20/05/2018

Arquipélagos e Constelações, Ilha 1



Ilídio Salteiro, Ilha 1, 2013. Óleo sobre tela, 27 x 36 cm


ARQUIPÉLAGOS E CONSTELAÇÕES
 ILÍDIO SALTEIRO

Arquipélagos e Constelações, reúne um conjunto diversificado de «quadros» que integram séries, muito numerosas e mais ou menos prolongadas no tempo, produzidas entre 2006 e 2018.
Nesta seleção podemos percecionar um fio condutor em cada um, que acaba por ser elo de união com muitos outros. Este fio condutor corresponde a entendimentos estéticos de diversa índole sobre as formas, a iconografia, o espaço e a luz, e sobre a geografia e a política. Nele vão-se problematizando e discutindo as questões que a pintura e a arte levantam, sobre a matéria e a natureza, através da linguagem plástica e pictórica, concretizadas em «quadros», sistemática e exaustivamente.
A Pintura é uma ação do pensamento sobre a matéria! É um processo de pensamento fundamentado nos modos de rever e refazer o mundo transformando as matérias, físicas e conceptuais, que o compõem. A Pintura refaz, reorganiza, recompõe, reordena e enfatiza as matérias universais, conhecidas ou desconhecidas (Salteiro, O Centro do Mundo, 2013, p. 12).
Cada obra acaba por ser disso testemunho, um testemunho que nos coloca perante as anatomias do pensamento humano.  Arquipélagos e Constelações, o título dado a esta reunião de «quadros», corresponde a conceitos equiparáveis pela união na diversidade e pelos elos endógenos de cada elemento face aos outros e ao todo.
Estas vinte pinturas são fatores de ligação de pensamentos particulares a um outro pensamento universal, que no tempo presente apenas será abarcável, no seu todo, pela vivência da arte e pelo processo intimista da feitura desta.

Ilídio Salteiro (1953), é artista-plástico pintor, investigador e professor de pintura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Expõe regularmente desde 1979, participando na LIS’81-2ª Bienal de Desenho em 1981 e na III Exposição da Fundação Calouste Gulbenkian em 1986. Está representado na Coleção Culturgest e em outras coleções públicas e privadas. Realizou trinta e duas exposições individuais, das quais se destacam O Centro do Mundo no Museu Militar de Lisboa em 2013, Faróis e Tempestades na galeria da FBAUL e Uma Viagem na Minha Terra no Museu de Lanifícios na Covilhã em 2018. Participa desde os anos 80 em diversos projetos de curadoria e de intervenção social, cultural e artística.
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14/01/2018

Prospeção



Prospeção
Por Ilídio Salteiro

… a ilha está cheia de ruídos sonoros, de sons e de músicas suaves que agradam e não fazem mal. Às vezes, mil instrumentos ressoam-me aos ouvidos; outras vezes, são vozes tão doces que, se estou acordado depois de um sono prolongado, me tornam a adormecer; então, em sonhos, parece-me que as nuvens se abrem e vejo riquezas sem conta que vão chover sobre mim; assim é que, quando acordo anseio por sonhar outra vez…. (Shakespeare, Tempestade)


