19/07/2016

Rocha de Sousa - A Casa Revisitada - anos 70's


A CASA REVISITADA

A CASA REVISITADA, filme rodado em Super 8 por Rocha de Sousa, baseia-se em alguns sinais de fundo do seu livro de título homónimo, romance que aborda o regresso de um personagem fundador à sua cidade de origem, juntando a memória da velha casa à da velha mãe, entre um amor suspenso — trajecto sobre a ternura, o tempo e a morte, numa magoada meditação sobre o modo de viver, a relação do homem com o seu meio e os desastres do seu tempo.
O filme aglutina tudo isso na figura da mãe, na solidão que lhe resta perante um contexto arruinado pelos anos, gestos que parecem revisitar em pleno quotidiano, a casa protectora, os sinais da sua antiguidade, memória e vida, espera, uma forma de ser.
_____________________________________

THE REVISITED HOUSE

THE REVISITED HOUSE, Super 8 film shot by Rocha de Sousa, is based on some background signals of his book with the same title, a novel that deals with the return of a character to its city of origin, adding the memory of the old house to the memory of his old mother, between a suspended love - on the route over tenderness, time and death, in a painfull meditation about the way to live, man's relationship with its environment and the disasters of his time.
The film brings all together in the mother figure in the solitude she has left before a context ruined by the years, gestures that seem to revisit, in full-everyday, the protecting home, the signs of its antiquity, memory and life, wait, a way to be.

20/05/2016

Ilídio Salteiro, 1998


Ilídio Salteiro, Entrada na montanha, 1998. Óleo sobre tela, 100x100cm.
Pianississimo, Escola de Música do Conservatório Nacional, 25 de Junho a 9 de Jullho 2016 

18/05/2016

Ilídio Salteiro, 1993


Ilídio Salteiro, Fábrica, 1993. Óleo sobre tela, 100x81cm
Pianississimo, Escola de Música do Conservatório Nacional, 25 de Junho a 9 de Jullho 2016

17/05/2016

Ilídio Salteiro, 1992


Ilídio Salteiro, Casa sobre mesa, 1992. Óleo sobre tela, 127x101cm
Pianississimo, Escola de Música do Conservatório Nacional, 25 de Junho a 9 de Jullho 2016

16/05/2016

Dora Iva-Rita, 1994


Dora Iva Rita, Arautos, 1994. Óleo sobre tela, 61x161cm
Pianississimo, Escola de Música do Conservatório Nacional, 25 de Junho a 9 de Jullho 2016

15/05/2016

Dora Iva-Rita, 1994

Dora Iva Rita, Pedro e Inês I e II, 1994. Óleo sobre tela, 161x61cm.
Pianississimo, Escola de Música do Conservatório Nacional, 25 de Junho a 9 de Jullho 2016





14/05/2016

PIANISSÍSSIMO 25 junho 16 horas

Carlos Farinha
Dora Iva Rita
Eduardo Nunes
Gilberto Gaspar
Ilidio Salteiro
João Mateus
José Mouga
Luis Herberto
Maria Capelo
Nélia Caixinha
Sónia Queimado Lima
Teresa Castanheira
Vitor Casimiro

16/04/2016

RAUL PEREZ - Fragmentos


“FRAGMENTOS” pintura e desenho de RAUL PEREZ

A fundação Dom Luís I, em Cascais, abriu-nos as portas no dia 24 de Fevereiro para a exposição “fragmentos” pintura e desenho de Raul Perez.
Num primeiro olhar sobre as obras expostas, evidenciam-se varias secções; Tinta da china sobre papel; gravura; óleo sobre tela. Todas elas com formatos e molduras diferentes. No percorrer do espaço, sente-se uma melancolia nas obras como uma estranha sensação de de um sonho rematado por traços finos que constroem espaços arquitectónicos que transfiguram as naturezas mortas sugerindo uma narração difícil de desvendar. Só mais tarde numa conversa com Raul Perez é que se confirma a misticidade das obras quando o próprio principia a discussão sobre as obras com a pergunta: “que tipo de pintura acabaram de ver?”
A conversa que se seguiu foi a resposta à questão anteriormente feita. O artista revela que as suas obras são instrumentos do seu inconsciente, pois, são manipulações de tinta que se traçam segundo um preenchimento mecânico. Isto é, o artista está fora de si, quando pinta, é um ato puramente irracional. “A razão engendra monstros” cita Goya aprofundando a sua postura inconsciente perante as obras. Tudo o que pinta são sonhos que não são sonhados. Revela talvez uma obsessão em materializar o que não controla, intitula-se como o “caçador dos seus próprios sonhos”. Remata assim, a importância do dualismo pessoal (o que temos exteriormente e interiormente).
O artista termina sugerindo o abandono da razão perante a pintura, para que, a criação artística seja imune a todas as definições que nos são provocadas pelo tempo. Como um verdadeiro sonho não sonhado que é sempre livre.

