28/06/2008

O Museu

I.Salt. 2008.


Depois de algumas remodelações o Museu de Arte Moderna de Paris, Centre George Pompidou, reabriu as suas portas no início de 2008 para mostrar a Maior Colecção.
Perto uns dos outros e na mesma cidade, o Louvre, o Orsay e o Beaubourg (e outros) são apenas o mesmo museu.

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27/06/2008

Gesto idiota

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Visita museus?
Quase nunca. Não vou ao Louvre há vinte anos. Já não me interessa por causa desta dúvida que tenho a respeito do valor desses julgamentos que decidiram que todos aqueles quadros deveriam ser expostos no Louvre em vez de colocar outros que nunca foram considerados e que poderiam lá estar. No fundo, as pessoas satisfazem-se muito bem com essa opinião de que existe uma espécie de paixão passageira, uma moeda baseada no gosto momentâneo; este gosto momentâneo desaparece e, apesar de tudo certas coisas ainda ficam. Isto não se explica muito bem e também não pode ser muito bem defendido.
No entanto aceitou que todas as suas obras ficassem num museu?
Aceitei porque existem algumas coisas práticas na vida que não se pode impedir. Não ia recusar. Poderia tê-las rasgado ou quebrado, o que seria também um gesto idiota.
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Marcel Duchamp, Engenheiro do tempo perdido, entrevista com Pierre Cabanne, 1967, (tradução de António Rodrigues), Lisboa, Assírio Alvim, 1990, p. 111.

26/06/2008

O segredo de Marcel Duchamp

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«O artista só existe se for conhecido. Por consequência, pode-se considerar a existência de cem mil génios que se suicidam, que se matam, e que desaparecem porque não souberam fazer o necessário para que fossem conhecidos, para se imporem e conhecerem a glória»
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Marcel Duchamp, Engenheiro do tempo perdido, entrevista com Pierre Cabanne, 1967, (tradução de António Rodrigues), Lisboa, Assírio Alvim, 1990, p. 110.

Será que o «segredo» de Marcel Duchamp era:
Ser conhecido?
Impor-se perante os outros?
Conhecer a glória?
Este «segredo» serve-lhe de alguma coisa neste momento?
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25/06/2008

Quem é quem na Documenta 13

I.Salt., IX - Paulo Herkenhoff, colagem sobre papel, 2008
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Paulo Herkenhoff nasceu em 1949. Fez um mestrado em Direito Constitucional pela Universidade de Nova York e foi professor de Direito na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro trabalhando ainda num escritório de advocacia.
Também fez tentativas de integração no universo de expressão visual através de algumas aulas (pintura e desenho) com Ivan Serpa (1923-1973).
Recentemente foi curador do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), da Fundação Eva Klabin Rapaport, da 9ª Documenta de Kassel (1991), da 24ª Bienal de São Paulo (1997-1999) e dirigiu o Museu Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro até Janeiro de 2006. Em Abril de 2008 foi nomeado para o comité que irá decidir sobre o director da próxima documenta.

24/06/2008

Quem é quem na Documenta 13

I.Salt., X - Udo Kittelman, colagem sobre papel, 2008
Udo Kittelmann foi em 2001 o comissário da Alemanha à Bienal de Veneza e é desde 2002 o Director do Museu da Arte Moderna de Frankfurt (Museum fuer Moderne Kunst – MMK).

23/06/2008

Quem é quem na Documenta 13

I.Salt., VIII - Oscar Ho, colagem sobre papel, 2008


"Curating an exhibition is like an artistic creation process. The curator responds to the environments around him, views from a subjective angle and analyzes objectively. He then presents a whole bunch of things. These things should not serve only to deal with a kind of pure artistic feeling. Rather, it must cope with the developments of society, and reflect cultural phenomenon according to the cultural theme revealed by the artistic object." - Oscar Ho. (Ming Pao Daily, 17.1.2001)

(Ler a totalidade da entrevista AQUI)

22/06/2008

Quem é quem na Documenta 13

I.Salt., VII - Kasper Koenig, colagem sobre papel, 2008.