A Pintura faz-se do ver e do partilhar. Dito deste modo, a Pintura é apenas visão, versão, aparição, desvendamento ou descoberta. E o pintor é aquele que a dá a ver, que a põe a descoberto e a partilha aos outros!
Consideramos a Pintura como aquilo que ─ contrariamente ao que “alguns” pensam e argumentam hoje sobre arte ─ cura, revoluciona, rompe e corta! Encaramo-la como aquilo que não pode ser reduzido a coisa cenográfica, temporária! Nem ela mesma como objeto, nem o lento processo de investigação que a originou, nem o arriscado processo de prospeção sucessiva que envolve, desde que não estejamos a falar de um mero exercício de habilidades tecnológicas ou outras. É, acima de tudo a formalização de pensamento vivo, humanista, que reforça a força da esperança que permanece depois de tudo findar ─ com reinícios constantes.
O conjunto de óleos e acrílicos sobre tela, composto por paisagens e territórios povoados com sinais de vida, reunido neste livro sob a titulação de Faróis e Tempestades, corresponde a uma seleção de treze obras realizadas durante 2017 em torno de três eixos conceptuais definidos por livro antigo, coleção e biblioteca. Estes “eixos” têm de comum o facto de nos oferecerem possibilidades de ordenação do caótico, do confuso ou do movimentado, ou simplesmente de tudo aquilo que se encontra sujeito a eternas mudanças. Dominam as tempestades (Shakespeare s.d.).
A génese da civilização pré-diluviana em Babel, numa torre única e universal, no Génesis (Crumb 2009), marca o início mítico de uma cultura ocidental, onde o desejo de globalização e de centralismo, revelando-se ser desmesurado, conduz a civilização para a multiculturalidade universal que conhecemos. Esta ideia de Babel foi o ponto de partida destas obras, entendida como ascensão e queda, como uma força globalizante em confronto com a diversidade, ou seja, em confronto com as grandes dicotomias que vão tecendo o nosso quotidiano. Uma ideia de Babel como arquitetura numa paisagem com capacidade para simultaneamente agregar e disseminar, tal qual a linha de água e o ritmo das marés junto à costa, umas vezes com grandes amplitudes e outras com amplitudes mínimas. Uma ideia que nos conduziu naturalmente em viagens por paisagens mentais de territórios nunca vistos, terras incógnitas, disponíveis para as múltiplas descobertas.
Adquirindo corpo a ideia de ilha, de costa, de maré ─ de linha entre solido e liquido. Uma linha determinante para o desenho de ilhas aparecidas, ilhas de terra sem nome, longínquas, como aquela que Trezenzónio, um monge galego, avistou do alto da torre de Hércules na Coruña no século VIII e descreveu como sendo a Grande Ilha do Solstício. Uma ilha desenhada no horizonte pelos raios do sol nascente, com um templo-torre, dedicado a Santa Tecla. Uma imagem de um lugar distante, uma ilha paraíso onde tudo é perfeição e harmonia e onde não existe tempo (Lucas, 1991).
Partilhamos estas palavras sobre algum do pensamento que acompanhou a execução destas pinturas, íntima e silenciosamente, prospetando naqueles passados assinaláveis e apenas aparentemente longínquos ─ Babel, Grande Ilha do Solstício e Tempestade ─ os caminhos que todos nós vamos percorrendo hoje, como descobridores do futuro, curando a sociedade da doença da incivilidade, revolucionando paradigmas, rompendo preconceitos e cortando e colando as boas coisas em códigos renovados e atualizados.
  
Referências
Lucas, Maria Clara de Almeida (1991). “Insula Solistitionis: uma ilha iniciática”. In Yvette Centeno e Lima de Freitas, A simbólica do espaço: cidades, ilhas, jardins. Lisboa: Estampa, pp. 73-85.
Crumb, Robert (2009), The Book of Genesis, Nova Iorque: W.W. Norton &Company Ltd.

Shakespeare, William (s.d.). A Tempestade. Porto: Lelo & Irmão Editores.

13/01/2018

Mundus novus: algumas cartas para Ilídio Salteiro

Por João Paulo Queiroz




Fig. 1. Ilídio Salteiro, Babel (2), 2017. Óleo sobre tela, 150 cm x 200 cm. Coleção B.E


Neste texto far-se-á uma digressão pela obra plástica do pintor português Ilídio Salteiro. Parte-se do tema global do território, da viagem, da ilha e da utopia, para se relacionar os significantes materiais com os significados imateriais. Enquadra-se a pesquisa do seu último ano de trabalho nas problemáticas mais amplas como o tema do multiculturalismo ou da sustentabilidade. Também a narratividade, os discursos do nosso tempo são colocados como marcos de um questionamento plástico enraizado num percurso com várias décadas. Os livros, alguns livros, algumas folhas contêm pensamentos que o pintor revela como numa visão de um navegador seiscentista.