Mariana Scarpa, Lisboa, 2016

04/04/2016

MIGUEL PROENÇA - Terra Cinza, Tomada de Consciência,

Terra Cinza, Tomada de Consciência
até 22 de Abril de 2016 na Biblioteca Municipal Álvaro de Campos
Tavira


Aconselha-se!
Assinala-se!
Avisa-se!
Destaca-se!
Indica-se!
Informa-se!
Lembra-se!
Recomenda-se!
Recorda-se!
Sugere-se!
[Ilídio Salteiro, 2016]

22/03/2016

LUÍS HERBERTO - As Brincadeiras de Alex

AS BRINCADEIRAS DE ALEX...
Espaço Cultural das Mercês, Lisboa

[7 a 27 de Abril 2016]

Alex, 2011/ 16. Óleo sobre tela, 130 x 130 cm 

Quem é Alex?

Afinal eram quatro horas da tarde e ainda não tinha visto nada. A exposição que pensei visitar, na Fundação Calouste Gulbenkian, naquele domingo à tarde, deixou-me suspenso à porta, apenas porque não consegui cumprir o que me propuseram: comprar um bilhete a troco de 30 minutos em fila de espera e alguns momentos de fruição da Colecção de Wentworth Fitzwilliam. Tratando-se de uma coisa normal que já fiz centenas de vezes, esta brilhante exposição não se encontrava no âmbito das minhas necessidades. Reconheço indiscutivelmente o seu valor como património artístico e cultural, mas fiquei inquieto quando pensei na imensidão de gente que se encontrava a produzir patrimónios artísticos e culturais naquele mesmo instante, embora noutros locais e com outros meios. Em consequência desta sensação e para preencher devidamente esse fim de domingo, optei por telefonar a um amigo e perguntar-lhe se ele estava no ateliê.
E fui até lá.
Luís Herberto estava a trabalhar telas de médias e grandes dimensões, entre tubos de tinta, óleos, médiuns e pincéis, organizando figurações, retratos e narrativas, arquitetando espaços, registando gestualidades testemunhas de emoções, deixando perceber uma tonalidade média de cor, embora com grandes contrastes, tudo imbuído de referências e citações culturais, umas relativamente explicitas ao género Shunga (Imagens da Primavera) e a Katsushika Hokusai, outras ao expressionismo figurativo de tradição ocidental.
Naquele espaço encontravam-se obras esboçados, outras em plena execução e ainda outras em fase de reflexão mas suscetíveis de serem transformadas. Estava no seio de efervescências criativas, ciente do privilégio de estar desse modo em sintonia com o meu tempo. Tudo isto mereceria um agradecimento por nos ser possível entrar num universo onde a arte se equaciona e faz. E tudo isto deve ser entendido como um grande sentido de responsabilidade porque tudo aquilo que dissermos e conversarmos, naquele contexto, pode interferir no processo, porque temos consciência que, mesmo sem o querermos, como quaisquer outros, somos agentes que podemos acionar ou desencadear outras soluções estéticas. Quais? Só o artista saberá, só ao artista competirá.
Alex é a estrutura do pensamento que desencadeou a produção artística de Luís Herberto nos últimos meses. O título «As brincadeiras de Alex», constitui o enredo de uma narrativa subjacente e subliminar em cada obra. Na visão panorâmica do seu ateliê, com obras encostadas umas sobre as outras, expostas na parede, nas mesas e em cavalete, reflete-se o aprofundamento da sua própria expressão pictórica, através da evidência do toque, da sabedoria do desenho, e por um sentido compositivo que coloca os representados em confronto direto com qualquer observador que delas se aproxime. Percebe-se também um pensamento que transporta para as representações pictóricas as inquietantes questões de género e de sexualidade que se debatem na época atual.
Uma inquietação entre ter expressão e ser género que se revela pertinente tanto na pintura como na vida. Será que para cada género existe uma expressão? O género condiciona a expressão? Quando se fala de género fala-se de pintura ou de pessoas? Quando se fala de expressão fala-se de estilo ou de liberdade? O hibridismo que se verifica hoje nos géneros artísticos é consentâneo com os hibridismos sociais?
A expressão como manifestação do pensamento, resulta de uma possibilidade única, impartilhável, que identifica algo ou alguém pelo modo como se apresenta. O género manifesta-se pela pergunta provocadora que Luís Herberto nos obriga a fazer: Quem é Alex e quais são as suas brincadeiras?
A pintura de Luís Herberto abre-se numa figuração assumida e consciente sem preconceitos de correntes ou vanguardas, onde o modelo não se distingue do retratado ou onde o ator se cruza com a personagem. Deste modo fala-nos tanto das transfigurações, transmutações ou alterações, como das hesitações e conflitos com que os corpos e as almas se debatem hoje. Assuntos que adquirem forma pictórica, retomando um meio verdadeiramente relacional (1). O que levou Marcel Duchamp a afastar-se da pintura em 1912 em Paris, cansado da insensatez e da ingenuidade do círculo dos seus amigos (2), tem sido o que leva Luís Herberto a aproximar-se dela, cem anos depois, em Lisboa, retomando o prazer da arte pelo seu sentido de fazer arte, e por conseguinte pela tomada de consciência de humanidade.
Com uma obra cada vez mais vasta e um longo e cada vez mais consolidado percurso como artista pintor de um período expectante para todos nós, caracterizado pelo fim de um milénio e o inicio de outro, a exposição que Luís Herberto nos propicia, corresponde ao nosso universo, sem anacronismos, com coerência estética, com extremo saber e com uma indiscutível qualidade formal e compositiva.

