30/03/2008

Painting for cash



THE CONFESSIONS OF A MARKETABLE ARTIST
BY PENELOPE

«Hi. My name is Penelope. I'm an artist.
When I was in art school, I had such romantic notions about art that I never even imagined being able to make a living at it. But I’ve been lucky: I’ve had solo shows in galleries around the country, have received a number of commissions and have even on occasions been given money for work before I started painting it. The pay is decent and the hours are amazing.

There is one catch: I paint pictures that people use to decorate their homes – decor art. Some of them are actually beautiful, though, in their own way.

Right after I graduated from art school 13 years ago, I came across a classified ad in the local paper for an artist’s assistant. I bought one of those huge fake-leather portfolios, filled it with my best drawing and printmaking work, and took the bus to a dirty old warehouse on the other side of town. My interview consisted of a thin, peasant man holding up one painting after another, asking, Can you paint like this? The whole thing was pretty much a formality, as all new artists were given a two-week trial period. You were hired only if you could learn fast and prove your talent.

...»
Penelope, «Paintings for cash, the confessions of a marketable artist», in Esopus, nº 8, 2007, pp. 58-65.

29/03/2008

Modelar a matéria e fazer Pintura

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Quem diz que a Pintura não pode ser feita para nós próprios? Há momentos…
Uma Horta:
Cebolas, alfaces, couves, cenouras, tomates, salsa, coentros, basílico, pepinos, pimentos e melões.
Sobre a terra.
300 cm x 600 cm
(Pequena e intima homenagem à obra que Alberto Burri tem na Sicília: Gibellini.)
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28/03/2008

mais on peut cumuler…

«Paul McCarthy – Head shop / Shop Head (1996-2006
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SMAK, Gand
Exposição encerrada no dia 17 de Fevereiro de 2008
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«En arrivant dans le parc boisé où se trouve le SMAK (Stedelijk Museum Actuele Kunst), on peut hésiter un instant, le musée d’Art ancien se situant en face: McCarthy ou Jérôme Bosh? Histoire de se choisir une Apocalypse, mais on peut cumuler»(Pierre Sterckx, «Paul McCarthy hisse le pavillon noir» in Beaux Arts Magazine, nº 238, Fevereiro de 2008, p. 53.
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26/03/2008

CONVERSA DE CORREDOR - Parte III

(Continuação do publicado em 14 de Março de 2008)
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A fuga foi a maledicência incutida depois deste breve diálogo de circunstância: a Pintura como uma coisa universal e habitualmente inquestionável e os Pintores divididos entre bons e maus por critérios incógnitos, enquadrados por uma estranha geografia que recusa admitir o geocentrismo contemporâneo continuando a dividir o indivisível segundo modos de pensar regionais, nacionais ou internacionais.
Esta maledicência não pode ser vista como uma coisa negativa porque ela é um exercício de exaltação do sistema nervoso que desvenda sensibilidades que importam registar.
Estou farto de modernismos, sejam eles pós ou pré, disse, a Pintura sofre de falta de regras e padece da sujeição ao Império do Efémero.
A tratadística contemporânea está alicerçada em meia dúzia de magazines de publicidade mensal,
acrescentei com a certeza de não ter sido entendido na globalidade da informação que as poucas palavras, que acabava de pronunciar, continham.
Mas, como previ, o meu interlocutor pouco se importou. Fingiu perceber! Ele estava muito inquieto com a fragilidade formativa do recurso à importação de modismos, com os seus receituários conceptualmente já explanados. Propunha a urgência de se estabelecerem regras.
Que regras? Perguntei. A Pintura tem regras, mas a Arte que todos queremos em que ela se transforme, tem? Esta interrogação substituindo uma afirmação foi causada pela realidade de estar numa posição hierarquicamente inferior na pirâmide desta Academia.
A resposta compôs-se em redor de um academismo metodologicamente oitocentista, mas foi muito envolvida por criticas a modernismos e a vanguardas, e aos modismos periodicamente renovados no inicio de cada uma das quatro estações.
Eu entretanto pensava que nos imensos corredores desta Academia fazem falta sobretudo interrogações observando o que aqui se ensina e como se ensina.
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(Continua no dia 26 de Maio de 2008).
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25/03/2008

