26/05/2008

Conversa de corredor - Parte IV

(Continuação do dia 26 de Março de 2008).
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«Que género de Pintura é que tu fazes?»
Primeiro pensei nos géneros feminino e masculino, só depois me ocorreu a paisagem, a natureza-morta e o retrato. Mas, com um ar sério, resolvi responder o seguinte:
«Hum, pois!»
E enquanto dava esta resposta recordava um pequeno texto justificativo uma exposição (que não vi) na Sprueth Magers Projekte em Munique com o titulo «WHAT KIND OF PAINTING?, que «debate» o estado da Pintura contemporânea entre as novas gerações de artistas «"What kind of painting do you do?", the legitimate and inescapable question that no painter ever wants to hear and which actually cannot be answered»
Perante aquela resposta a nossa conversa foi desviada para a circunstância de estarmos ali e de o meu interlocutor, por algum motivo que desconheço, resolver abrir-se em apreciações sobre os problemas do meio e do ensino artísticos. Iniciou-se um exercício de exaltação do sistema nervoso, através de um maldizer sistemático, que apenas deixou entender de vez em quando algumas sensibilidades muito próprias, focalizado nos conflitos entre conceitos de academismo, de vanguardas e de modismos.
Esta conversa faz todo o sentido na medida em que a coisa central que nos move por estes corredores é o que se ensina e como se ensina. Ou pelo menos deveria ser, senão houvessem preocupações marginais ou corporativas consoante os casos, que enturvam os ambientes e tornam imperceptíveis os raciocínios e difícil o alcance daqueles objectivos.
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(Continua em breve)

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