29/05/2008

Traces du sacré


...With «Traces du Sacré,» already promising to be one of the major artistic events of the year, the Centre Pompidou returns to the tradition of major multidisciplinary exhibitions that made its reputation, offering a visual exploration of one of the most pressing issues of our time...

27/05/2008

Encomendador, arquitecto e pintor

Mário Botta (arquitecto) e Enzo Cucchi (pintor).
Igreja votiva de Santa Maria dos Anjos, no Monte Tamaro, Lugano, Suiça, 1990 -1996.
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A obra (Santa Maria degli Angeli) nasce colectivamente através de uma acumulação de sensibilidades, de trabalhos e de conhecimentos.
O encomendador, o arquitecto e o pintor resolveram o problema que o tempo trouxe.
A autoria é tripartida.


26/05/2008

Conversa de corredor - Parte IV

(Continuação do dia 26 de Março de 2008).
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«Que género de Pintura é que tu fazes?»
Primeiro pensei nos géneros feminino e masculino, só depois me ocorreu a paisagem, a natureza-morta e o retrato. Mas, com um ar sério, resolvi responder o seguinte:
«Hum, pois!»
E enquanto dava esta resposta recordava um pequeno texto justificativo uma exposição (que não vi) na Sprueth Magers Projekte em Munique com o titulo «WHAT KIND OF PAINTING?, que «debate» o estado da Pintura contemporânea entre as novas gerações de artistas «"What kind of painting do you do?", the legitimate and inescapable question that no painter ever wants to hear and which actually cannot be answered»
Perante aquela resposta a nossa conversa foi desviada para a circunstância de estarmos ali e de o meu interlocutor, por algum motivo que desconheço, resolver abrir-se em apreciações sobre os problemas do meio e do ensino artísticos. Iniciou-se um exercício de exaltação do sistema nervoso, através de um maldizer sistemático, que apenas deixou entender de vez em quando algumas sensibilidades muito próprias, focalizado nos conflitos entre conceitos de academismo, de vanguardas e de modismos.
Esta conversa faz todo o sentido na medida em que a coisa central que nos move por estes corredores é o que se ensina e como se ensina. Ou pelo menos deveria ser, senão houvessem preocupações marginais ou corporativas consoante os casos, que enturvam os ambientes e tornam imperceptíveis os raciocínios e difícil o alcance daqueles objectivos.
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(Continua em breve)

23/05/2008

A situação está tensa mas sobre controlo

A Arte Contempo é um espaço que nos anima.
Anima-nos pela frescura dos seus acontecimentos e pela frescura do projecto que encara a produção artística como um acto eminentemente cultural.
Trata-se de uma Associação Cultural que usa um espaço, situado perto da basílica da Estrela em Lisboa, como meio disponível para a concretização de diversos projectos artísticos, quase sempre arrojados por causa da carga experimental que transportam e das inquietações que provocam a quem se disponibilizar para diálogos estéticos com as obras quase sempre enriquecedoras.
Neste momento o acontecimento refere de um modo bastante explícito que A situação está tensa mas sobre controlo.
Este é o título encontrado pelo Marte Mestre e Bruno Marques, os dois jovens curadores desta exposição colectiva que integra obras de André Sousa, Gustavo Sumpta, Tânia Duarte, Renato Ferrão e André Guedes.
A situação está tensa mas sobre controlo
corresponde a um conjunto de 5 obras que nos remetem para o universo das proporções e dos equilíbrios assimétricos, para os dinamismos e estaticismos e para o universo da física, da geometria e dos pensamentos. Pensamentos que se projectam inevitavelmente na frágil complexidade do mundo social, politico, económico e ambiental que vivemos. A Arte contemporânea não é um processo fácil porque, estando diametralmente oposta aos conceitos que categorizam a arte a partir de uma definição utópica de belo, ela exige que haja no observador um desejo de perceber o verdadeiro «chão» que pisa.
Como que continuando o conceito albertiniano de janela, mas agora em termos metafóricos e não em termos perceptivos, a arte contemporânea é profundamente humana e, deste modo, verdadeiramente sagrada (ler neste Blog a referência do dia 9 de Janeiro de 2005).
Na Arte Contempo, na Rua dos Navegantes, irá decorrer no próximo dia 29 de Maio o lançamento do catálogo desta exposição. É um momento de festa a não perder. (Mais informações)
(I.Salt2008)

