizabeth Ann Macgregor, colagem sobre papel, 2008
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Elizabeth Ann Macgregor nasceu em Dundee na Escócia em 1958. Iniciou a sua educação na Stromness Academy Orkney e, completando o MA em História da Arte na Universidade de Edimburgo em 1979, obteve no ano a seguir um diploma de Estudos em Museus e Galerias na Universidade de Mancherter. Começou uma carreira profissional nos inícios dos anos oitenta como curadora no Scottish Arts Council (AQUI ). Em 1989 foi designada para Directora da Ikon Gallery em Birmingham (AQUI) e em Setembro de 1999 mudou-se para a Austrália onde foi assumir o cargo de Directora do Museu de Arte Contemporâneo de Sidney (AQUI )

20/06/2008

Quem é quem na Documenta 13


I.Salt., V - Kathy Halbreich, colagem sobre papel, 2008

Kathy Halbreich, Associate Director Museum of Modern Art New York (formerly Director Walker Art Center, Minneapolis, Minnesota).

19/06/2008

Quem é quem na Documenta 13




I.Salt., IV - Manuel Borja-Villel, colagem sobre papel, 2008

Em 1980, Manuel J Borja Villel formou-se em História da Arte na Faculdade de Geografia e História da Universidade de Valência. Em 1987 concluiu um Master em Filosofia no Departamento de História da Arte da City University em Nova Iorque e em 1989 concluiu o Ph.D. no mesmo departamento.
Foi director da Fundação Antoni Tapies em Barcelona desde a inauguração, em 1990, até 1998 e depois desta data foi director do Museu de Arte Contemporânea de Barcelona (MACBA). Actualmente é director do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia Madrid e foi escolhido para fazer parte do comité que vai escolher o director artistico da documenta 13.

18/06/2008

Quem é quem na Documenta 13


I.Salt., III - Bernd Leifeld, colagem sobre papel, 2008
Bernd Leifeld, CEO (chief executive officer) da Documenta apresentouem Abril de 2008 em Kassel o comité internacional que tem como objectivo encontrar o director artístico da documenta 13, a qual se realizará entre os dias 9 de Junho e 16 de Setembro de 2012.

Este comité é constituido por nove membros:

Joseph Backstein, Manuel J. Borja-Villel, Kathy Halbreich, Paulo Herkenhoff, Oskar Hing Kay Ho, Udo Kittelmann, Kasper Koenig, Elizabeth Ann Macgregor, Rein Wolfs.

17/06/2008

Quem é quem na Documenta 13


I.Salt., II - Joseph Backstein, colagem sobre papel, 18 cm x 28 cm, 2008

Joseph Backstein nasceu em Moscovo em 1945 e estudou no Institute of Computer Sciences dessa cidade. Possui um PhD em Sociologia das Artes e Cultura.
Foi o curador do pavilhão russo na 48ª Bienal de Veneza em 1999 e da representação russa à 25ª Bienal de São Paulo em 2002.
Em 2005 foi coordenador da 1ª Bienal de Arte Contemporânea de Moscovo e foi comissário e Director artístico da 2ª Bienal de Moscovo.
Actualmente desempenha os cargos de Director artístico do State Centre for Museums and Exhibitions ROSIZO, de Director do Instituto de Arte Contemporânea de Moscovo e faz parte, desde Abril de 2008, do comité que irá escolher o director artístico da próxima documenta.

16/06/2008

Quem é quem na Documenta 13



I. Salt., I- Rein Wolfs, colagem sobre papel, 18 cm x 28 cm, 2008.


Rein Wolfs
é desde Janeiro de 2008 o novo director artístico de Kunsthalle Fridericiarum (Kassel). Entre 2002 e 2007 foi o director de exposições do Museum Bijmans Van Beuningen em Roterdão. Em 2003 foi o curador do pavilhão alemão na Bienal de Veneza. De 1996 até 2001 foi o primeiro director do Migros Museum für Gegenwartskunst em Zurique, onde, em 1999, criou a revista «Material». Tem sido membro de vários comités internacionais, e actualmente foi nomeado para integrar o comité que vai escolher o director artistico da documenta 13.

