26/10/2011

Palavra-chave (6)

MATILDE CORRÊA MENDES


Três quadrados de dez metros de vento, video, 2010.



Três quadrados de dez metros de mar, video, 2010.


Se eu considerar 3 quadrados de dez metros de mar (instalação de vídeo, 2008) e 3 quadrados de dez metros de vento (instalação de vídeo, 2010) …

…“A dificuldade consiste em fixar os limites desse quadrado, porque se ele considerar, por exemplo, como o lado mais distante de si a linha em relevo de uma onda que avança, essa linha ao aproximar-se dele e ao elevar-se, esconde tudo aquilo que está por trás dela; e eis que o espaço tomado em consideração se inverte e se reduz ao mesmo tempo. Contudo, o senhor Palomar não desanima e pensa em cada momento que viu aquilo que podia ver a partir do seu ponto de observação; mas acaba por aparecer sempre qualquer coisa que ele não tinha tomado em consideração. Se não fosse por essa sua impaciência de alcançar um resultado completo e definitivo da sua operação visual, o observar das ondas seria para ele um exercício muito repousante (...). E talvez pudesse ser essa a chave para dominar a complexidade do mundo, reduzindo-o ao mecanismo elementar.” Italo Calvino, Leitura de uma onda.

Matilde Correa Mendes, 2011.
«Palavras-chave», ISEG FBA, Outubro - Novembro de 2011.



25/10/2011

Palavra-chave (5)

LUÍS BARATA


Sem título, 2011.
Técnica mista sobre tela, 82 cm x 119 cm.
 


Cinco planos pintados. Em todos se faz uma alusão consciente à grelha, à grade, ao palimpsesto, numa pintura estenográfica que tende para a monocromia.
Os objectos expostos fazem parte de uma série de trabalhos cuja motivação é materializar imagens fotográficas anónimas, encontradas na internet, remetendo-as para o espaço-tempo da pintura. São representações figurativas de aglomerados urbanos disfuncionais, bastidores da modernidade, espaços de território esquecidos, velados pelos filtros dos mass media.
Esta série de trabalhos trata da função selectiva do esquecimento na construção da memória e da identidade.
Luis Barata, 2011.





24/10/2011

Palavra-chave (4)

ÂNGELA RODRIGUES


Sem título, 2011.
Acrílico sobre papel, 22 cm x 40 cm.

O conjunto de trabalhos que aqui se mostram advém da observação e estudo da paisagem. Com reminiscências do mundo rural e natural, caracterizam-se pelo singular desejo de querer reconstruir a paisagem como cenário ilimitado de vida onde os elementos se fundem em busca de novas composições, explorando graus de abstracção mais acentuados numas do que noutras. Para lá da compreensão verbal, o objectivo é estabelecer uma relação de proximidade entre a pintura e o observador, sendo este convidado a experimentar e a vivenciar cada imagem.
Cada obra é uma matriz na qual se cria, não uma representação do real mas sim, uma representação do irreal, comandada pela memória e pela experimentação, consentindo que matérias cromático-texturais desenhem os caminhos que marcam e definem cada composição.
Ângela Rodrigues, Outubro de 2011

23/10/2011

Palavra-chave (3)

ANA DO SOUTO VASQUES



Red Dream II, 2010
Acrilico sobre tela, 100 cm x 120 cm.


Este trabalho surgiu da reflexão sobre dois grupos de imagens. Um, retratando culturas antigas ou tribais (Índios Australianos ou Africanos, objectos neolíticos, paleolíticos, símbolos religiosos antigos – Arquétipos); outro retratando tecnologia de ponta (espaço e ciberespaço, cenas futuristas e física moderna – Futuro).
Estes dois universos, com, aparentemente, nada em comum, induziram-me a uma reflexão profunda sobre que relação existiria entre o passado (tão longínquo) e um futuro (ainda por concretizar). Ao longo do desenvolvimento do projecto vou entendendo o que une estes dois mundos no meu trabalho, sendo que inevitavelmente resulta numa mistura de estéticas tribais com estéticas contemporâneas.
No paleolítico a imagem era o mito e o mito gerava imagem. A narrativa do significado do desenho era simbólica: já se usavam os símbolos. O homem do paleolítico tinha como necessidade emergente o alimento, isto gerava o trabalho, que ia desde os rituais com desenhos nas paredes das cavernas ou no próprio corpo, até á caça propriamente dita, e que, consequentemente gerava o consumo de alimentos.
O consumo de alimentos seria assim o fim do ciclo e o objecto daquela “arte”.
Hoje, apesar da fome que ainda existe, o objecto dos nossos desejos alterou-se, e o significado das nossas pinturas é mais complexo que nunca.
Ana do Souto Vasques, 7 de Outubro de 2011, Paris.