22/05/2008

Museus - Novos templos

«...Os museus, que alguns admitem poderem ser as catedrais de uma sociedade assumidamente materialista, também viabilizam através si uma dimensão humanista de grande ligação e proximidade aos outros, pela verificação dos conteúdos expressos nas obras. E se no início do século, como acima dissemos, os museus foram rejeitados pelas vanguardas futuristas comandadas por Marinetti, os seus objectivos foram no entanto atingidos, uma vez que os novos museus posteriores à Segunda Guerra e ao Museu Solomon Guggenheim (1943-59), desistiram de facto de ser como os antigos, por as suas entidades promotoras estarem muito mais preocupadas com a auto-representação, dando origem a museus de arte contemporânea, enquadrados por vezes atrás das designações de centro de arte ou centro cultural (Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia), e assim se constituindo como legitimadores de uma arte produzida a posteriori. Enquanto num conceito antigo de museu a obra aspira a atingi-lo, num conceito novo a obra mesmo antes de executada já tem lugar marcado no museu / centro [1]. Trata-se de uma ansiedade provocada pela tomada de consciência da efemeridade dos tempos que vivemos e, por conseguinte, mais preocupada com o imediato, o consumível e o entretenimento...» Ilídio Salteiro, «Museus – Novos Templos», in Do Retábulo Ainda aos novos modos de o fazer e pensar, (tese de Doutoramento), Lisboa, Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, 2006, pp. 138-139.
[1] Como critério para a constituição de um acervo museológico de arte contemporânea, é referido «privilegiar a constituição de núcleos autorais representativos, ou seja, do mesmo autor existirem várias obras e emblemáticas das diversas fases da sua produção artística. Ou, dito de outro modo: menos autores e mais obras [...] esta opção implica um trabalho de continuidade temporal e de acompanhamento atento dos percursos artísticos», Isabel Carlos, «Initiare», in Initiare, Lisboa, Centro Cultural de Belém, 2000, p. 5.

20/05/2008

Pintura é diferente de pintura

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Quand Matisse travaille à Vence, il dit :
«Je suis religieux quand je travaille.»
Pour les artistes, le temple absolu, le lien avec la spiritualité, c'est l'oeuvre.
Rothko dit :
«Quand un spectateur pleure devant un de mes tableaux, il éprouve la même sensation religieuse que j'ai eue en le peignant.»
(Jean de Loisy, «Traces du Sacré», in Figaro, 09/05/2008)

19/05/2008

Vestígios do sagrado

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Em «Traces du Sacré» constata-se que a Arte que se fez no século XX como a que ainda hoje se faz, possue reminiscências religiosas muito claras, evidenciando que a espiritualidade é uma necessidade e uma preocupação intrínseca à Humanidade. Nesta exposição pode-se analisar o significado destas reminiscências e mostrar que elas continuam a participar na criação das formas contemporâneas.
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11/05/2008

Atrás de uma onda existem oceanos

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É frequente perguntar-se a um artista contemporâneo com algum tom de dúvida:
Tens continuado a trabalhar? Quando fazes uma exposição?
Pode-se responder sim!
Mas a pergunta transporta dentro de si uma paisagem obscurecida acerca da produção artística.
A produção artística guia-se apenas por um conceito, up-to-date (adj.) ou update (verb.) e considera-se isso muito natural.
Talvez o seja! Não serei eu a dizer que não, continue-se!
O modo de estar no nosso tempo, guiado pelo conceito de up-to-date, coresponde ao anseio da permanente sintonia com o mundo, que se atinge adquirindo meios pela via do consumo, desvalorizando as formulações de comunicação das pessoas singulares em relação às formulações de comunicações das pessoas colectivas e privilegiando a ditadura da moda através de periódicas actualizações, angustiantes e efémeras, e subordinada a sub-categorias de movimentos, de ondas e de vanguardas (Gilles Hipovetsk, Império do Êfemero, Lisboa, Pub. D. Quixote, 1989) .
Mas existem outros modos de estar que se orientam pela investigação e experimentação, e pela aquisição de conhecimentos pela via do saber, elevando as singularidades das múltiplas expressões individuais.