15/06/2008

Sobre a Humanidade e a Arte no século XXI

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Rein Wolfs, depois de sido em 2003 o curador do Pavilhão da Holanda na Bienal de Veneza (We are the world ), é desde Janeiro de 2008 o novo director artístico do Kunsthalle Friderriciarum em Kassel. Deste modo, em 5 de Setembro, iniciará uma programação que se fundamenta em princípios que teoricamente consideramos oportunos: «Minorities, outsiders, troublemakers and other human beings (:) Art shall be human »
Da sua comunicação apresentada recentemente (Abril de 2008) transcrevemos aqui um pequeno excerto que tivemos a liberdade de traduzir: «A boa arte é bela e ainda que o não seja, é sempre eficaz. A boa arte tem frequentemente qualidades provocantes e revolucionária. (:) A arte é mais importante do que se pensa, porque ela é mais profunda do que parece à primeira vista. A arte é menos importante do que se pensa, porque no final ela é apenas humana e por conseguinte não é necessariamente nada de extraordinário.»
O texto original, na sua totalidade, poderá ser lido
AQUI.

14/06/2008

Desenhos de Arquivo

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«Desenhos de Arquivo» é o título dado por Amadeu Escórcio a um conjunto de trabalhos expostos na Galeria do Grupo Artever de 7 de Junho até 7 de Julho
Artever é um grupo de Artistas Plásticos sedeados na Amadora que tem uma actividade de dinâmica cultural regular e credível, desde os inícios dos anos 80, quando da sua fundação, constituindo-se actualmente como um espaço alternativo aos circuitos culturais institucionalizados.
Amadeu Escorcio, um dos seus membros fundadores, utiliza este espaço para disponibilizar temporariamente parte de um extenso arquivo de registos gráficos produzidos ao longo de muitos anos em momentos de repouso e contemplação activa.

Nota: de 2ª a 6ª das 14,30 às 18,30 h. e Sab das 10 às 13 h. Rua Padre António Vieira, 22, Amadora, tel. 214741173.

13/06/2008

Um metro e noventa de altura e oitenta e sete quilos de carne

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Hoje o homem tem uma preocupação com a sua imagem em tudo idêntica à da mulher e os meios de comunicação social têm causado uma ansiedade pela beleza física.
Este pensamento tem sido a referência conceptual que estruturou o trabalho pictórico de Inga Mustakalio, uma jovem artista finlandesa, nos últimos tempos.
Depois vem a ironia, o sarcasmo ou sentimentos de insegurança!
A carne e a sua forma (peso e dimensão) são a única coisa que interessa. Um metro e novente e oitenta e sete quilos de carne poder ser o desejo nuclear de muitos.
Pelas imagens que enviou e pelo seu trabalho passado percebe-se que Inga sabe que a Pintura é uma área disciplinar que se organiza com muitas referências conceptuais e ideológicas, com muitas materialidades e com uma metodologia criativa própria capaz de dar forma aos pensamentos e desse modo participar nos grandes debates da vida contemporânea.

11/06/2008

Locais de peregrinação

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Loris Gréaud, no Palais de Tokio em Paris ofereceu-nos em 2008 uma obra exposição onde as obras coisas são apenas o modo de se penetrar nas dinâmicas do tempo espaço.

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«Église où quelques élus viennent nourrir une foi de virtuose tandis que conformistes ou faux-dévôts viennent y bâcher un rituel de classe, le musée peut devenir, un moment, le lieu de pèlerinage ou se pressent les troupes serrés de fidèles qui à New York, à Washington, à Tokyo ou à Paris, patientent en longes files pour jeter un bref coup d’œil, comme in baisait autrefois un crucifix ou un reliquaire, sur un chef-d’œuvre désigné à la ferveur collective…» (P. Bourdieu, A. Darbel, L’Amour de l’Art, Les Musées d’Art Européens et leur public, Paris, Éditions Minuit, 1971, p.131.)