Ilídio Salteiro, Lisboa 2016.

(1) Bourriaud, Nicolas. Esthétique relationnelle. Dijon: Les press du réel, 1998
(2) Duchamp, Marcel. Engenheiro do Tempo, entrevistas com Pierre Cabanne. Lisboa: Assirio & Alvim, 1990, pp. 24-25

09/03/2016

JOÃO CASTRO SILVA - Ossos

EVOCAÇÃO da GRANDE GUERRA 14-18
Arte Contemporânea, 2016 - 2018
Museu Militar de Lisboa – Salas da Grande Guerra
9 de Março a 30 de Maio de 2016





JOÃO CASTRO SILVA
Ossos

No âmbito do projecto artístico Evocação da I Guerra Mundial, que decorrerá de março de 2016 a novembro de 2018, inaugura-se no próximo dia 9 de março pelas 17 horas, a instalação de João Castro Silva nas Salas da Grande Guerra do Museu Militar de Lisboa.
A obra de João Castro Silva João organiza-se em torno de destroços, sargaços e elementos dispersos, e é através desses fragmentos que se revela, adquirindo forma.
Esta similitude com a guerra, aqui (com)sentida como fator construtivo, num oposto conceptual, sugere e contribui naturalmente para uma aproximação estruturante a esta evocação.
Estas salas, feitas nos anos 30 e revestidas maioritariamente com pinturas de Adriano Sousa Lopes, um pintor que se voluntariou para a frente de combate como pintor de reportagens da guerra, estão imbuídas de uma densidade dramática notável, embora não valorizada pelos eixos modernistas do então, nem muito considerada pelos eixos modernistas do depois.
Neste espaço a escultura de João Castro Silva faz evocação dessa guerra e de todas as outras. Uma evocação comandada pela matéria que constitui um organismo que já foi vivo: a madeira da árvore. Essa madeira, aglutinada em arma de guerra, que deveria ser ferro, e indicada como relíquia de muitos, que deveria ser osso, evidencia a metáfora da fragilidade humana, enquanto companheira de muitas guerras universais e individuais.
A madeira que finge ser osso e ferro acentua a debilidade dos meios de sobrevivência, a ironia da guerra e a humanização dos beligerantes.
Esta obra reflete todas as guerras, desde as pontas de sílex ao nuclear, homenageando acima de tudo a inteligência humana capaz de congeminar soluções que lhe perpetuam o rumo.

