23/10/2011

Palavra-chave (3)

ANA DO SOUTO VASQUES



Red Dream II, 2010
Acrilico sobre tela, 100 cm x 120 cm.


Este trabalho surgiu da reflexão sobre dois grupos de imagens. Um, retratando culturas antigas ou tribais (Índios Australianos ou Africanos, objectos neolíticos, paleolíticos, símbolos religiosos antigos – Arquétipos); outro retratando tecnologia de ponta (espaço e ciberespaço, cenas futuristas e física moderna – Futuro).
Estes dois universos, com, aparentemente, nada em comum, induziram-me a uma reflexão profunda sobre que relação existiria entre o passado (tão longínquo) e um futuro (ainda por concretizar). Ao longo do desenvolvimento do projecto vou entendendo o que une estes dois mundos no meu trabalho, sendo que inevitavelmente resulta numa mistura de estéticas tribais com estéticas contemporâneas.
No paleolítico a imagem era o mito e o mito gerava imagem. A narrativa do significado do desenho era simbólica: já se usavam os símbolos. O homem do paleolítico tinha como necessidade emergente o alimento, isto gerava o trabalho, que ia desde os rituais com desenhos nas paredes das cavernas ou no próprio corpo, até á caça propriamente dita, e que, consequentemente gerava o consumo de alimentos.
O consumo de alimentos seria assim o fim do ciclo e o objecto daquela “arte”.
Hoje, apesar da fome que ainda existe, o objecto dos nossos desejos alterou-se, e o significado das nossas pinturas é mais complexo que nunca.
Ana do Souto Vasques, 7 de Outubro de 2011, Paris.



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