10/06/2008

Tempos

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I.Salt., Jangada feita de tudo, 2005
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O «tempo histórico» está presente em todas as análises, quer sejam de ordem politica, cultural ou outra.
No entanto o «tempo histórico» é apenas um princípio metodológico para estudar o passado que justifica a pertinência desta actividade na responsabilidade que as actuais gerações têm de o acarretar para o futuro. Por vezes ele é mesmo visto como verdade perceptiva inquestionável turvando qualquer decisão universal.
Claro que esse princípio metodológico dá achegas, mas estas não devem ser incutidas como valores absolutos.
Em Portugal, com o peso de mais de oito séculos de história em linha quase sempre recta, não podemos deixar que esse peso nos torne corcundas.
A visão de acordo com o «tempo histórico» corresponde a uma distorção da realidade porque nos ordena as «obras» sobre uma linha cronológica, com uma calendarização por vezes sobrevalorizada, afastando-as para conceitos próximos de antiguidade.
O «tempo histórico» é uma inexistência! A existência é o «tempo espaço».
O «tempo espaço» é o princípio da permanente contemporaneidade, ou seja da tomada da consciência de que o espaço que ocupamos resulta da soma de todos os tempos.
Desse modo o «tempo espaço» é o princípio da acumulação e da análise comparada.
Não podemos duvidar da contemporaneidade de Leonardo da Vinci, de Goya, ou de Le Corbusier ou das Pirâmides de Gizé. Duvidar, será considerar que a importância do seu estudo serviria apenas para uma espécie de inventário de bens patrimoniais para uma posterior venda em épocas de crise. E isto, como todos sabemos, é um objectivo bastante para alguns mas, de modo nenhum é verdade para todos.
A importância que hoje ainda se dá ao «tempo histórico» é desmesurada.

09/06/2008

A Matéria da Escultura

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Ben Vautier, Ben Museum, 1972


Naquele tempo o escultor estava a trabalhar arduamente no seu texto de dissertação de tese de doutoramento sobre a matéria de que é feita a escultura, e para a qual ainda não tinha encontrado o titulo adequado.
Aquele «serviço» era exigido pela estrutura académica onde trabalhava, por razões de estabilidade, de sobrevivência e de conveniência estatutária e social.
Naquele tempo desloquei-me a uma grande galeria de arte, localizada na cidade imperial, e na qual quatro das últimas esculturas do escultor estavam expostas.
Disse-me o galerista, lamentando a actual tarefa do escultor:
«É uma pena o escultor estar a fazer o que está a fazer! Muitas obras poderiam nascer neste tempo que, deste modo, não passa de tempo morto!»
Entretanto o tempo passou e as quatro esculturas foram vendidas pelo galerista, cada uma delas a uma pessoa diferente. Estes proprietários enriqueceram o seu património.
Conta-se que depois nunca mais ninguém viu as esculturas.
Entretanto o artista escultor que tinha acabado o seu texto com o título «A Matéria da Escultura» defendeu-o perante o júri conveniente e foi muito aplaudido e abençoado.
E o futuro riu-se para ele!...
(I.Salt, 11/Nov/2007 – 8/Jun/2008)

08/06/2008

Museu do Oriente

Museu do Oriente em Lisboa, um museu que vale a pena visitar!
Passo a transcrever um pequeno excerto de um e-mail remetido por um amigo sintetizando os conhecimentos que podemos absorver dentro deste novo espaço, sagrado ou profano?:
Olá, como vai isso tudo, caro Ilídio?!
« Sem dúvida que vale a pena ir até lá só para visitá-lo, entre muitas coisas mais (e pelas exposições dos deuses do Oriente e das máscaras), pelas faianças indo-portuguesas, pelas armaduras de samurais, mas também pelas miniaturas japonesas e chinesas (caixas medicinais- os 'inru' - e de rapé) e os elementos da mística religiosa e escatológica: os trajes de médium, de mandarins, assim como por várias réplicas autênticas da trindade do hinduísmo (a Trimurti: Brahma, Vishnu e Shiva) e os 10 infernos do budismo chan (= zen) chinês, onde, no primeiro, as almas não podem mentir, pois há um espelho que reflecte a vida terrena passada e que as impede de enganarem os juízes do Além; e, onde, no último inferno, os espíritos são de novo devolvidos ao infindável ciclo hindu das reencarnações...» (R. G. Maio, 2008)