Aquém e Além do Cérebro

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7º Simpósio da Fundação Bial
Aquém e Além do Cérebro
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Casa do Médico - Porto - 26 a 29 de Março de 2008
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20/03/2008

Manuel Botelho na Lisboa 20 Arte Contemporânea

MANUEL BOTELHO
CONFIDENCIAL/DESCLASSIFICADO III:
Emboscada
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Manuel Botelho na Lisboa20 Arte Contemporânea
Rua Tenente Ferreira Durão nº18-b, em Lisboa, entre 7 de Março e 13 de Abril de 2008

Texto que acompanha a exposição:
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CONFIDENCIAL/DESCLASSIFICADO III: emboscada insere-se num conjunto articulado de três exposições nas quais Manuel Botelho apresenta trabalhos em suporte fotográfico realizados ao longo dos últimos 18 meses.
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Prolongando a temática de obras anteriores, das colagens de juventude às pinturas e desenhos do passado recente (Lisboa 20, 2006; etc.), o conflito armado surge uma vez mais como pano de fundo.
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Ao contrário de muitos dos seus contemporâneos, Botelho não combateu em África; apesar disso (ou talvez por isso!), é daí que parte para falar de questões que ultrapassam esse contexto específico. "Assim, trata-se de registar elementos de uma guerra concreta (a guerra colonial) para falar dessa guerra concreta falando também de todas as outras guerras e ainda da guerra como realidade abstracta; trata-se de representar um papel de soldado-símbolo-de-todos-os-soldados para auto-representar o papel de artista em guerra (crise e abismo) consigo mesmo"(1).
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CONFIDENCIAL/DESCLASSIFICADO III: emboscada será talvez a série que mais directamente se relaciona com trabalhos de Botelho dos últimos anos (Museu Nacional de Arte Antiga, 2000; Centro de Arte Moderna, F. C. Gulbenkian, 2005; etc.). "Ao passar do papel de desenho ou da tela quase branca, onde a pintura era quase desenho, para o papel fotográfico verificamos, primeiro, uma mudança de imagens, motivada pela mudança de media, mas a manutenção dos temas e soluções de composição que cruzavam a memória da pintura religiosa com a tradição da fotografia de reportagem política ou de guerra. Emboscada é uma galeria de imagens que podemos referir ao género da auto-representação já longamente encontrada na obra pictórica e desenhística do autor.
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No seu passado recente ele recorreu quer à representação pré-moderna nas artes plásticas (clássica e barroca) quer à representação fotográfica como fonte inspiradora de temas, poses, encenações, adereços... Nessas imagens já o encontramos travestido de soldado e de amotinado, personagem sagrada e marginal, já o vimos assumir todos os sexos e idades, contracenar com outro e consigo mesmo. Esta etapa do seu trabalho fotográfico surge como evolução natural dessa tradição pessoal"(2).
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CONFIDENCIAL/DESCLASSIFICADO II: ração de combate (Fundação EDP, 22 de Abril a 15 de Junho de 2008) pode de modo muito genérico relacionar-se com a tradicional natureza-morta. Inspirado nas desventuras dos militares das unidades de quadrícula (e não só), fala-se de uma guerra de pé descalço, jogos de cartas, álcool, sexo, morte... "desenvolvendo um paroxismo emotivo e histriónico mas sendo conduzidos a uma bidimensionalidade que quase os abstractiza" (3).
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"Num registo neutro e paradoxalmente ainda mais interventivo, mais violento e denunciador de violência do que as restantes séries"(4), CONFIDENCIAL/DESCLASSIFICADO l: inventário (Museu de Arte Contemporânea de Elvas, 15 de Março a 6 de Julho de 2008), a primeira peça deste puzzle, é quase isso mesmo: um inventário, extenso mas imperfeito, de armas utilizadas ou apreendidas pelas forças armadas portuguesas durante o conflito.

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(1) João Pinharanda, "Lisboa: o teatro da guerra", 2008. Não publicado.
(2) Idem.
(3) Idem.
(4) Idem.