1. O Pintor Ilídio Salteiro

Ilídio Salteiro nasceu em 1953, em Alpedriz, Portugal. Formou-se em pintura na então Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, prosseguindo depois o seu percurso formativo que inclui o mestrado e o doutoramento, sendo hoje professor de pintura na agora Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Expõe desde 1979, com uma presença constante no panorama artístico português. Sobressai a exposição “o centro do mundo” no Museu Militar de Lisboa, em 2013 (Queiroz, 2013) (Figura 1).
Salteiro é contemporâneo de uma geração de artistas portugueses que estão na transição entre uma neo figuração “pós pop” e uma expressividade influenciada pela movida latina dos anos 80 - das novas arquitecturas pós-modernistas (Itália, Reino Unido, França, Portugal), ao “regresso à pintura”, com movimentos espontâneos como a trans-vanguardia, ou o neo-expressionismo oitentista. Em pano de fundo, um otimismo gerado pela queda das ditaduras ibéricas e pela integração europeia. Tudo isto se traduziu, em Portugal, numa figuração expansiva,  identitária,  disruptiva, onde figuras humanas  rompem paredes e arames, com elementos figurativos icónicos, revisitando os clássicos com novas espessuras de tinta e novos contrastes. Ao mesmo tempo as dimensões das telas ampliam-se e as matérias ganham peso e textura, conduzem a descobertas significantes. A pintura deseja-se um “Corpo sem Órgãos”, aprendem-se lições de Deleuze, Bachelard, Derrida. As porosidades tornam-se significativas, retomam-se narrativas na forma discursiva. Abrem-se aos artistas perspectivas de mercado, com novas Feiras internacionais de arte,  novas Galerias,  novas Coleções, novos Museus (como o CAM, o Museu de Serralves, o renovado Museu do Chiado). Em 1984, com Orwell (2007) mais ou menos distante, lançam-se os primeiros computadores pessoais. O “muro” de Pink Floyd cai, na realidade, em Berlim, em 1989. O mundo torna-se global. A pintura sai de prisões ideológicas e decorativas, caminha-se para um novo circuito de turismo rápido. Há sempre espaço para novos pensamentos plásticos.

     

Fig. 2. Ilídio Salteiro, Babel (3), 2017. Óleo sobre tela, 70 cm x 90 cm.
Fig. 3. Ilídio Salteiro, Faróis e Tempestades (22), 2017. Óleo sobre tela, 80 cm x 60 cm.
2. Uma respiração feita de musgo

Das vivências no campo, da aldeia onde Salteiro nasceu, alguns jardins, alguns lameiros, alguns riachos. As pedras que se sonham montanhas na imaginação dos pequeninos. A respiração dos pinheiros, o rumor das estradas, a deslocação lenta das nuvens. As brincadeiras de uma criança, que se tornaram o centro de um mundo sonhado, onírico, sem tamanho. As casas, as aberturas, os habitantes, as pontes, os caminhos, as primaveras e o sentir o dilatar dos dias em direção ao verão e ao sul. De todas estas vivências se pressente um Universo de criação (Figura 2) aqui na terra.
Do musgo das pedras, numeram-se construções, planos, traçam-se mapas, rotas, imaginam-se ilhas, ora vazias, ora com seres liliputianos, que escondidos desapareceram. Aguarda-se a maré que faz a vida pequenina respirar, na ria de Faro, onde também se explora a pequenez do agir e do imaginar, e as coisas pequenas se fazem grandes (Figura 3). Assim se fazem os pintores. O olhar que brinca com o mundo é o mesmo que constrói o mundo. Sobre o ribeiro imagina-se uma ponte. Sobre a ponte a estrada. Ao longe a montanha. Aqui perto as areias húmidas pela maré. Estas águas sobem e descem numa pulsação  lunar. Este é um limo vivo, verdescente, que se apodrece e cresce.

     

Fig. 4. Ilídio Salteiro, Faróis e Tempestades (9), 2017. Óleo sobre tela, 100 cm x 70 cm.
Fig. 5. Ilídio Salteiro, Faróis e Tempestades (26), 2017. Óleo sobre tela, 80 cm x 60 cm.
3. As casas vazias

Por aqui, nesta e naquela pintura, uma casa lisa, ranhuras por onde se pode espreitar o horizonte, com aberturas por onde se pode espreitar o seu interior.  Lá dentro,  caixas,  salas vazias, onde podemos habitar (Figura 4, Figura 5).  Estas construções são nossas,  abertas para nós,  como Giotto,  que nos frescos de Pádua no-las abriu. Brincava com a perspectiva, inventava escadas,  pórticos,  alpendres,  mezzanines,  púlpitos,  espaços nobres,  explicados,  mas quase sempre impossíveis. Nós que estamos cá fora sabemos que a casa pode ser nossa,  porque já lá habitamos, ou porque para lá as poderemos explorar. Esta arquitetura pintada,  é uma arquitetura sonhada,  como a de Palladio,  como as suas arcadas do centro de Vicenza,  ou a sua Villa Rotonda. Lidos os 10 livros de  arquitetura de Vitrúvio que explicam as colunas, as escadas, os aparelhos da parede, os aquedutos, as divisões de uma casa, as considerações sobre a pureza das águas e as influências do clima. As águas frias e quentes, os frescos e rebocos, os mosaicos e pinturas, os telhados em águas e uma estrutura virtuosa.  Toda a arquitetura  se  basearia nos três princípios da "utilitas" (utilidade), "venustas" (beleza) e "firmitas" (solidez). Três princípios com que a pintura ilude e brinca: não é útil, não é firme, e ilude a beleza do mundo. 


