06/07/2014

Colonos e periferias



Numa conversa de corredor
De conteúdo sério que há muito se desvaneceu
O que me sobressaiu foi uma afirmação entre vírgulas.
..., Eu até sei pintar!,...
Uma interrogação:
Que coisa grande e recente estará por detrás desta afirmação?
Só hoje a descobri.
E confirmei!
A obra existe e produz efeito muito antes de ser vista.


Antes tinha percorrido a livraria do CCB
Livro após livro, lombada após lombada, tudo foi visto.
Tudo em língua inglesa, pouco em francês.
E nenhum sobre assuntos e autores portugueses
Duas exceções: dois artistas portugueses escritos em inglês.
Uma livraria igual a todas as livrarias de qualquer museu ou centro cultural à moda da Europa ocidental.
Mas pior por ser muito menor e pouco atualizada.
Conclusão:
Não temos artistas portugueses, não temos arte portuguesa, não temos cultura portuguesa.
Minto: temos dois!
Alegremente, aceitamos ser PERIFERIA. Aceitamos reconhecidamente a paternidade do COLONO inteligente, iluminado e nosso amigo.
Um perigo mascarado de internacionalização.
 I.S. - 6/7/2014

02/07/2014

Santa Bárbara de Nexe

I.Salteiro, 2014


Santa Bárbara de Nexe


Apesar de o mundo ser simultaneamente
imenso,
macro
e heterogéneo,
tentam fazer-nos passar a ideia
de que ele é global,
plano
e homogéneo.

E quase sempre o conseguem, com muito êxito!

Esta circunstância cria a perigosa sensação de conhecermos o mundo,
quando afinal o que conhecemos
são,
quando muito,
pequenas versões desse mundo.

Mas são estas «versões»
a imposição
com a qual intimamente me insurjo.

Prefiro ser livre!

Somos um centro do mundo
e temos direito à nossa versão do mundo.

É muito difícil compreender por que razão nos escusamos a aceitar esta verdade tão óbvia, para aceitarmos,

por questões de mero comodismo,

as versões do mundo dos outros.
Admitindo sermos vulgares habitantes da caverna de Platão.


O que não devemos ser!.....

Ilídio Salteiro, 2014.