19/03/2008

16/03/2008

Matéria

Matière

«Tous les tableaux montrés ici sont symétriques. Leur couleur est monochrome. Leur forme est monotone. Le traitement de la surface est subjectif et complète l’objectivité des formes.
La peau sensuelle, la matière du graphite, sont soutenues par une géométrie aussi simple qu’une colonne vertébrale. Le relief est obtenu par un collage sur toile. La lumière, s’accrochant, introduit le jeu du hasard.
Il y a quinze ans, j’aurais volontiers expliqué le sens de mon œuvre, sa fonction, son but. Je savais exactement ce que je faisais et pourquoi.
Elevé dans l’esprit du Bauhaus, je croyais que l’art devait améliorer la qualité de la vie, des meubles et des immeubles. Je voyais l’art comme un moyen de reformer la société. Aujourd’hui, j’ai radicalement tourné le dos à l’idéalisme qui a dominé une partie de ma vie. Je produis une réalité visuelle dont l’image se révèle par rapport au paysage culturel dans lequel je suis inscrit.
Le sens vient autant par ce que je montre que par ce que je refuse. L’art ne peut pas être le domestique d’une morale sans mettre en question la recherche de l’inconnu. Le langage muet et matérialiste de ma peinture est avant tout un électrocardiogramme de mon existence.»
1975.
Gottfried Honegger, Homo Scriptor, Les Presses du réel, 2004, p. 20.
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15/03/2008

Lab. Cult


O Labcult, do professor escultor Carlos Amado, é um espaço para muitos amigos, muitas ideias e projectos. Hoje, dia 15 de Março pelas 21 horas, haverá mais um encontro, desta vez em redor das "Fantásticas Borboletas de Olga Prats."

14/03/2008

Conversa de corredor - Parte II

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I, Salt, fot dig., 15 cm x 20 cm, 2004


(Continuação do dia 10 de Março de 2008)

Depois dos cumprimentos habituais iniciamos uma conversa:
Sabes qual é a diferença entre o Mercado da Arte e a Arte ?
É a diferença entre o viver-se da Arte e viver-se para a Arte!
Depois de uma breve pausa, aproveitada por mim para coçar a cabeça e ele para se assoar de uma constipação em declínio, perguntou:
Dizem que existem Bons Pintores!
Serão os misericordiosos!?
Observando alguma concordância na sua expressão facial, acrescentei:
Também se consta que existe uma Boa Pintura!
Será aquela que tem uma camada pictórica em bom estado?
A aplicação do verniz é fundamental, comentou.
Sem dúvida que estávamos de acordo em muitos pontos. Estas primeiras palavras eram apenas o prelúdio de um concerto mais longo antes da fuga.

(Continua no dia 26 de Março de 2008)

13/03/2008

Manuel Gantes expõe na Galeria da Miguel Bombarda


Lugar

Manuel Gantes, Lugar 4, óleo sobre tela, 108 cm x 103 cm, 2008



Manuel Gantes expõe na Galeria da Miguel Bombarda, na rua do mesmo nome na cidade do Porto, desde o dia 1 de Março até 15 Abril de 2008.
Óleos sobre telas de grandes dimensões, com proporções muito próximas do quadrado.
Podem ser intensas as sugestões e muitos os modos de ver!
A sua obra tocou-nos porque sublinha a Pintura...
Vistas aéreas de espaços que sugerem lugares que, estranhamente, já conhecemos. Estranhamente porque nos remetem para meios de comunicação do tempo presente, para a globalização, para os consumos em massa, para os comportamentos sócio culturais condicionados por percursos pré-estabelecidos, para as omnipresenças misteriosas, para uma ordem desconhecida e para uma insegurança imprevisível.
Obriga-nos a perguntar onde estamos! Numa visão premonitória do futuro ou numa passagem por um presente próximo?
Na presença destas construções estamos entre o lugar que vemos e o lugar de onde o vemos. Poderia ser uma paisagem renascentista recortada do contexto em que normalmente estaria inserida. Mas neste caso a visão analítica e humana de Quinhentos, deu lugar a uma natureza artificial, quase desumanizada e ameaçadora do nosso tempo.
Esta ambiguidade, em que se coloca o observador, fortalece e enriquece a consistência da Pintura.
Trata-se de uma visão que desconstrói os mitos que comandam o espaço que vivemos, porque na sua composição final está explicito que a grandeza do grande é igual à pequenez do pequeno.
O toque que sugere, a cor que ilumina, a linha que direcciona e o ponto que assinala e movimenta são elementos colocados ao serviço dos estímulos e dos discursos possíveis que constituem a matéria conclusiva na Pintura. E isto aprende-se na obra de Manuel Gantes.