07/06/2008

Arte contemporânea

«L’art contemporain ne se divise pas en art profane et l’art sacré. Il est profondément humain, expriment les cris, les souffrances, les joies, les attentes, la soif spirituelle des hommes. Il est appel au dialogue. En cela, il est sacré».
Robert Pousseur, Les artistes, sculpteurs d’humanité, éditions Desclée de Brouwer, Paris, 2002, p. 52.

29/05/2008

Traces du sacré


...With «Traces du Sacré,» already promising to be one of the major artistic events of the year, the Centre Pompidou returns to the tradition of major multidisciplinary exhibitions that made its reputation, offering a visual exploration of one of the most pressing issues of our time...

27/05/2008

Encomendador, arquitecto e pintor

Mário Botta (arquitecto) e Enzo Cucchi (pintor).
Igreja votiva de Santa Maria dos Anjos, no Monte Tamaro, Lugano, Suiça, 1990 -1996.
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A obra (Santa Maria degli Angeli) nasce colectivamente através de uma acumulação de sensibilidades, de trabalhos e de conhecimentos.
O encomendador, o arquitecto e o pintor resolveram o problema que o tempo trouxe.
A autoria é tripartida.


26/05/2008

Conversa de corredor - Parte IV

(Continuação do dia 26 de Março de 2008).
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«Que género de Pintura é que tu fazes?»
Primeiro pensei nos géneros feminino e masculino, só depois me ocorreu a paisagem, a natureza-morta e o retrato. Mas, com um ar sério, resolvi responder o seguinte:
«Hum, pois!»
E enquanto dava esta resposta recordava um pequeno texto justificativo uma exposição (que não vi) na Sprueth Magers Projekte em Munique com o titulo «WHAT KIND OF PAINTING?, que «debate» o estado da Pintura contemporânea entre as novas gerações de artistas «"What kind of painting do you do?", the legitimate and inescapable question that no painter ever wants to hear and which actually cannot be answered»
Perante aquela resposta a nossa conversa foi desviada para a circunstância de estarmos ali e de o meu interlocutor, por algum motivo que desconheço, resolver abrir-se em apreciações sobre os problemas do meio e do ensino artísticos. Iniciou-se um exercício de exaltação do sistema nervoso, através de um maldizer sistemático, que apenas deixou entender de vez em quando algumas sensibilidades muito próprias, focalizado nos conflitos entre conceitos de academismo, de vanguardas e de modismos.
Esta conversa faz todo o sentido na medida em que a coisa central que nos move por estes corredores é o que se ensina e como se ensina. Ou pelo menos deveria ser, senão houvessem preocupações marginais ou corporativas consoante os casos, que enturvam os ambientes e tornam imperceptíveis os raciocínios e difícil o alcance daqueles objectivos.
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(Continua em breve)