Kasper Koenig nasceu em 1943 em Mettingen e é director do Museu Ludwig (AQUI) em Colónia desde 2000 (MAIS).
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NOEMI SMOLIK: You are an art-school dean, an internationally known curator, and you sit on a lot of influential art-world committees. How does one get into such a position?
KASPER KOENIG: I only sit on committees when it interests me--not for strategic reasons but out of curiosity. I can afford to do this because my job at the Stadelschule, where I've been for seven years, and before that at the Dusseldorf Akademie, affords me a measure of independence. The deanship in Frankfurt is temporary; one is elected by a combination of the faculty and the students. (Ver o total desta entrevista AQUI)

21/06/2008

Quem é quem na Documenta 13

I.Salt., VI - Elizabeth Ann Macgregor, colagem sobre papel, 2008
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Elizabeth Ann Macgregor nasceu em Dundee na Escócia em 1958. Iniciou a sua educação na Stromness Academy Orkney e, completando o MA em História da Arte na Universidade de Edimburgo em 1979, obteve no ano a seguir um diploma de Estudos em Museus e Galerias na Universidade de Mancherter. Começou uma carreira profissional nos inícios dos anos oitenta como curadora no Scottish Arts Council (AQUI ). Em 1989 foi designada para Directora da Ikon Gallery em Birmingham (AQUI) e em Setembro de 1999 mudou-se para a Austrália onde foi assumir o cargo de Directora do Museu de Arte Contemporâneo de Sidney (AQUI )

20/06/2008

Quem é quem na Documenta 13


I.Salt., V - Kathy Halbreich, colagem sobre papel, 2008

Kathy Halbreich, Associate Director Museum of Modern Art New York (formerly Director Walker Art Center, Minneapolis, Minnesota).

19/06/2008

Quem é quem na Documenta 13




I.Salt., IV - Manuel Borja-Villel, colagem sobre papel, 2008

Em 1980, Manuel J Borja Villel formou-se em História da Arte na Faculdade de Geografia e História da Universidade de Valência. Em 1987 concluiu um Master em Filosofia no Departamento de História da Arte da City University em Nova Iorque e em 1989 concluiu o Ph.D. no mesmo departamento.
Foi director da Fundação Antoni Tapies em Barcelona desde a inauguração, em 1990, até 1998 e depois desta data foi director do Museu de Arte Contemporânea de Barcelona (MACBA). Actualmente é director do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia Madrid e foi escolhido para fazer parte do comité que vai escolher o director artistico da documenta 13.

18/06/2008

Quem é quem na Documenta 13


I.Salt., III - Bernd Leifeld, colagem sobre papel, 2008
Bernd Leifeld, CEO (chief executive officer) da Documenta apresentouem Abril de 2008 em Kassel o comité internacional que tem como objectivo encontrar o director artístico da documenta 13, a qual se realizará entre os dias 9 de Junho e 16 de Setembro de 2012.

Este comité é constituido por nove membros:

Joseph Backstein, Manuel J. Borja-Villel, Kathy Halbreich, Paulo Herkenhoff, Oskar Hing Kay Ho, Udo Kittelmann, Kasper Koenig, Elizabeth Ann Macgregor, Rein Wolfs.

17/06/2008

Quem é quem na Documenta 13


I.Salt., II - Joseph Backstein, colagem sobre papel, 18 cm x 28 cm, 2008

Joseph Backstein nasceu em Moscovo em 1945 e estudou no Institute of Computer Sciences dessa cidade. Possui um PhD em Sociologia das Artes e Cultura.
Foi o curador do pavilhão russo na 48ª Bienal de Veneza em 1999 e da representação russa à 25ª Bienal de São Paulo em 2002.
Em 2005 foi coordenador da 1ª Bienal de Arte Contemporânea de Moscovo e foi comissário e Director artístico da 2ª Bienal de Moscovo.
Actualmente desempenha os cargos de Director artístico do State Centre for Museums and Exhibitions ROSIZO, de Director do Instituto de Arte Contemporânea de Moscovo e faz parte, desde Abril de 2008, do comité que irá escolher o director artístico da próxima documenta.

16/06/2008

Quem é quem na Documenta 13



I. Salt., I- Rein Wolfs, colagem sobre papel, 18 cm x 28 cm, 2008.


Rein Wolfs
é desde Janeiro de 2008 o novo director artístico de Kunsthalle Fridericiarum (Kassel). Entre 2002 e 2007 foi o director de exposições do Museum Bijmans Van Beuningen em Roterdão. Em 2003 foi o curador do pavilhão alemão na Bienal de Veneza. De 1996 até 2001 foi o primeiro director do Migros Museum für Gegenwartskunst em Zurique, onde, em 1999, criou a revista «Material». Tem sido membro de vários comités internacionais, e actualmente foi nomeado para integrar o comité que vai escolher o director artistico da documenta 13.