22/10/2011

Palavra-chave (2)

MARCO MOREIRA


Tijolo branco, 2011.
Folhas soltas de papel A4 cortadas mecanicamente e sobrepostas em forma de tijolo,
19,5 cm x 30 cm x 16 cm.

As obras apresentadas são um conjunto de ensaios, que resultam do início de um estudo que me propus desenvolver, sobre a prática e as matérias do desenho.
O desenho pelas suas características particulares, de ser um acto muito espontâneo e imediato, de estar na génese da criação, incluindo a própria escrita, de ter sido a primeira manifestação gráfica, estética e cultural na história da humanidade, incita a uma reflexão sobre a génese de si próprio.
Desta forma, no meu trabalho procuro convocar imagens e formas, criando um jogo entre significante e significado permitindo assim que exista um diálogo com a prática do desenho e as matérias que tradicionalmente o formam: a grafite e o papel.
Marco Moreira, 06/10/2011.



21/10/2011

Palavra-chave (1)

 MARGARIDA CARDOSO




Sansão, 2011.
Acrilico sobre papel, 100 cm x 70 cm.



As narrativas bíblicas do Antigo e Novo Testamento são temáticas incontornáveis na história da Pintura. É feita uma reinterpretação contemporânea tendo em conta os contextos sociológicos e os valores modernos que caracterizam o tempo actual. Nos três trabalhos expostos, só é possível descodificar a imagem através do nome ou do título que lhe é atribuído. É feita uma adaptação pictórica com base em fotografias antigas, onde os protagonistas são maioritariamente membros de uma família que, com as suas poses, vestimentas e expressões faciais, encarnam personagens e cenas do Novo Testamento. Aparentemente, está implícita uma realidade paralela: por um lado a narrativa pictórica, por outro a narrativa literária. Esta última é também uma manobra para o envolvimento do espectador, como autor no trabalho referencial do título que tece uma velatura sobre a pintura em si.

Um exemplo desta transposição é Sansão, representado como um jovem militar, trajando a farda dos comandos portugueses, de frontes sérias, em sentido, com o cabelo acabado de cortar. Conta a história bíblica no Novo Testamento que Sansão perdeu toda a sua força no momento em que lhe cortaram o cabelo. Esta aparente vulnerabilidade está presente em ambas as personagens, tanto a literária como a pictórica. As relações que se possam fazer despertam nos conhecedores da história outras conclusões e discurso. Também é este um objectivo da arte.


Margarida Cardoso, 26 de Outubro de 2011

20/10/2011

Palavras-chave - exposição no ISEG com a colaboração da FBAUL

«PALAVRAS-CHAVE»
exposição de artes plásticas
ISEG - FBAUL
OUTUBRO, 2011


Inauguração: 26 de Outubro às 17h.
Exposição: 26 de Outubro a 19 de Novembro de 2011.

