06/01/2010

A Dança

ILIDIO SALTEIRO
Dança no Canal do Panamá, 2009.
Óleo sobre tela, 150 cm x 204 cm



A aparente dissemelhança entre os quatro trabalhos expostos nesta exposição colectiva, tendo a emoção e a forma a separa-los, tem, no entanto, o pensamento e a razão a uni-los.
Em 2007 iniciei um projecto intitulado O centro do mundo é aqui! Trata-se de uma abordagem aos aspectos da globalização em confronto com o interesse individual. Esse projecto, ainda em desenvolvimento, está organizado em dez partes: uma delas refere-se aos pontos de conflito. Dança no Canal do Panamá enquadra-se nesta parte.
O canal do Panamá (1904-1914) estabeleceu a ligação marítima entre o Atlântico e o Pacífico substituindo a anterior ligação pelo estreito de Magalhães. Faz a divisão entre as Américas. É por isto, e naturalmente, um ponto sensível de interesses estratégicos.
As duas Danças de Matisse, uma de 1909 e outra de 1910, repetidas em formatos semelhantes, com jeito tribais, remetem-nos para o movimento de cinco corpos dançando em redor de um centro; os centros são os pontos de conflito a partir dos quais tudo se organizará.A Dança no Canal do Panamá, uma colagem de um arquétipo da pintura ocidental sobre um ponto de conflito latente, faz parte de um conjunto mais vasto de outras pinturas, com outros pontos de conflito (Mar Vermelho, Guantamano, CERN, Mar Morto, Mar Aral e Olho do mundo), todas executadas em óleo sobre papel. Pretende-se com o papel que o carácter circunstancial da dimensão politica e da opinião informada se mantenham porque é sobre ele que as decisões acontecem.