Fig. 6. Ilídio Salteiro, Faróis e Tempestades (20), 2017. Óleo sobre tela, 100 cm x 70 cm.
3. Os rectângulos

Giotto propõe a “perspectiva naturalis” e assim inventa um personagem do lado de fora do quadro: o observador, eu e tu. É a pensar no que o observador vê que as coisas se arrumam, se pintam, se sobrepõem, se podem espreitar. Pendurados destes rebordos, destes retângulos, espreitamos lá para dentro e vemos. São pinturas que mostram a terra, as ilhas e os rios (Figura 6). Mostram-se coisas ora pequenas, ora grandes, ora são matéria tinta, matéria visão, matéria coisa. Apresentam-nos o nosso interior, parecendo ora dentro, ora fora, de ti, que espreitas.
É uma terra de bons selvagens, que se escondem nas torres, perdidos por faróis antigos, encantados pelos ventos de Ariel, de A Tempestade. Os selvagens destes novos mundos pintam-se com urucum e terra de siena, com azul prússia e terras da úmbria (Rousseau, 1959).


Fig. 7. Ilídio Salteiro, Faróis e Tempestades (5), 2017. Acrílico sobre tela, 70 cm x 90 cm.


4. As visões ao preço da lepra

Em entrevista (dezembro 2017) Ilídio Salteiro fala-me das visões de um monge no cabo da Finisterra, na Torre de Hércules. Que vira o paraíso para oeste, numa ilha verde, e para lá tinha ido na condição de ser só por sete anos. Era uma ilha perfeita, um paraíso testemunhado aos olhos do clérigo. Tão doce era a visão e a sensação, que findo o prazo, o monge quis ficar. O preço a pagar foi a lepra, o apodrecimento lento de um corpo no paraíso. A lenta maré que se esvazia, e se renova em sofrimento diário, agora Prometeu.
As visões do monge são mostradas, uma a uma, ao longo desta série. Ora com pressa, nos desenhos, ora com vagar e demora, na pasta das pinturas. O  monge contempla o paraíso pagando um preço carnal, preço que é também pago por todos os vivos nas terras verdes e húmidas (Figura 7).

5. As  viagens de Rafael Hitlodeu

Eis uma viagem, a do primeiro homem, e a do último homem. Daqui, talvez, o veterano marinheiro Americo Vespucio (1992), que  descreve a Lorenzo di Medici uma carta sobre a descoberta de mundos novos: "…. na frota a expensas deste Sereníssimo rei de Portugal, corremos e descobrimos, as quais terras nos deve ser permitido chamar Novo Mundo, … a maior parte dizem que, além da equinocial, para a banda do meio-dia, não existia terra continental, mas somente o mar Atlântico, e os que afirmaram haver ai terra negaram que fosse habitada de racionais. Mas o ser esta opinião falsa, e a verdade o contrário, se provou nesta minha última viagem…".
Ora acompanhou sempre Américo Vespuccio um português, Rafael Hitlodeu, que depois de anos deixado à sua sorte, terá uma conversa com Tomás Moro. Uma vez publicada, mudará o mundo. Ilha de lugar nenhum, a primeira "Utopia". Sítio de aberturas, pontos de vista para o exterior. Ou, de aberturas para um interior. Todo um território pensado, representado, cartografado. É um paraíso humano, lugar instável, área de passagem entre mundos, construções sem interior nem exterior, lugares para olhar como visões. De livros, de mapas, de terrenos, terras húmidas onde a natureza respira, onde a linha da maré agita os vivos, os que já foram, os que virão a ser (Figura 7).


Fig. 8. Ilídio Salteiro, Faróis e Tempestades (24), 2017. Acrílico sobre tela, 70 cm x 90 cm.

