10/05/2019

J. Rosa G. evoca a Grande Guerra com uma "Alfarrobeira"


Na sequência do projeto expositivo Evocação - Arte Contemporânea, a decorrer nas Salas da Grande Guerra do Museu Militar de Lisboa desde 9 de março de 2016, vai inaugurar a décima intervenção intitulada Alfarrobeira de J. Rosa G. no dia 23 de maio de 2019, quinta-feira, às 18h30,
Uma trágica batalha que há 570 anos mudou o mundo em confronto com uma guerra que há 100 anos envolveu o mundo.






Alfarrobeira de J. Rosa G.

Nas salas da Grande Guerra do Museu Militar de Lisboa, decorre a décima intervenção integrada no projeto Evocação arte contemporânea (2016-2019), intitulada Alfarrobeira. Com esta intervenção, de J. Rosa G., as salas da Grande Guerra deste museu são confrontadas com uma homenagem ao Infante D. Pedro (1392-1949), um príncipe perdido no campo de uma batalha nas margens da ribeira de Alfarrobeira, próximo de Alverca, no dia 20 de maio de 1449.
Sendo um príncipe culto e amado por todos, profundo conhecedor do seu tempo, a sua morte alterou o rumo da história porque sem esta batalha e com D. Pedro, tudo teria sido diferente.
E a Grande Guerra que se evoca aqui, sendo uma guerra mundialmente assumida por todos, com muitos soldados desconhecidos de ambas as partes, é igualmente uma ocorrência que alterou o rumo da história. Sem ela tudo seria diferente.
Esta relação entre estes dois momentos, pode ser descoberta na sensibilidade própria do investigador-artista que relaciona o irrelacionável, que diz o indizível, que questiona incessantemente as origens das coisas e dos factos, sempre com uma atitude construtiva de perspetivar outros futuros.
Verificamos que as coincidências entre estes dois factos são o tempo e os lugares percorridos por todos aqueles que buscam soluções para o mundo, tanto de forma consciente como de forma natural. Lugares como Arras, Bruges, Gante, Bruxelas, Lovaina, Nuremberga são por onde passaram o infante D. Pedro em 1425-26, seguramente o primeiro português a viajar pela Europa, numa longa viagem que o leva a conhecer cinco países ao longo de dois anos, num périplo que enquadra a sua grandeza intelectual, cultural e humanista.
São também estes lugares, onde, entre 1916 e 1918, milhares de soldados deram as sua vidas por causa das raízes de uns e de outros. Soldados desconhecidos, não por não se saber a sua identificação, mas porque não lhes foi dado o tempo necessário para nos disserem o que eram e qual seria a sua missão no mundo. Soldados desconhecidos evocados neste evento sob o pretexto do infante D. Pedro, um príncipe português do século XV, humanista, a quem não foi dado o tempo e o espaço para exercer o seu saber. Se o fosse tudo seria diferente.
O que J. Rosa G. nos propõe é o questionamento do destino perante a vida e a morte, perante a “pedra-príncipe” e o “pranto”, perante a sensibilidade estética própria de um artista ao escrever um livro-obra como lugar de registos do pensamento vivo e universal, em sintonia com o seu tempo. Uma evocação dos desconhecidos de uma guerra grande e mundial e de uma batalha nas margens de uma ribeira salientada pela relevância da sensibilidade histórica e estética de J. Rosa G. Temos deste modo três tempos, 1449, 1918 e 2019 em sintonia, por intermédio da estética de uma obra que inevitavelmente nos supera a todos.
Uma obra que resulta de investigação histórica, de pensamento estético, de intuição envolvida na procura da essência da arte. Um livro sobre Pedro e Pranto, sobre a força do ser e a emoção, sobre a questão da falta e da ausência, sobre o destino. Pedro e Pranto é um pensamento sobre como o mundo poderia ser diferente se uma batalha, se uma guerra não tivessem existido, se não houvesse necessidade de prantos, se os homens se tivessem entendido pela palavra ou pela arte, e não se servissem apenas destas como instrumentos de poder.
Ilidio Salteiro, 2019


J. Rosa G.
Nasceu em 1961 em Vale de Açor, concelho de Ponte de Sor.
Desde 1995 efetuou mais de 120 livros de autor, únicos ou de tiragem reduzida e realizou as seguintes mostras:
Exposições Individuais:
2004 - “dos livros que não se lêem”, Biblioteca Nacional, Lisboa,
2007 - “O Livro de Pan II e Outros Livros”, Museu da Água em Lisboa. 
2013-15. “Milagre – Elogio aos Painéis de Nuno Gonçalves”, Capela do Fundador do Mosteiro do Mosteiro da Santa Maria da Vitória, Batalha.
Exposições colectivas:
1999 - Artistas Com Timor, Armazém 7, Lisboa.
2006 - Caligrafias, Casa Fernando Pessoa, Lisboa.
2012 - Arquivo Secreto, Arquivo Fotográfico de Lisboa, com o livro inédito: 744-252.
Off The S{h}elf: The Self and Subjectivity in the Artist’s Book, Londres, 2012, com o livro: A Look Against Narcissus.
2012 - 3ª Feira do Livro de Fotografia, Fábrica do Braço de Prata, Lisboa.

