18/01/2010

Retábulo

Ilidio Salteiro, Desenho de retábulo 4/6, 2004.
Conferência proferida na FBAUL em 18 de Janeiro de 2010:

Retábulo
ou
Do retábulo ainda aos novos modos de o fazer e pensar

A vida como experiência e a arte como modo de estar e intervir na vida são o pensamento que orienta o processo criativo que pratico. Mas nesta relação entre a vida e a arte não são apenas as emoções que comandam. A obra é também comandada pela razão, pela força do conhecimento, pelo desejo de mudança, pelo investimento, através da investigação e da experimentação. Assim, inquietação e pensamento são duas verdades presentes em confrontos explícitos entre expressão e geometria ou entre ícone e figura. (LER MAIS)

06/01/2010

A Dança

ILIDIO SALTEIRO
Dança no Canal do Panamá, 2009.
Óleo sobre tela, 150 cm x 204 cm



A aparente dissemelhança entre os quatro trabalhos expostos nesta exposição colectiva, tendo a emoção e a forma a separa-los, tem, no entanto, o pensamento e a razão a uni-los.
Em 2007 iniciei um projecto intitulado O centro do mundo é aqui! Trata-se de uma abordagem aos aspectos da globalização em confronto com o interesse individual. Esse projecto, ainda em desenvolvimento, está organizado em dez partes: uma delas refere-se aos pontos de conflito. Dança no Canal do Panamá enquadra-se nesta parte.
O canal do Panamá (1904-1914) estabeleceu a ligação marítima entre o Atlântico e o Pacífico substituindo a anterior ligação pelo estreito de Magalhães. Faz a divisão entre as Américas. É por isto, e naturalmente, um ponto sensível de interesses estratégicos.
As duas Danças de Matisse, uma de 1909 e outra de 1910, repetidas em formatos semelhantes, com jeito tribais, remetem-nos para o movimento de cinco corpos dançando em redor de um centro; os centros são os pontos de conflito a partir dos quais tudo se organizará.A Dança no Canal do Panamá, uma colagem de um arquétipo da pintura ocidental sobre um ponto de conflito latente, faz parte de um conjunto mais vasto de outras pinturas, com outros pontos de conflito (Mar Vermelho, Guantamano, CERN, Mar Morto, Mar Aral e Olho do mundo), todas executadas em óleo sobre papel. Pretende-se com o papel que o carácter circunstancial da dimensão politica e da opinião informada se mantenham porque é sobre ele que as decisões acontecem.

05/01/2010

Omnipresenças


ILIDIO SALTEIRO
Omnipresenças, 2006.
Óleo sobre tela, 150 cm x 100 cm
A aparente dissemelhança entre os quatro trabalhos expostos nesta exposição colectiva, tendo a emoção e a forma a separa-los, têm, no entanto, o pensamento e a razão a uni-los.
Em 2006 iniciou-se uma guerra: a guerra do Líbano. Antes e durante houve muita informação, muita imagem, muitos comentários e opiniões mas, posteriormente, uma penumbra invadiu o “teatro das operações” até se atingir uma escuridão absoluta como se nada tivesse acontecido.
Pouco a pouco esta guerra foi transformada num “processo arquivado na história” com um nome, uma data, muitos relatórios e dados estatísticos.
Esta informação técnica sobre mundos desfeitos a que nos habituaram, significa uma permanente vigilância por entidades mecânicas amigas, inimigas, protectoras ou agressoras mas, sobretudo, capazes com a sua omnipresença, de reduzirem ao ínfimo a condição humana.
Hoje qualquer guerra, quando não vivida por dentro, é semelhante. Apenas diferem os locais, os protagonistas e os meios.

04/01/2010

O Fato do menino


ILIDIO SALTEIRO
O Fato do Menino ou Portugal, 2002.
Óleo sobre tela, 200 cm x 150 cm


A aparente dissemelhança entre os quatro trabalhos expostos nesta exposição colectiva, tendo a emoção e a forma a separa-los, têm, no entanto, o pensamento e a razão a uni-los.
O fato do menino e Portugal são apenas duas referências possíveis. A obra que lhe serviu de suporte conceptual é um retrato de Don Manuel Osório Manrique de Zuniga, filho do Conde de Altamira, pintado por Francisco Goya. Os seres vivos representados, para além da criança, são três gatos que olham atentamente para uma pega (símbolo cristão da alma) que o menino segura por uma corda e canários dentro de uma gaiola (símbolo de inocência). A alma, a inocência e os medos rodeiam D. Manuel, representado como um menino Jesus vestido pela luz vermelha do seu fato.
Que feitos terá feito esta criança para ser merecedora de tal distinção? Sozinha naquele espaço, dominadora sobre todas as espécies, apenas o fato vermelho se sobrepõe em importância.Na actual pintura nenhuma desta simbólica permaneceu. Resta a forma de um fato, resta a luz, sobressaem elementos de uma outra natureza simultaneamente outonal e verdejante. E restam ainda, ironicamente, as inocentes fragilidades dos poderes instituídos e ancestrais.

03/01/2010

Deposição

ILIDIO SALTEIRO
Deposição, 2000.
Óleo sobre tela, 158 cm x 200 cm.


A aparente dissemelhança entre os quatro trabalhos expostos nesta exposição colectiva, tendo a emoção e a forma a separa-los, têm, no entanto, o pensamento e a razão a uni-los.
A Deposição é uma pintura cujas motivações se fundamentaram em dois momentos muito diferenciados. O primeiro, a Deposição de Roger van der Weiden (1435), com dez figuras que se recortam sobre um fundo sem profundidade como se de baixos-relevos se tratassem, corresponde a uma aproximação ao estatuto de retábulo, tão característico da cultura ocidental. O segundo momento refere-se a uma experiência vivida nas margens do estuário do Tejo, ao longo de cerca de 10 anos, observando barcos à espera dos restauros que muito raramente chegaram.
Esta Deposição é a última pintura de um conjunto de três outras também alicerçadas na iconografia da cultura cristã. A primeira é O Ninho, numa alusão ao nascimento e ao início, a segunda é As Montanhas numa alusão à fuga para o Egipto e aos percursos e, por último, a pintura que aqui se expõe, numa alusão ao fim e ao reinício.

02/01/2010

Barcas nas praias do rosário

Ilidio Salteiro, Barcas nas praias do Rosário, 1985.
A aparente dissemelhança entre os quatro trabalhos expostos nesta exposição colectiva, tendo a emoção e a forma a separa-los, têm, no entanto, o pensamento e a razão a uni-los.

01/01/2010

Fábrica Braço de Prata

Inaugura no proximo dia 7 e estará disponível ao público até ao dia 31 de Janeiro de 2010, na Fábrica Braço de Prata em Lisboa uma exposição com obras de Carlos Farinha, Gilberto Gaspar, Ilídio Salteiro e Luís Herberto.