15/06/2008

Sobre a Humanidade e a Arte no século XXI

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Rein Wolfs, depois de sido em 2003 o curador do Pavilhão da Holanda na Bienal de Veneza (We are the world ), é desde Janeiro de 2008 o novo director artístico do Kunsthalle Friderriciarum em Kassel. Deste modo, em 5 de Setembro, iniciará uma programação que se fundamenta em princípios que teoricamente consideramos oportunos: «Minorities, outsiders, troublemakers and other human beings (:) Art shall be human »
Da sua comunicação apresentada recentemente (Abril de 2008) transcrevemos aqui um pequeno excerto que tivemos a liberdade de traduzir: «A boa arte é bela e ainda que o não seja, é sempre eficaz. A boa arte tem frequentemente qualidades provocantes e revolucionária. (:) A arte é mais importante do que se pensa, porque ela é mais profunda do que parece à primeira vista. A arte é menos importante do que se pensa, porque no final ela é apenas humana e por conseguinte não é necessariamente nada de extraordinário.»
O texto original, na sua totalidade, poderá ser lido
AQUI.

14/06/2008

Desenhos de Arquivo

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«Desenhos de Arquivo» é o título dado por Amadeu Escórcio a um conjunto de trabalhos expostos na Galeria do Grupo Artever de 7 de Junho até 7 de Julho
Artever é um grupo de Artistas Plásticos sedeados na Amadora que tem uma actividade de dinâmica cultural regular e credível, desde os inícios dos anos 80, quando da sua fundação, constituindo-se actualmente como um espaço alternativo aos circuitos culturais institucionalizados.
Amadeu Escorcio, um dos seus membros fundadores, utiliza este espaço para disponibilizar temporariamente parte de um extenso arquivo de registos gráficos produzidos ao longo de muitos anos em momentos de repouso e contemplação activa.

Nota: de 2ª a 6ª das 14,30 às 18,30 h. e Sab das 10 às 13 h. Rua Padre António Vieira, 22, Amadora, tel. 214741173.

13/06/2008

Um metro e noventa de altura e oitenta e sete quilos de carne

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Hoje o homem tem uma preocupação com a sua imagem em tudo idêntica à da mulher e os meios de comunicação social têm causado uma ansiedade pela beleza física.
Este pensamento tem sido a referência conceptual que estruturou o trabalho pictórico de Inga Mustakalio, uma jovem artista finlandesa, nos últimos tempos.
Depois vem a ironia, o sarcasmo ou sentimentos de insegurança!
A carne e a sua forma (peso e dimensão) são a única coisa que interessa. Um metro e novente e oitenta e sete quilos de carne poder ser o desejo nuclear de muitos.
Pelas imagens que enviou e pelo seu trabalho passado percebe-se que Inga sabe que a Pintura é uma área disciplinar que se organiza com muitas referências conceptuais e ideológicas, com muitas materialidades e com uma metodologia criativa própria capaz de dar forma aos pensamentos e desse modo participar nos grandes debates da vida contemporânea.

11/06/2008

Locais de peregrinação

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Loris Gréaud, no Palais de Tokio em Paris ofereceu-nos em 2008 uma obra exposição onde as obras coisas são apenas o modo de se penetrar nas dinâmicas do tempo espaço.

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«Église où quelques élus viennent nourrir une foi de virtuose tandis que conformistes ou faux-dévôts viennent y bâcher un rituel de classe, le musée peut devenir, un moment, le lieu de pèlerinage ou se pressent les troupes serrés de fidèles qui à New York, à Washington, à Tokyo ou à Paris, patientent en longes files pour jeter un bref coup d’œil, comme in baisait autrefois un crucifix ou un reliquaire, sur un chef-d’œuvre désigné à la ferveur collective…» (P. Bourdieu, A. Darbel, L’Amour de l’Art, Les Musées d’Art Européens et leur public, Paris, Éditions Minuit, 1971, p.131.)