Tendo naturalmente uma diminuta visibilidade e pouco reconhecimento, não significa a sua inexistência.
Antes pelo contrário: atrás de uma onda efémera existe a perenidade dos oceanos.
(I.Salt.2008)
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video, I.Salt.2008

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10/05/2008

Rui Serra: Boa Pintura e Fazer

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Cada Pintura testemunha uma acção e muitos tempos.
E, por causa dessas atitudes de construção, aí estão as dádivas: veículos entre o autor e o mundo.
Pressente-se que a obra resulta de uma aprendizagem demorada, de uma caminhada pelas etapas processuais e conceptuais da Pintura.
Pela frente Rothko, e depois velaturas sucessivas até à irredutível essência.
A Boa Pintura e o Fazer.

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(Apenas palavras sobre a Pintura de Rui Serra na 111, Lisboa 2008)
I. Salt, 2008

09/05/2008

Olhar especulador

... «Plus sensible aux lois du marché qu’aux règles de l’art, le regard-spéculateur ne voit que des choses à acheter et à vendre, en restant largement indifférent aux conditions matérielles et sociales de production des œuvres, et à la vie de l’art. Ce regard artistiquement superficiel suit les voies de moindres obstacles fiscaux plus volontiers que les chemins escarpés et chaotiques de la production artistique. Ce regard-spéculateur des collectionneurs d’aujourd’hui est aux antipodes du regard-investisseur des mécènes, et bien sûr du regard-producteur des artistes, et du regard-amateur du public pour qui la valeur esthétique des œuvres n’est pas brouillée par leur valeur marchande» .... (ler todo o artigo aqui)
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08/05/2008

Hoje 22h- Pedro Saraiva - noticias - viagens

VOYEUR PROJECT VIEW
PEDRO SARAIVA0 até 08.06.08
Travessa Convento de Jesus 12ª / 16ª 1200 - 126 LISBOA


gabinete > cambedo

(…) o presente projecto de Pedro Saraiva, ainda (e talvez permanentemente) em fase de desenvolvimento, passa pela criação de heterónimos na prática do desenho, isto é, de personalidades criativas que possuem, no seu interior, uma coerência que remete para a ideia de identificação e, concomitantemente, de identidade(s) criativas(s) múltipla(s).
Este procedimento implica uma heurística de entrada múltipla, isto é, uma metodologia de descoberta e apropriação de tipologias diversas de criação no campo do desenho que passam, também, pela gestação de procedimentos que incorporam dissidências internas no processo criativo. Ou seja, a possibilidade que Pedro Saraiva encontrou de criação no campo do desenho implica uma multiplicidade de procedimentos, frequentemente tomados a partir de metodologias específicas que incorporam narrativas. Num certo sentido, há neste projecto a introdução do desenvolvimento de procedimentos em desenho a partir de determinadas matérias ficcionais e narrativas que se corporalizam em estilísticas diversas (portanto, em autenticidades diferenciadas), o que implica, também, um “fazer do corpo” para cada uma das metodologias, processos de raízes culturais das várias entidades que surgem no universo de cada uma das linhas ficcionais desenvolvidas.
Esta forma de compreender a possibilidade do desenho não é, simplesmente, a da produção de um conhecimento ou de uma prática enciclopédica do desenho em si mesmo, mas implica o desenvolvimento de uma metodologia de intra-remissão, ou seja, o estabelecimento de uma complexidade. Quer isto dizer que o surgimento de personalidades diversas no cumprimento de estratégias, linhas criativas e estilísticas diferentes entre si propõe uma teia de relações de que cada uma das partes surge como fragmento (…)
(…) o projecto que Pedro Saraiva apresenta é o desenvolvimento de um mapa de procedimentos de desenho em linhas eventualmente divergentes, sob a estrutura de heterónimo, questionando as categorias básicas da ética do próprio desenho enquanto metodologia, propondo um mapa heteróclito e inconclusivo das suas práticas. (…)

Delfim Sardo in gabinete > codina

07/05/2008

05/05/2008

Arte - tecnica ou talento - Pintura fotografia

Shirana Shahbazi e Sirous Shaghaghi e Hamid Reza Tavocolios (2 "Iranian bilboard painters!").
Visão mecânica e visão sensorial.
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Anunciação,Bienal de Veneza, 2003
Os mesmos autores exposeram um outro mural em Janeiro de 2008 na Barbican Art Gallery(paisagem, natureza-morta e retrato)
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For her project Shahbazi collaborates with a team of Iranian billboard painters, employing techniques and styles typically used for commercial advertising in her native country. <>