30/05/2017

A 57ª Bienal de Veneza está a decorrer: quem são os premiados desta bienal?

Carolee Schneemann (USA, 1939) foi premiada com um leão de ouro pela sua carreira artística, acentuando desse modo a importância, na 57ª edição da  Bienal de Veneza, da performance, do corpo e do universos do artista, de algum modo justificando a atribuição dos prémios, muito centrada numa ideia de interação e partilha de experiências.
Faz pois sentido que o leão de ouro para a melhor participação nacional tenha distinguido o pavilhão da Alemanha com uma instalação / performance de Anne Imhof (G,1978) intitulada Faust, sobre o poema dramático de Goethe o qual nos remete para os grandes arquétipos cultural ocidental.  Foi ainda atribuída uma menção especial ao pavilhão do Brasil, com uma instalação de instalações de Cinthia Marcelle (B, 1975) plena de conteúdos sobre situações de crises, de Brasil, de naufrágios, de pedras entre gradeamentos, vídeos, têxteis, cordames e uma cor preta acastanhada global inserida em cubo branco.
Como melhores participações individuais na exposição Viva Arte Viva da responsabilidade curatorial de Catherine Macel, foram designados Franz ErhardWalther (G, 1939) com um leão de ouro e Hassan Khan  (UK, 1975,) com um leão de prata.
Franz ErhardWalther apresenta Wall Formation “Toward Rotation”, uma pintura textil disponível para diversas interactividades fomentadoras de relações humanas. Por outro lado Hassan Khan foi premiado pela sua Composition for a Public Park, uma composição musical emitida em permanência por uma dezenas de alto-falantes espalhados num jardim, visualmente muito simplificada e auditivamente rica e enigmática.
Ambos exigem tempo e permanência.
Nestas estas obras a parte contemplativa e voyeurista com que geralmente se confronta o visitante, está perfeitamente secundarizada. Pede-se mais. Pede-se que ele participe, que ele interaja, que ele construa a obra, mesmo quando está  no jardim, deitado sobre a relva e sob o som do concerto composto por Hassan Rhan, preenchido com interrogações sobre a arte e a vida, o mundo e a humanidade.
Dois outros artistas foram distinguidos com menções especiais. Uma menção para CharlesAtlas (USA, 1949) premiando as vídeo-performances intituladas A Tirania da Consciência e Lady Bunny que abordam questões sobre austeridade, frustração e sexualidade. E uma outra menção para Petrit Halilaj (K, 1986) com uma, pintura textil informal intitulada Do you realise there is a rainbow even if it’s night!? onde cor-textura, flexibilidade, afeto e proteção conciliam corpos com natureza, e propiciam experiência viva à simples matéria das coisas. Está-se perante a linha autônoma das matérias têxteis como desenho de redes e escritas poéticas sobre a natureza e as formas dos mundos.
Muito mais há para se ver e pensar nesta grande exposição, onde  estão presentes o desenho, a pintura textil, a performance, a instalação ou o vídeo requerendo constantemente ao visitante que deixe de ser espectador, uma entidade passiva e de vez em vez crítica e passe a ser uma entidade positiva, construtiva através da partilha, da interação, da participação e vivência. Privilegia-se sobretudo a prática artística e o debate como momentos e centros promotores de  pretextos, de processos e de pesquisas.




Anne Omhof, Faust, 2017.








Cinthia Marcelle, Chão de Caça, 2017.  Floresta de Sinais, 2017.  Cobra Patuá, 2017.   Nau ( coma colaboração de Tiago Mata Machado), 2017.








Franz Erhard Walther, Wall Formation “Toward Rotation”, 1989






Hassan Khan, Composition for a Public Park, 2017






Charles Atlas, 2017.








Petrit Halilaj, Do you realise there is a rainbow even if it’s night!?, 2017.


Ilídio Salteiro, Veneza, 26 de maio de 2017.

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