23/05/2008

A situação está tensa mas sobre controlo

A Arte Contempo é um espaço que nos anima.
Anima-nos pela frescura dos seus acontecimentos e pela frescura do projecto que encara a produção artística como um acto eminentemente cultural.
Trata-se de uma Associação Cultural que usa um espaço, situado perto da basílica da Estrela em Lisboa, como meio disponível para a concretização de diversos projectos artísticos, quase sempre arrojados por causa da carga experimental que transportam e das inquietações que provocam a quem se disponibilizar para diálogos estéticos com as obras quase sempre enriquecedoras.
Neste momento o acontecimento refere de um modo bastante explícito que A situação está tensa mas sobre controlo.
Este é o título encontrado pelo Marte Mestre e Bruno Marques, os dois jovens curadores desta exposição colectiva que integra obras de André Sousa, Gustavo Sumpta, Tânia Duarte, Renato Ferrão e André Guedes.
A situação está tensa mas sobre controlo
corresponde a um conjunto de 5 obras que nos remetem para o universo das proporções e dos equilíbrios assimétricos, para os dinamismos e estaticismos e para o universo da física, da geometria e dos pensamentos. Pensamentos que se projectam inevitavelmente na frágil complexidade do mundo social, politico, económico e ambiental que vivemos. A Arte contemporânea não é um processo fácil porque, estando diametralmente oposta aos conceitos que categorizam a arte a partir de uma definição utópica de belo, ela exige que haja no observador um desejo de perceber o verdadeiro «chão» que pisa.
Como que continuando o conceito albertiniano de janela, mas agora em termos metafóricos e não em termos perceptivos, a arte contemporânea é profundamente humana e, deste modo, verdadeiramente sagrada (ler neste Blog a referência do dia 9 de Janeiro de 2005).
Na Arte Contempo, na Rua dos Navegantes, irá decorrer no próximo dia 29 de Maio o lançamento do catálogo desta exposição. É um momento de festa a não perder. (Mais informações)
(I.Salt2008)

22/05/2008

Museus - Novos templos

«...Os museus, que alguns admitem poderem ser as catedrais de uma sociedade assumidamente materialista, também viabilizam através si uma dimensão humanista de grande ligação e proximidade aos outros, pela verificação dos conteúdos expressos nas obras. E se no início do século, como acima dissemos, os museus foram rejeitados pelas vanguardas futuristas comandadas por Marinetti, os seus objectivos foram no entanto atingidos, uma vez que os novos museus posteriores à Segunda Guerra e ao Museu Solomon Guggenheim (1943-59), desistiram de facto de ser como os antigos, por as suas entidades promotoras estarem muito mais preocupadas com a auto-representação, dando origem a museus de arte contemporânea, enquadrados por vezes atrás das designações de centro de arte ou centro cultural (Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia), e assim se constituindo como legitimadores de uma arte produzida a posteriori. Enquanto num conceito antigo de museu a obra aspira a atingi-lo, num conceito novo a obra mesmo antes de executada já tem lugar marcado no museu / centro [1]. Trata-se de uma ansiedade provocada pela tomada de consciência da efemeridade dos tempos que vivemos e, por conseguinte, mais preocupada com o imediato, o consumível e o entretenimento...» Ilídio Salteiro, «Museus – Novos Templos», in Do Retábulo Ainda aos novos modos de o fazer e pensar, (tese de Doutoramento), Lisboa, Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, 2006, pp. 138-139.
[1] Como critério para a constituição de um acervo museológico de arte contemporânea, é referido «privilegiar a constituição de núcleos autorais representativos, ou seja, do mesmo autor existirem várias obras e emblemáticas das diversas fases da sua produção artística. Ou, dito de outro modo: menos autores e mais obras [...] esta opção implica um trabalho de continuidade temporal e de acompanhamento atento dos percursos artísticos», Isabel Carlos, «Initiare», in Initiare, Lisboa, Centro Cultural de Belém, 2000, p. 5.

20/05/2008

Pintura é diferente de pintura

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Quand Matisse travaille à Vence, il dit :
«Je suis religieux quand je travaille.»
Pour les artistes, le temple absolu, le lien avec la spiritualité, c'est l'oeuvre.
Rothko dit :
«Quand un spectateur pleure devant un de mes tableaux, il éprouve la même sensation religieuse que j'ai eue en le peignant.»
(Jean de Loisy, «Traces du Sacré», in Figaro, 09/05/2008)

19/05/2008

Vestígios do sagrado

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Em «Traces du Sacré» constata-se que a Arte que se fez no século XX como a que ainda hoje se faz, possue reminiscências religiosas muito claras, evidenciando que a espiritualidade é uma necessidade e uma preocupação intrínseca à Humanidade. Nesta exposição pode-se analisar o significado destas reminiscências e mostrar que elas continuam a participar na criação das formas contemporâneas.
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11/05/2008