«Palavras-chave» designa um conjunto de palavras que indicam as principais ideias de um texto. Elas sinalizam e delimitam as pesquisas necessárias a qualquer investigação. Este substantivo composto, escolhido como título de uma exposição visual, deve ser entendido como uma metáfora que justifica aparentes dissemelhanças formais e tecnológicas, que inevitavelmente resultam do carácter individual de cada projecto artístico. Mas a aproximá-los está o facto de este conjunto de obras corresponder a dez projectos estruturados em contextos de formação artística superior, muitos deles ainda em desenvolvimento, de acordo com a autonomia criativa que cada um dos seus autores determina.
Foi este o pensamento que estabeleceu os critérios utilizados para a escolha dos artistas e trabalhos que se expõem neste espaço, assim como também serviu para desenhar o conceito implicado no projecto que agora se inicia entre o ISEG e a FBAUL: autores que se encontram num processo de formação artística superior, integrados em qualquer um dos três ciclos de estudos, licenciatura, mestrado ou doutoramento.
Compreendemos que a produção artística não está dependente de uma estrutura académica, mas é nesta estrutura que se propiciam e se incentivam experiências orientadas pelo estudo e pela investigação. Estes investimentos, que no domínio artístico quase sempre começaram com idades muito jovens, quando prosseguem para níveis superiores, constituem uma mais-valia que deve ser ressalvada e valorizada, sobretudo pelas instituições que têm como missão incentivar o aprofundamento do conhecimento.
Nesta exposição, através das produções recentes de Miguel Proença, Ana do Souto Vasques, Luís Barata, Ângela Rodrigues, Marco Moreira, Margarida Cardoso, Anabela Mota, Matilde Mendes, Tiago Pereira de Alexandre e Samuel Duarte podemo-nos integrar nos seus projectos artísticos e constatar que o processo criativo é complexo e que as obras que nos são dadas a ver correspondem sobretudo a um resultado.
Cada um destes artistas corresponde a uma palavra-chave?
Metaforicamente sim, sem dúvida!
Uma palavra-chave tem um universo próprio, disponível para ser aberto, estudado e assimilado, mas também está integrada, com outras, numa estrutura coerente. Compete a cada um de nós estabelecer o grau de aproximação a esse universo, e desse modo ser também parte activa do processo criativo. O risco que correrá será somente o de percorrer caminhos desconhecidos.
Mas este risco foi sempre o mais aliciante da vida.

Ilídio Salteiro, 2011.

03/06/2011

As actas do CSO'2011 - Criadores sobre outras obras


Está disponível desde 3 de Junho, no sítio do Congresso CSO, o volume de actas do último Congreso CSO´2011, decorrido na FBAUL de 15 a 17 de Abril.O volume em pdf, denominado Quando os criadores apresentam obras de outros criadores: Actas do II Congresso Internacional Criadores Sobre Outras Obras - CSO´2011 integra todas as comunicações apresentadas no CSO´2011, num total de 97 comunicações internacionais, constituindo um documento de 679 págs (16 Mb) com o ISBN: 978-989-8300-14-0.

02/06/2011

Será que o rei vai mesmo nu?... Anish Kapoor em San Giorgio Maggiore

Notes from the Venice Biennale: Anish Kapoor's 'Ascension' falls flat before big crowd


Los Angeles Times, June 1, 2011
2:04 pm

Anish Kapoor's "Ascension" simply did not rise to the occasion. The popular British-based artist has done a version of the project before in secular spaces, but this week marked his first go at a sacred space. The idea was to rig the historic Basilica di San Giorgio to create a column of smoke, or shaft of light, that appears to rise from a central well of his own design and ascend all the way to the vaulted ceiling.
But by the time the piece opened last night for the crowds, it looked more like a wisp of steam escaping from a pot of pasta, as in the image at right. The work, one of several dozen "collateral" projects connected to the Biennale, was clearly on the blink.
You might think anyone on the busy Biennale circuit would quickly move on. Think again.
The technical problems, now said to be resolved, didn't stop a steady stream of visitors from claiming the pews near the figment of an artwork and staring into space, as though some revelation were in the making.
After leaving the basilica, Rani Singh of the Getty Research Institute called it a classic case of the contemporary-art emperor wearing no clothes. "What I found humorous was watching all the people pay such close attention to this thing-to nothing."

Mundo Novo & Natura Naturans

Exposição de Ilídio Salteiro e Dora Iva Rita no Salão da SNBA, Sociedade Nacional de Belas Artes em  Lisboa, de 6 de fevereiro a 2 de março ...