6. Discussão

Esta é uma viagem adentrada de óleos, de cores azuis cobalto e terras argilosas e túrgidas de limo (Figura 8). A viagem é infinita, pelo mundo fora, mundo mais real que o real “pois naqueles meridianos encontrei terra continental habitada de mais povos e animais que a nossa Europa e a Ásia ou África, e os ares mais temperados e amenos que em qualquer outra região conhecida conforme direi, tratando do que vi ou ouvi digno de notar neste Novo Mundo, segundo se verá mais abaixo....” (Vespucio, 1992).
Ou podíamos estar na ilha de Próspero, aguardando entre cogitações e livros, os náufragos que poderão ser mortos ou salvos. Entre Ariel e Miranda, um engenho de vento e mar, uma Tempestade urdida. O pintor é animalesco e serve para contar a história, como Caliban (Shakespeare) no-la vai contando, um homúnculo cheio de terra, e sulfuroso. Já Próspero, essa mente da ilha, não o vemos, apenas as suas manifestações temporais. E a ilha não existe, não lugar: a Utopia contada a Tomás Moro pelo mesmo Rafael Hitlodeu.
De todos estes mundos novos no-los ilustra e traz Ilídio Salteiro, um Caliban atarefado, sujo de tinta, mas com uma condição para nós: a condição dos vivos.
  
Referências

Deleuze, G. & Guatari, F. (2010) O anti-Édipo: Capitalismo e esquizofrenia 1. São Paulo: Editora 34. ISBN 978-85-7326-446-3.
Orwel, G. (2007) 1984. Lisboa: Antígona. ISBN: 9789726081890
Queiroz, João Paulo (2013) "Propostas para ‘o centro do mundo:’ as pinturas de Ilídio Salteiro" Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158, e-ISSN 1647-7316. Vol. 4 (8) pp. 310-319.
Rousseau, Jean-Jacques, (1782), 2001. Rêveries du promeneur solitaire. Col. "Les Classiques de poche". Paris: Livre de Poche.
Shakespeare, de William (2001) A Tempestade. Lisboa: Campo das Letras. Isbn: 9789726104728
Vespucio, Americo (1992)  "Mundus Novus." In Ribeiro, Darcy & Neto, Carlos. A fundação do Brasil: testemunhos 1500-1700. Petrópolis: Vozes, pp. 101-106.


12/01/2018

Faróis e Tempestades (32)



Ilídio Salteiro, Faróis e Tempestades (32), 2017. Acrílico sobre tela, 70 cm x 90 cm.


11/01/2018

Faróis e Tempestades (30)


Ilídio Salteiro, Faróis e Tempestades (30), 2017. Acrílico sobre tela, 70 cm x 90 cm.

10/01/2018

09/01/2018

07/01/2018

06/01/2018

05/01/2018

04/01/2018

03/01/2018

Faróis e Tempestades (24)



Ilídio Salteiro, Faróis e Tempestades (24), 2017. Acrílico sobre tela, 70 cm x 90 cm.


02/01/2018

01/01/2018

24/12/2017

Babel (3)


Ilidio Salteiro, Babel (3), 2017. Óleo sobre tela, 60x80 cm. Exposição Faróis e Tempestades, FBAUL, 4/1/2018.

12/07/2017

Babel



Ilídio SalteiroBabel. Óleo sobre tela, 150 cm x 200 cm. Na exposição Pretextos Prospecção Processo, no Museu dos Lanifícios, Covilhã, até 15 de Outubro de 2017

11/07/2017

Babel, ensaio 2



Ilídio SalteiroBabel / ensaio 2. Óleo sobre tela, 80 cm x 60 cm. Na exposição Pretextos Prospecção Processo, no Museu dos Lanifícios, Covilhã, até 15 de Outubro de 2017

09/07/2017

Babel, ensaio 1



Ilídio Salteiro, Babel / ensaio 1. Óleo sobre tela, 80 cm x 60 cm. Na exposição Pretextos Prospecção Processo, no Museu dos Lanifícios, Covilhã, até 15 de Outubro de 2017.

08/07/2017

Torre



Ilídio Salteiro, Torre, Aguarela e tinta da china sobre papel, 30 cm x 20 cm. Na exposição Pretextos Prospecção Processo, no Museu dos Lanifícios, Covilhã, até 15 de Outubro de 2017.