Atrás de uma onda existem oceanos

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É frequente perguntar-se a um artista contemporâneo com algum tom de dúvida:
Tens continuado a trabalhar? Quando fazes uma exposição?
Pode-se responder sim!
Mas a pergunta transporta dentro de si uma paisagem obscurecida acerca da produção artística.
A produção artística guia-se apenas por um conceito, up-to-date (adj.) ou update (verb.) e considera-se isso muito natural.
Talvez o seja! Não serei eu a dizer que não, continue-se!
O modo de estar no nosso tempo, guiado pelo conceito de up-to-date, coresponde ao anseio da permanente sintonia com o mundo, que se atinge adquirindo meios pela via do consumo, desvalorizando as formulações de comunicação das pessoas singulares em relação às formulações de comunicações das pessoas colectivas e privilegiando a ditadura da moda através de periódicas actualizações, angustiantes e efémeras, e subordinada a sub-categorias de movimentos, de ondas e de vanguardas (Gilles Hipovetsk, Império do Êfemero, Lisboa, Pub. D. Quixote, 1989) .
Mas existem outros modos de estar que se orientam pela investigação e experimentação, e pela aquisição de conhecimentos pela via do saber, elevando as singularidades das múltiplas expressões individuais.

Tendo naturalmente uma diminuta visibilidade e pouco reconhecimento, não significa a sua inexistência.
Antes pelo contrário: atrás de uma onda efémera existe a perenidade dos oceanos.
(I.Salt.2008)
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video

video, I.Salt.2008

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10/05/2008

Rui Serra: Boa Pintura e Fazer

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Cada Pintura testemunha uma acção e muitos tempos.
E, por causa dessas atitudes de construção, aí estão as dádivas: veículos entre o autor e o mundo.
Pressente-se que a obra resulta de uma aprendizagem demorada, de uma caminhada pelas etapas processuais e conceptuais da Pintura.
Pela frente Rothko, e depois velaturas sucessivas até à irredutível essência.
A Boa Pintura e o Fazer.

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(Apenas palavras sobre a Pintura de Rui Serra na 111, Lisboa 2008)
I. Salt, 2008

09/05/2008

Olhar especulador

... «Plus sensible aux lois du marché qu’aux règles de l’art, le regard-spéculateur ne voit que des choses à acheter et à vendre, en restant largement indifférent aux conditions matérielles et sociales de production des œuvres, et à la vie de l’art. Ce regard artistiquement superficiel suit les voies de moindres obstacles fiscaux plus volontiers que les chemins escarpés et chaotiques de la production artistique. Ce regard-spéculateur des collectionneurs d’aujourd’hui est aux antipodes du regard-investisseur des mécènes, et bien sûr du regard-producteur des artistes, et du regard-amateur du public pour qui la valeur esthétique des œuvres n’est pas brouillée par leur valeur marchande» .... (ler todo o artigo aqui)
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08/05/2008

Hoje 22h- Pedro Saraiva - noticias - viagens

VOYEUR PROJECT VIEW
PEDRO SARAIVA0 até 08.06.08
Travessa Convento de Jesus 12ª / 16ª 1200 - 126 LISBOA


gabinete > cambedo

(…) o presente projecto de Pedro Saraiva, ainda (e talvez permanentemente) em fase de desenvolvimento, passa pela criação de heterónimos na prática do desenho, isto é, de personalidades criativas que possuem, no seu interior, uma coerência que remete para a ideia de identificação e, concomitantemente, de identidade(s) criativas(s) múltipla(s).
Este procedimento implica uma heurística de entrada múltipla, isto é, uma metodologia de descoberta e apropriação de tipologias diversas de criação no campo do desenho que passam, também, pela gestação de procedimentos que incorporam dissidências internas no processo criativo. Ou seja, a possibilidade que Pedro Saraiva encontrou de criação no campo do desenho implica uma multiplicidade de procedimentos, frequentemente tomados a partir de metodologias específicas que incorporam narrativas. Num certo sentido, há neste projecto a introdução do desenvolvimento de procedimentos em desenho a partir de determinadas matérias ficcionais e narrativas que se corporalizam em estilísticas diversas (portanto, em autenticidades diferenciadas), o que implica, também, um “fazer do corpo” para cada uma das metodologias, processos de raízes culturais das várias entidades que surgem no universo de cada uma das linhas ficcionais desenvolvidas.
Esta forma de compreender a possibilidade do desenho não é, simplesmente, a da produção de um conhecimento ou de uma prática enciclopédica do desenho em si mesmo, mas implica o desenvolvimento de uma metodologia de intra-remissão, ou seja, o estabelecimento de uma complexidade. Quer isto dizer que o surgimento de personalidades diversas no cumprimento de estratégias, linhas criativas e estilísticas diferentes entre si propõe uma teia de relações de que cada uma das partes surge como fragmento (…)
(…) o projecto que Pedro Saraiva apresenta é o desenvolvimento de um mapa de procedimentos de desenho em linhas eventualmente divergentes, sob a estrutura de heterónimo, questionando as categorias básicas da ética do próprio desenho enquanto metodologia, propondo um mapa heteróclito e inconclusivo das suas práticas. (…)

