30/04/2009

53.º Bienal de Veneza


53.º Bienal de Arte. Exposição Internacional de Arte
Fazer Mundos.

19/04/2009

Os museus

Hoje os mentores e construtores de museus acotovelam-se nos orgãos dos poderes para assinarem um projecto de museu, seja este do que for (ler post).
Estes espaços servem para receberem e guardarem as riquezas colectivas produzidas e adquiridas por qualquer núcleo urbano, e perpétuam memórias.
Por isso os museus são ex-libris.
Os seus conteúdos promovem o conhecimento e o desenvolvimento através de exposições, festas, espectáculos etc.
A liturgia que se verifica nestes espaços é semelhante à liturgia dos espaços religiosos por causa da exigência colocada no ver, no ouvir e no interagir, na percepção e na contemplação, no usufruir, no dialogar e no partilhar.
Por dentro os museus são como as catedrais góticas na época medieval, por fora são côdea.

17/04/2009

O todo é o todo e não apenas a parte

Caro Varatojo
Muito obrigado pelas simpáticas palavras sobre o meu blog.
A produção artística na área da Pintura tem sido desde sempre, para mim, um espaço de actuação. Como produtor, como professor, como interveniente, como observador (sem estatuto de critico).
Tento perceber a necessidade incontornável de fazer arte seja ela de que formato for, tanto em mim como nos outros.
Vi o seu blog com atenção (ver) e também lhe retribuo os parabéns. Transparece claramente um amor pela arte e uma qualidade expressiva bastante forte na representação de gestos comuns entre todos nós. Verifico também uma grande actividade expositiva. Isso é muito bom. É mesmo o essencial, porque esta tarefa é um trabalho em desenvolvimento continuado permanentemente. Nunca acaba! Continuará mesmo depois de nós. Força para isso!
Não veja nestas palavras uma linguagem de crítico, porque não o sou nem o desejo ser. Eu desejo sobretudo estimular o lado produtivo e não fazer selecções com a pretensão de seriar verdades. Toda a produção é um contributo positivo para o bem comum enquanto a selecção implica uma negação.
O todo é o todo e não apenas a parte.
É por causa desta politica selectiva, na qual nunca ninguém será unânime e suficientemente bom, que não temos um museu de arte contemporânea.
Ilídio Salteiro (2009)

16/04/2009

Poder

Elmgreen & Gragset, Powerless struture, Museum of contemporary art, 2002

14/04/2009

Autonomia do modelo

Cindy Sherman, Untitled #470, colour photograph, 227.3 cm x 158.8 cm, 2008.

...«To create her photographs, Sherman shoots alone in her studio, assuming multiple roles as author, director, make-up artist, hairstylist, wardrobe mistress, and of course, model. The idea and experience of getting dressed up and putting on a show is central to Sherman’s practice, yet Sherman is also careful to closely manage the detail of each performance. Every bulge of flesh, strand of hair, rouged cheek or wrinkled brow is deliberately orchestrated to construct a vividly real yet curiously inscrutable character. The tension between pathos and alienation which Sherman’s figures evoke in the viewer are heightened by the contexts in which they appear, always obviously staged and cleverly apposite. Her creations are photographed in front of a green screen, and then digitally inserted onto backgrounds which are shot and manipulated separately, scenarios which elaborate and complicate the narrative constructed by Sherman’s garb and gaze»... Sprüth Magers London, CINDY SHERMAN, 16 April - 27 May 2009.

12/04/2009

Museu?

I. Salteiro, óleo sobre tela e madeira, 65 cm x 55 cm, 2007.
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Não tenho dúvida nenhuma de que uma sala de chá pode ser um museu.
E que tudo pode ser um museu.
E que um bric-à-brac de luxo também o pode ser.
Diz-se que a arte é objecto de luxo e que o museu é o lugar da arte.
Então luxo será museu.
Fim!.
Mas o museu não é assunto inquestionável.
Não basta existir museu!
O museu, sendo côdea e miolo, é sobretudo um bem essencial.
Porquê?
É preciso saber o que é o museu e que museu se quer!

09/04/2009

Bérrio

I. Salteiro, Bérrio ou atrás de uma vaga existe um oceano (ler post neste blog em 11/5/2008), impressão digital, 200 cm x 200 cm, 1999.