12/03/2008

10/03/2008

Conversa de corredor - Parte I

Ilídio Salteiro, Ao fundo do corredor, 50 cm x 80 cm, 1995.
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Conversas que acontecem nos corredores são um costume muito habitual. Talvez porque as paredes não têm ouvidos e a cumplicidade da comunicação pode processar-se mais directamente sem interferências de assembleias estranhas.
Nos corredores podemos facilmente expandir as nossas energias e pensamentos, com diálogos mais intimistas.
Acreditamos que as cumplicidades desses momentos não têm forçosamente de ser conspirativas.
Foi assim que encontrei um interlocutor nos corredores fundos e centenários das Academias de São Lucas num dia inquieto de Janeiro de 2008, ambos rodeados pelo peso da matéria pensada e produzida no âmbito da arte contemporânea a retratar-se a si própria.
A energia exposta nesse encontro caracterizou-se pelo mal-dizer. Mas claro que nesse universo de mal-dizer tanto eu como ele próprio ficámos de fora!
(Continua no dia 14 de março de2008)

08/03/2008

Estendal de mitologias e braços de sabão

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Manuela Pacheco, fotografia e instalação, 2008


"Objecto" (estendal e humanização do inanimado) integrado numa janela emparedada no Bairro da Bica, em Lisboa.
O trabalho criativo resulta das metodologias processuais que cada um desvenda. A crença nas "musas" não é a solução do acto criativo. A partilha e a dádiva são os dois objectivos finais.

07/03/2008

O pintor APATÚRIO, a PINTURA, os habitantes de ALABANDA, e LICÍNIO o matemático

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UMA HISTÓRIA SIGNIFICATIVA (para quando a ler, pensar)

5. Conta-se que em Trales (cidade da Ásia Menor) tendo Apatúrio de Alabanda (Apatureus Alabandeus: Apatúrio de Alabanda, pintor natural de Alabanda, cidade da Caria, Ásia menor) realizado com mão elegante um cenário num pequeno teatro, que entre eles se chamava ecclesiasterion (lugar de reunião da assembleia do povo), ali fizeram colunas, estátuas e centauros sustentando epistílios, coberturas circulares de rotundas, ângulos salientes de frontões e cornijas ornadas com cabeças leoninas, que têm a sua razão de ser no escoamento das águas vindas das coberturas, e para além de tudo e em cima disto, nada menos do que um remate de cena (remate de cena, parte superior da scaenae frons, épiscénio), no qual havia também rotundas, pronaus, frontões interrompidos e todo o ornamento de uma cobertura com variedade de pinturas. Como o aspecto deste cenário, por causa do seu realce, encantasse o olhar de todos, e já estivessem preparados para aprovar esta obra, eis que o matemático Licínio (Licymnius mathematicus: Licínio, matemático de que não se conhecem outras referências) se apresentou e disse
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6. ter os habitantes de Alabanda como bastantes há beis para todas as questões públicas, mas, devido a uma pequena falha no domínio da conveniência, eles seriam julgados insensatos, porque todas as estátuas que estavam no seu ginásio (Gymnasium: lugar onde, na Grécia, se exercitavam os atletas) eram de defensores de causas e as que estavam no foro ou eram de lançadores de disco ou de corredores ou de jogadores de péla. Assim, a posição inconveniente das imagens em relação às características dos lugares trouxe publicamente à cidade uma mancha na sua reputação. «Cuidemos que agora, através das pinturas, este cenário não faça de nós cidadãos de Alabanda ou de Abdera ( Abderitae: Abderitanos, naturais de Abdera, cidade da Trácia, cujos habitantes eram considerados de pouco juízo). Quem entre vós, na verdade, pode ter, sobre os tectos, casas, colunas ou séries de frontões? Com efeito, estes põem-se sobre os madeiramentos e não sobre as coberturas dos telhados. Se, pois, aceitarmos que aquelas coisas que não podem, na realidade, ter lógica factual, surjam nas pinturas, fazemos parte daquelas cidades que, por causa destes erros, são consideradas insensatas».
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7. Perante isto, Apatúrio não ousou ripostar e retirou o cenário para o qual, feitas as correcções, obteve a aprovação, depois de o ter alterado segundo uma lógica de verdade. Quem dera que os deuses imortais fizessem com que Licínio ressuscitasse e corrigisse esta loucura e os erros instaurados nas pinturas dos revestimentos. Mas não virá a despropósito mostrar como uma argumentação falsa pode sobrepor-se à verdade. Aquilo que os Antigos procuravam realizar através das artes, não se poupando nem no trabalho nem no esforço, isso se consegue hoje através das cores e do seu aspecto elegante, e se outrora a subtileza do artista trazia prestigio às obras, agora a despesa do cliente (Dominicius do cliente, do encomendador, do proprietário, dominus) é tanta que faz com que não se deseje melhor.
Vitrúvio, Tratado de arquitectura, Livro VIII Capitulo V, 5-7, tradução do latim por M. Justino Maciel, Lisboa, IST Press, 2006, pp.273, 274.