Delfim Sardo in gabinete > codina

07/05/2008

05/05/2008

Arte - tecnica ou talento - Pintura fotografia

Shirana Shahbazi e Sirous Shaghaghi e Hamid Reza Tavocolios (2 "Iranian bilboard painters!").
Visão mecânica e visão sensorial.
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Anunciação,Bienal de Veneza, 2003
Os mesmos autores exposeram um outro mural em Janeiro de 2008 na Barbican Art Gallery(paisagem, natureza-morta e retrato)
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For her project Shahbazi collaborates with a team of Iranian billboard painters, employing techniques and styles typically used for commercial advertising in her native country. <>

29/04/2008

Autocensura (!)

«Il y a pire que la censure : l’autocensure. Pire que la violence qui vient de l’extérieur, celle que l’on s’impose à soi-même. La censure est en quelque sorte l’exception tonitruante qui surgit d’un sol d’autocensure ordinaire. C’est l’interdit brutal qui vient bloquer ce que le cycle long de l’autocensure n’a pas réussi à dissoudre dans les méandres du consentement»... André Rouillé, «Mai 68 à l’envers. Nouvelle censure à Bordeaux», in paris-art.com, 17 avr. 2008, Numéro 233,
http://www.paris-art.com/
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28/04/2008

A superficie que ocupo

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I.Salt. Sapatos de fazer mundos, foto digital, 2003
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...«A disposição para aceitar incontáveis versões alternativas do mundo, verdadeiras ou correctas, não significa que valha tudo, que as histórias da carochinha sejam tão boas como as verosímeis, que as verdades já não sejam distinguidas das falsidades, mas apenas que a verdade deve alternativamente ser concebida como outra coisa que não correspondência com o mundo acabado»... Nelson Goodman, Modos de Fazer Mundos, (1978) Lisboa, Edições Asa, 1995, pp.144.

27/04/2008

Simetria

Hoje eu vi duas aguarelas,
uma intencional outra ocasional.
Hoje eu vi uma têmpera,
uma intencional outra ocasional.
Hoje eu vi duas encausticas,
uma intencional outra ocasional.
Hoje eu vi dois óleos,
um intencional outro ocasional.
Hoje eu vi dois acrílicos,
um intencional outro ocasional.
Hoje eu vi dois mosaicos,
um intencional outro ocasional.
Hoje eu vi dois vitrais,
um intencional outro ocasional.
Hoje eu vi dois cartazes,
um intencional outro ocasional
Hoje eu vi dois filmes,
um intencional outro ocasional.
Hoje eu vi duas fotografias,
uma intencional outra ocasional.
Hoje eu vi duas instalações,
uma intencional outra ocasional.
Hoje eu vi duas performances,
uma intencional outra ocasional.
Hoje eu vi duas Pinturas,
uma intencional outra ocasional.
Hoje eu vi duas Obras de Arte,
uma intencional outra ocasional.
I.Salt.2008 (entre Lisboa Paris no 24J às 16.50h, 3 Abr.)

20/04/2008

A Casada


Mariée (pormenor), Niki de Saint Phalle, 1963, Centro Pompidou, fot. I.Salt.2008