22/05/2008

Museus - Novos templos

«...Os museus, que alguns admitem poderem ser as catedrais de uma sociedade assumidamente materialista, também viabilizam através si uma dimensão humanista de grande ligação e proximidade aos outros, pela verificação dos conteúdos expressos nas obras. E se no início do século, como acima dissemos, os museus foram rejeitados pelas vanguardas futuristas comandadas por Marinetti, os seus objectivos foram no entanto atingidos, uma vez que os novos museus posteriores à Segunda Guerra e ao Museu Solomon Guggenheim (1943-59), desistiram de facto de ser como os antigos, por as suas entidades promotoras estarem muito mais preocupadas com a auto-representação, dando origem a museus de arte contemporânea, enquadrados por vezes atrás das designações de centro de arte ou centro cultural (Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia), e assim se constituindo como legitimadores de uma arte produzida a posteriori. Enquanto num conceito antigo de museu a obra aspira a atingi-lo, num conceito novo a obra mesmo antes de executada já tem lugar marcado no museu / centro [1]. Trata-se de uma ansiedade provocada pela tomada de consciência da efemeridade dos tempos que vivemos e, por conseguinte, mais preocupada com o imediato, o consumível e o entretenimento...» Ilídio Salteiro, «Museus – Novos Templos», in Do Retábulo Ainda aos novos modos de o fazer e pensar, (tese de Doutoramento), Lisboa, Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, 2006, pp. 138-139.
[1] Como critério para a constituição de um acervo museológico de arte contemporânea, é referido «privilegiar a constituição de núcleos autorais representativos, ou seja, do mesmo autor existirem várias obras e emblemáticas das diversas fases da sua produção artística. Ou, dito de outro modo: menos autores e mais obras [...] esta opção implica um trabalho de continuidade temporal e de acompanhamento atento dos percursos artísticos», Isabel Carlos, «Initiare», in Initiare, Lisboa, Centro Cultural de Belém, 2000, p. 5.

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