10/06/2008

Tempos

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I.Salt., Jangada feita de tudo, 2005
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O «tempo histórico» está presente em todas as análises, quer sejam de ordem politica, cultural ou outra.
No entanto o «tempo histórico» é apenas um princípio metodológico para estudar o passado que justifica a pertinência desta actividade na responsabilidade que as actuais gerações têm de o acarretar para o futuro. Por vezes ele é mesmo visto como verdade perceptiva inquestionável turvando qualquer decisão universal.
Claro que esse princípio metodológico dá achegas, mas estas não devem ser incutidas como valores absolutos.
Em Portugal, com o peso de mais de oito séculos de história em linha quase sempre recta, não podemos deixar que esse peso nos torne corcundas.
A visão de acordo com o «tempo histórico» corresponde a uma distorção da realidade porque nos ordena as «obras» sobre uma linha cronológica, com uma calendarização por vezes sobrevalorizada, afastando-as para conceitos próximos de antiguidade.
O «tempo histórico» é uma inexistência! A existência é o «tempo espaço».
O «tempo espaço» é o princípio da permanente contemporaneidade, ou seja da tomada da consciência de que o espaço que ocupamos resulta da soma de todos os tempos.
Desse modo o «tempo espaço» é o princípio da acumulação e da análise comparada.
Não podemos duvidar da contemporaneidade de Leonardo da Vinci, de Goya, ou de Le Corbusier ou das Pirâmides de Gizé. Duvidar, será considerar que a importância do seu estudo serviria apenas para uma espécie de inventário de bens patrimoniais para uma posterior venda em épocas de crise. E isto, como todos sabemos, é um objectivo bastante para alguns mas, de modo nenhum é verdade para todos.
A importância que hoje ainda se dá ao «tempo histórico» é desmesurada.

09/06/2008

A Matéria da Escultura

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Ben Vautier, Ben Museum, 1972


Naquele tempo o escultor estava a trabalhar arduamente no seu texto de dissertação de tese de doutoramento sobre a matéria de que é feita a escultura, e para a qual ainda não tinha encontrado o titulo adequado.
Aquele «serviço» era exigido pela estrutura académica onde trabalhava, por razões de estabilidade, de sobrevivência e de conveniência estatutária e social.
Naquele tempo desloquei-me a uma grande galeria de arte, localizada na cidade imperial, e na qual quatro das últimas esculturas do escultor estavam expostas.
Disse-me o galerista, lamentando a actual tarefa do escultor:
«É uma pena o escultor estar a fazer o que está a fazer! Muitas obras poderiam nascer neste tempo que, deste modo, não passa de tempo morto!»
Entretanto o tempo passou e as quatro esculturas foram vendidas pelo galerista, cada uma delas a uma pessoa diferente. Estes proprietários enriqueceram o seu património.
Conta-se que depois nunca mais ninguém viu as esculturas.
Entretanto o artista escultor que tinha acabado o seu texto com o título «A Matéria da Escultura» defendeu-o perante o júri conveniente e foi muito aplaudido e abençoado.
E o futuro riu-se para ele!...
(I.Salt, 11/Nov/2007 – 8/Jun/2008)

08/06/2008

Museu do Oriente

Museu do Oriente em Lisboa, um museu que vale a pena visitar!
Passo a transcrever um pequeno excerto de um e-mail remetido por um amigo sintetizando os conhecimentos que podemos absorver dentro deste novo espaço, sagrado ou profano?:
Olá, como vai isso tudo, caro Ilídio?!
« Sem dúvida que vale a pena ir até lá só para visitá-lo, entre muitas coisas mais (e pelas exposições dos deuses do Oriente e das máscaras), pelas faianças indo-portuguesas, pelas armaduras de samurais, mas também pelas miniaturas japonesas e chinesas (caixas medicinais- os 'inru' - e de rapé) e os elementos da mística religiosa e escatológica: os trajes de médium, de mandarins, assim como por várias réplicas autênticas da trindade do hinduísmo (a Trimurti: Brahma, Vishnu e Shiva) e os 10 infernos do budismo chan (= zen) chinês, onde, no primeiro, as almas não podem mentir, pois há um espelho que reflecte a vida terrena passada e que as impede de enganarem os juízes do Além; e, onde, no último inferno, os espíritos são de novo devolvidos ao infindável ciclo hindu das reencarnações...» (R. G. Maio, 2008)

07/06/2008

Arte contemporânea

«L’art contemporain ne se divise pas en art profane et l’art sacré. Il est profondément humain, expriment les cris, les souffrances, les joies, les attentes, la soif spirituelle des hommes. Il est appel au dialogue. En cela, il est sacré».
Robert Pousseur, Les artistes, sculpteurs d’humanité, éditions Desclée de Brouwer, Paris, 2002, p. 52.