[Bérrio foi o nome da embarcação que primeiro chegou a Lisboa com a notícia da descoberta do caminho marítimo para a Índia]

03/04/2009

A tarefa da Pintura

Foi árdua a tarefa que me incumbiram.
Não sei como nem porquê.
Talvez que uma historia, num determinado dia e momento (Novembro de 1972), protagonizada pelo Mestre Lagoa, por Giotto, por Almada e por Pessoa tenha construído um tetragrama motivador (
ler mais sobre esta história).
Em 1965, já tinha encarnado Pessoa declamando «O Mostrengo» (1918) perante uma vasta assembleia, muito benevolente, não sei se traumatizada pelo meu dizer. Esta performance foi largamente imbuída pelo espírito de despedida familar ocorrida um pouco antes na gare Marítima de Conde de Óbidos
A tarefa que me estava destinada foi a tarefa da Pintura nas suas múltiplas vertentes:
investigar, experimentar, fazer, divulgar e ensinar.
Que me desculpem aqueles a quem ensino porque nunca estarei à altura do Assunto.

02/04/2009

A Pintura e os anjos

Sam-Taylor Wood, 2007




Há muitos, muitos anos, numa noite de intensa trovoada a minha avó justificava perante mim:
- São os anjinhos que estão a arrumar a casa.
Acalmei!
De imediato imaginei os anjinhos a arrastarem os móveis e, nos intervalos silenciosos da noite, conseguia vê-los a argumentarem uns perante os outros quais os melhores lugares para cada um dos móveis.
Sem duvidar da certeza da justificação muitas dúvidas surgiam diante de mim enquanto lá fora chovia copiosamente.
Os anjos teriam comprado móveis novos ou seria apenas uma mudança de local dos mesmos?
Será que colocam Pintura nas paredes?
E que tipo de Pintura?
Teria sido feita na terra, no céu ou em que lugar?
Será que a sua casa não tem paredes?
Fará sentido a casa dos anjos ter parede?
Que mundos se descobrirão nessa Pintura? O nosso mundo, o mundo dos anjos ou o mundo dos deuses?
Apenas me era difícil imaginar que os anjos existissem sem Pintura, porque foi esta que os gerou.
Ou será simplesmente que aquela trovoada não resultava da arrumação da casa dos anjos?
Prefiro pensar que sim, embora não saiba exactamente o valor deste sim.

01/04/2009

De que falamos quando falamos de Pintura

De que falamos quando falamos de pintura?
Este é o título da parte conclusiva de uma obra de Isabel Sabino (A Pintura Depois da Pintura, Lisboa, Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, Biblioteca d’Artes, 2000, pp. 227-230) cuja leitura, consulta ou estudo recomendo vivamente na sua totalidade.
Para responder aquela pergunta são formuladas duas hipóteses: «a pintura é apenas aquilo que só pode ser pintura» e «a pintura é o que diz respeito à pintura». Se com a primeira estamos na presença da Pintura remetida para o essencial de si própria, na segunda estamos no âmbito dos mundos que a Pintura experimenta.
A Pintura tem a idade do Homem e só findará quando ele.
Sobre ela é necessário que não hajam preconceitos, nem que se confundam os seus fundamentos com as tecnologias.
Os fundamentos da Pintura são um modo de pensar e de fazer, do mesmo modo que qualquer outro ramo do conhecimento.
As tecnologias correspondem aos lugares, aos tempos e ao conhecimento e estão ao nosso dispor sempre renovadas.
A Pintura, como toda a Arte, consegue frequentemente anteceder a Ciência por via da sua atitude interrogativa e experimental com práticas laboratoriais diárias. A fotografia e a física quântica são dois exemplos da capacidade de antecedência dessa lógica laboratorial cujo método, por se basear na amostragem da experiência e não na sua comprovação, não é reconhecido como científico.
Na actividade artística prevalece a imagem da obra concluída mas, para os produtores, esta é apenas a síntese de uma longa investigação vivida no espaço mágico onde os seus inventos nascem. Este espaço de magia e de invenções, por preconceitos românticos, tem sido entendido e arredado para o universo das emoções e das sensibilidade expressivas, não sendo visto como local de investigação cientifica.
No entanto por outro lado a Pintura tem-se servido da ciência para prosseguir na construção do seu devir como é o caso, e só para anotar tempos mais próximos, da tecnologia do acrílico, depois dos anos 50 e das tecnologias digitais, nas últimas duas décadas.