Ilídio Salteiro, Lisboa, 2016

11/02/2016

ISABEL SABINO - Os Rios Nascem no Mar - Fundação Júlio Resende - 2015


Quel bon dimanche pour la saison, 2014. Acrílico sobre tela, 12 cm x 195 cm

Isabel Sabino e a luz D’ouro

Júlio Resende (Júlio Martins Resende da Silva Dias, 1917-2011) mancha primeiro, depois reduz, conduz a redução através da linha e da cor exaltada, para territórios inesperados ou já premeditados. Surgem as formas, as surpresas, as narrativas. Progressivamente JR liberta o território do desenhado, aplicando sobre a mancha a memória das suas linhas. A pintura em JR leva a melhor, subleva-se e inunda a superfície, mancha em mancha, como uma base-tema pronta para o debate, mas nunca provocando a sua delimitação, antes pelo contrário, abre todas as possibilidades que a abstração permite. O debate percebe-se pelas linhas que então se desenvolvem sobre as manchas, configurando desenlaces imprevistos, histórias de passagem ou grandes temas que convergem para um argumento.
Isabel Sabino (Isabel Maria Sabino Correia, 1955) franqueia o mundo da pintura pelo mesmo ângulo. Parte de manchas alargadas para, pincelada a pincelada, toque a toque, da cor em cor em estilhaços de tons que se vão abrindo, ir determinando os seus mundos em claros/escuros, como se trabalhasse apenas com luz. Quase que poderia ver JR a trabalhar com a cor e IS a trabalhar com a luz, sendo que ambos trabalhem apenas com a tinta, com a cor.

A urgência deste texto surge precisamente desta semelhança a dois níveis: no procedimento do fazer e na proximidade física das duas obras, pelo facto da exposição de Isabel Sabino se efetuar na fundação de Júlio Resende, espaço do seu atelier e espólio.

Existem muitas formas de pintar e de ser pintor. A obra, que de cada processo advém, é também diferente, assim como diferente será a abordagem de quem a vê. Portanto, falamos de comunicação e de formas de entendimento, falamos de comunhão. Para perceber o outro que fala será necessário descodificar a sua linguagem − a estrutura, o padrão, o fundamento.
Não é fácil ser-se breve e leve porque de parecer tão natural, por vezes, é-se confundido com os estranhos caprichos da natureza. Esta consciência nasce da aflição de querer fazer parecer nascido aquilo que está a ser dito, feito, pintado, mas sem enganar nem confundir. Com um afastamento equilibrado, rigorosíssimo. Quem o achar, alcança a decifração da obra. Percebe o que se debate ali conseguindo refazer um outro processo, só seu, mas que se funde por interação com o do autor.

Este processo de sentir a pintura é um pouco como olhar o todo para depois se focar em determinados elementos. Sendo impossível uma compreensão do todo, cada observação consola-se em criar o seu sistema semântico, engendrando as relações ao sabor da sua própria narrativa subjetiva. Este acaso, só é determinista quando o ente está objetivado em alguma pré ocupação mental, quando tem uma narrativa que lhe ocupa a mente e urge manifestar-se; será então essa objetivação que desencadeia determinada forma. É por isso que se diz que “cada um vê o que lhe ensinaram a ver” ou que “cada um vê o que lhe interessa”. Este ver dirigido torna a perceção da obra de arte muito mais complexa do que aparentemente é. A atitude contemplativa deixa-se levar um pouco mais além do que se é para comungar com a obra, por isso é que também traz mais prazer e debate interior.
Nestes dois autores a paisagem é mental porque a narrativa é imaterial, a cor abstrata, a luz é ideológica. E é pela luz que o debate advém e se oferece em pintura, visto como um todo.

Dora Iva Rita, 2015