04/03/2008

Patrick Mimran

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Art doesn't have to be ugly to look clever
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I.Salt. 2005
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O Pedro Saraiva está a expor na Módulo

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Sobre o ensino artístico é trivial dizer-se que aprendemos com os professores e com os colegas da nossa geração. O Pedro foi o colega que suportou, durante muitos anos em fins-de-semana contínuos, conversas à volta dos meus desenhos, pinturas e ideias que incansavelmente eu acarretava até ao seu atelier em pastas improvisadas. Foram momentos de grande produtividade e criatividade, num saudável ambiente de partilhas que se prolongavam pela noite dentro. Obrigado Pedro!

Neste momento, e em presença de mais uma deslumbrante exposição de Pedro Saraiva intitulada Gabinete > Codina só sou capaz de manifestar o meu enorme respeito por toda a sua obra e pela coerência de todo o seu processo criativo.

Discreto e simples, mas eficaz na técnica e na comunicação.

03/03/2008

Modos de ver de ver de perto


Olhar de Perto é o título de uma exposição no Museu Nacional de Arte Antiga que nos mostra um conjunto de painéis que foram uma parte integrante do retábulo-mor da Sé de Évora. Trata-se de pintura flamenga dos inícios do século XVI, que será possivelmente a segunda solução retabular encontrada para aquele espaço de fundação medieval. Nas obras ocorridas no século XVIII o retábulo foi destruído, apenas tendo sido salvaguardadas treze pinturas sobre a Vida da Virgem e seis pinturas representando Cenas da Paixão de Cristo. Estas poderiam fazer parte da predela ou, segundo outras hipóteses, constituírem-se como um retábulo autónomo.
Este conjunto de pinturas passou por inúmeras vicissitudes ao longo destes anos.
A presente exposição, para além de nos mostrar aquelas obras, mostra-nos também a investigação e a metodologia do restauro realizado no Instituto de Conservação e Restauro desde 2004 até à presente data.
Este acontecimento, temporário no MNAA (até 20 de Abril de 2008), pode ser fruído com vários modos de ver.
O primeiro será podermos Olhar de Perto uma verdade pictórica que apenas poderia ser vista de longe e durante poucos dias quando se encontrava no local de origem.
O segundo será compreendermos o modo criterioso com que pode ser feito um restauro.
O terceiro possibilita o confronto da dimensão do espaço sagrado cristão, para onde os painéis foram criados (Sé de Évora), com a dimensão do espaço sagrado museológico, ecuménico e multicultural no qual se encontram agora.
E um quarto modo de ver poderá focar-se nas tentativas de reconstituição do retábulo original, pensado apenas a partir do conteúdo de cada um dos rectângulos / pinturas e não nas estruturas retabulares que as envolveriam.
Destas quatro preocupações do nosso tempo, a patrimonial, a científica, a ritual, e a interveniente, esta última, socorrendo-se de composições fotográficas e maquetas para especular sobre a possível reconstituição do retábulo original, é o único momento que não reflecte um pensamento contemporâneo.