07/07/2017

Arca



Ilídio Salteiro, Arca, Aguarela e tinta da china sobre papel, 30 cm x 20 cm. Na exposição Pretextos Prospecção Processo, no Museu dos Lanifícios, Covilhã, até 15 de Outubro de 2017.

06/07/2017

Espiral




 Ilídio Salteiro, Espiral, Aguarela e tinta da china sobre papel, 30 cm x 20 cm. Na exposição Pretextos Prospecção Processo, no Museu dos Lanifícios, Covilhã, até 15 de Outubro de 2017.

30/05/2017

A 57ª Bienal de Veneza está a decorrer: quem são os premiados desta bienal?

Carolee Schneemann (USA, 1939) foi premiada com um leão de ouro pela sua carreira artística, acentuando desse modo a importância, na 57ª edição da  Bienal de Veneza, da performance, do corpo e do universos do artista, de algum modo justificando a atribuição dos prémios, muito centrada numa ideia de interação e partilha de experiências.
Faz pois sentido que o leão de ouro para a melhor participação nacional tenha distinguido o pavilhão da Alemanha com uma instalação / performance de Anne Imhof (G,1978) intitulada Faust, sobre o poema dramático de Goethe o qual nos remete para os grandes arquétipos cultural ocidental.  Foi ainda atribuída uma menção especial ao pavilhão do Brasil, com uma instalação de instalações de Cinthia Marcelle (B, 1975) plena de conteúdos sobre situações de crises, de Brasil, de naufrágios, de pedras entre gradeamentos, vídeos, têxteis, cordames e uma cor preta acastanhada global inserida em cubo branco.
Como melhores participações individuais na exposição Viva Arte Viva da responsabilidade curatorial de Catherine Macel, foram designados Franz ErhardWalther (G, 1939) com um leão de ouro e Hassan Khan  (UK, 1975,) com um leão de prata.
Franz ErhardWalther apresenta Wall Formation “Toward Rotation”, uma pintura textil disponível para diversas interactividades fomentadoras de relações humanas. Por outro lado Hassan Khan foi premiado pela sua Composition for a Public Park, uma composição musical emitida em permanência por uma dezenas de alto-falantes espalhados num jardim, visualmente muito simplificada e auditivamente rica e enigmática.
Ambos exigem tempo e permanência.
Nestas estas obras a parte contemplativa e voyeurista com que geralmente se confronta o visitante, está perfeitamente secundarizada. Pede-se mais. Pede-se que ele participe, que ele interaja, que ele construa a obra, mesmo quando está  no jardim, deitado sobre a relva e sob o som do concerto composto por Hassan Rhan, preenchido com interrogações sobre a arte e a vida, o mundo e a humanidade.
Dois outros artistas foram distinguidos com menções especiais. Uma menção para CharlesAtlas (USA, 1949) premiando as vídeo-performances intituladas A Tirania da Consciência e Lady Bunny que abordam questões sobre austeridade, frustração e sexualidade. E uma outra menção para Petrit Halilaj (K, 1986) com uma, pintura textil informal intitulada Do you realise there is a rainbow even if it’s night!? onde cor-textura, flexibilidade, afeto e proteção conciliam corpos com natureza, e propiciam experiência viva à simples matéria das coisas. Está-se perante a linha autônoma das matérias têxteis como desenho de redes e escritas poéticas sobre a natureza e as formas dos mundos.
Muito mais há para se ver e pensar nesta grande exposição, onde  estão presentes o desenho, a pintura textil, a performance, a instalação ou o vídeo requerendo constantemente ao visitante que deixe de ser espectador, uma entidade passiva e de vez em vez crítica e passe a ser uma entidade positiva, construtiva através da partilha, da interação, da participação e vivência. Privilegia-se sobretudo a prática artística e o debate como momentos e centros promotores de  pretextos, de processos e de pesquisas.




Anne Omhof, Faust, 2017.








Cinthia Marcelle, Chão de Caça, 2017.  Floresta de Sinais, 2017.  Cobra Patuá, 2017.   Nau ( coma colaboração de Tiago Mata Machado), 2017.








Franz Erhard Walther, Wall Formation “Toward Rotation”, 1989






Hassan Khan, Composition for a Public Park, 2017






Charles Atlas, 2017.








Petrit Halilaj, Do you realise there is a rainbow even if it’s night!?, 2017.


Ilídio Salteiro, Veneza, 26 de maio de 2017.