15/10/2018

1º Congreso Internacional ARTE, NATURALEZA Y PAISAJE EN EL MEDITERRÂNEO


Em Ojós, uma pequena cidade na região norte de Murcia, em Espanha, realizou-se nos dias 11, 12 e 13 de outubro de 2018 o I Congresso Internacional Arte, Naturaleza y Paisaje en el Mediterrâneo (https://www.artenaturalezapaisaje.com/).
No seio de uma paisagem surpreendentemente expressiva, simultaneamente agreste e fértil, permanente mente desenhada por sombras de montanhas projetadas sobre vales, sinalizou-se o Mediterrâneo como espaço de limites e fronteiras (Nélida Mendoza, Colgando Paisajes), falou-se dos elementos naturais em confronto com conceitos artificias de paisagem fabricada (José María Egea Fernández, Paisaje agrario e identidad territorial), referiram-se soluções de educação no formal no âmbito da relação professor – artista (Lucia Loren, Arte, paisaje y educación desde un prisma eco-social), sublinhou-se a importância dos pequenos núcleos museológicos (Carmen Berrocal Caparrós, Street Art y Patrimonio. Campaña de divulgación del patrimonio paleontológico de Cueva Victoria a través del arte callejero en el paisaje urbano de la Diputación de El Beal), salientou-se o valor humanista da ação artística no contexto da cultura ocidental e do pensamento e arte contemporâneos apresentando-se soluções em curso para a sustentabilidade dos patrimónios naturais e paisagísticos (Giacomo Bianchi, Il progetto di Arte Sella ed il suo impatto sul territorio" ou João Castro Silva, La Luzlinar y el Jardín de las Piedras. Un proyecto de actuación artística a cielo abierto).
Dias intensos de diálogos e apresentação de muitas ideias e projetos que visam consolidar, em torno do Mediterrâneo, os valores civilizacionais que hoje perigam.
As questões da ecologia e da sustentabilidade, do património cultural passado e da educação, e a produção artística contemporânea como a produção do património cultural futuro, estiveram presentes em todas as comunicações.
De facto, a importância da preservação da memória para a construção de futuros humanistas terá sido a mais-valia retirada deste encontro de pessoas em momento de partilha das matérias das suas investigações.
Será bom que este 1º congresso seja impulsionado para a realização de muitos mais, com a periodicidade que a logística dos meios possibilitar, porque o Mediterrâneo é o berço civilizacional onde residem as raízes da nossa cultura. No início do século XXI surgiram alguns movimentos que vêm esta água e estas margens como um todos rico na diversidade com urgência em ser pacificado. Salientamos Love Difference, uma iniciativa de Miguel Angelo Pistoleto (http://www.lovedifference.org/) e a Fundación Tres Culturas (http://tresculturas.org/)
Ojós é, na realidade, um oásis, juntamente com Archena, Ulea, Blanca e Ricote. Mas metaforicamente também o é, neste tempo de conflitos ambientais e politicos de toda espécie. Oásis onde o pensamento sobre Natureza, Paisagem e Mediterrâneo são o fator aglutinador de concórdias entre diferentes pontos de vistas. É este o valor maior da Arte.
Na Natureza os territórios, as fronteiras e os limites são elementos de discórdias. Mas as paisagens são a perceção global do todo, o entendimento do outro, porque aquilo que espirito abarca nunca possui fronteiras geográficas nem limites.
Aguardamos os próximos congressos.
Ilídio Salteiro, 2018.

20/05/2018

Arquipélagos e Constelações, Ilha 1



Ilídio Salteiro, Ilha 1, 2013. Óleo sobre tela, 27 x 36 cm


ARQUIPÉLAGOS E CONSTELAÇÕES
 ILÍDIO SALTEIRO

Arquipélagos e Constelações, reúne um conjunto diversificado de «quadros» que integram séries, muito numerosas e mais ou menos prolongadas no tempo, produzidas entre 2006 e 2018.
Nesta seleção podemos percecionar um fio condutor em cada um, que acaba por ser elo de união com muitos outros. Este fio condutor corresponde a entendimentos estéticos de diversa índole sobre as formas, a iconografia, o espaço e a luz, e sobre a geografia e a política. Nele vão-se problematizando e discutindo as questões que a pintura e a arte levantam, sobre a matéria e a natureza, através da linguagem plástica e pictórica, concretizadas em «quadros», sistemática e exaustivamente.
A Pintura é uma ação do pensamento sobre a matéria! É um processo de pensamento fundamentado nos modos de rever e refazer o mundo transformando as matérias, físicas e conceptuais, que o compõem. A Pintura refaz, reorganiza, recompõe, reordena e enfatiza as matérias universais, conhecidas ou desconhecidas (Salteiro, O Centro do Mundo, 2013, p. 12).
Cada obra acaba por ser disso testemunho, um testemunho que nos coloca perante as anatomias do pensamento humano.  Arquipélagos e Constelações, o título dado a esta reunião de «quadros», corresponde a conceitos equiparáveis pela união na diversidade e pelos elos endógenos de cada elemento face aos outros e ao todo.
Estas vinte pinturas são fatores de ligação de pensamentos particulares a um outro pensamento universal, que no tempo presente apenas será abarcável, no seu todo, pela vivência da arte e pelo processo intimista da feitura desta.

Ilídio Salteiro (1953), é artista-plástico pintor, investigador e professor de pintura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Expõe regularmente desde 1979, participando na LIS’81-2ª Bienal de Desenho em 1981 e na III Exposição da Fundação Calouste Gulbenkian em 1986. Está representado na Coleção Culturgest e em outras coleções públicas e privadas. Realizou trinta e duas exposições individuais, das quais se destacam O Centro do Mundo no Museu Militar de Lisboa em 2013, Faróis e Tempestades na galeria da FBAUL e Uma Viagem na Minha Terra no Museu de Lanifícios na Covilhã em 2018. Participa desde os anos 80 em diversos projetos de curadoria e de intervenção social, cultural e artística.
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J. Rosa G. evoca a Grande Guerra com uma "Alfarrobeira"

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