22/04/2012

É Estranho - inauguração dia 27 de abril


ISEG - Instituto Superior de Economia e Gestão
Inauguração: dia 27 de Abril de 2012, às 21 horas.
Horário: de 4ª a 6ª das 9h às 21h e sábado das 9h às 14h.
Morada: Rua do Quelhas, 6 - 1200-781 Lisboa.
Telefone: +351213925800.

21/04/2012

É Estranho - ISEG - Inauguração: 27 abril, 21h

É ESTRANHO

I
São estranhos os encontros não esperados,
Estranho será TUDO o que não se conhece,
NADA é importante, mas TUDO é muito importante,
Cada DECISÃO por si não pesa, um milhão de DECISÕES pesam muito.
Cada obra é um mundo em precedência.
Aparentemente tudo se sabe: diversidade de matérias, diversidade de pontos de vista, diversidade de histórias… mas depois já NADA será igual porque se inicia um percurso solitário através das sensações absorvidas que são inevitavelmente inquietantes e actuantes.
E se tal não acontecer… não aconteceram.
E é esse desconhecimento inquietante que reconstruirá os objectos que delimitam a humanidade e mapeiam o mundo de cada um de nós.

II
Apesar de conhecer pessoalmente todos os nomes aqui presentes e de em alguns casos participar na cumplicidade do seu processo criativo e saber que cada um possui a sua verdade estruturante, o inquietante é desconhecer o que acontecerá depois.
O conjunto de trabalhos reunidos nesta exposição, intitulada «é estranho», resulta da continuação do trabalho de parceria entre o Instituto Superior de Economia e Gestão e a Faculdade de Belas Artes.
Os factores que nos conduziram à selecção dos projectos expostos, diversos nos modos e nos processos individuais, resultam do entendimento da «coisa» artística sob um ponto de vista cultural e não apenas formal, da clara percepção da importância da dúvida na formulação de interrogações e na obtenção de respostas, da clara observância de que as formas em vez de serem vistas como um resultado da causa são sobretudo consequentes, e do pensamento sobre a constante, e por vezes absurda, necessidade de inventar novos modos de transformar a matéria.
A necessidade antecede a explicação.

III
A uni-los, talvez apenas esteja o meu olhar:
Em Anabela Mota impressionou-me a poética dos lugares e da luz,
Em Andreia César, a persistência expressiva dos papéis pintados de negros, cruzando horizontais com verticais, com sucessivas sobreposições e ocultações que desvendam paisagens impossíveis,
Em Carolina Quirino, uma linha que define formas contrastantes, umas após outras, num jogo onírico de possibilidades infinitas,
Em Eduardo Fonseca impressionou-me a simplicidade foto-pictural, a lógica dos momentos parados no tempo e a construção da pintura de acordo com os princípios do desenho,
Em Ivo Rodrigues, a matéria transformada pelo fogo e a reconstituição e multiplicação dos fragmentos de um rosto desconhecido.
Em Joanne Hovencamp, a pedra transfigurada em homem, em corpo, arquitectónica, como suporte perene do pensamento,
Em João Maciel, a acção e intervenção através da reflexão entre exterior e interior, recolectando, transformando e (re)presentando verdades,
Em Roberto Caló, uma volumetria dada pela luz que ilumina expressões e anatomias desconfortantes,
Em Sara Morais, registos de sugestivos corpos sãos, saudáveis, fortes e belos, mas fragmentados no tempo e no espaço.

IV
O mundo não é plano, ao contrário do que se pode pensar.
É óbvia a facilidade da comunicação através das grandes redes de sistemas que hoje dominam e nivelam o mundo. As distâncias são mais fáceis e curtas. As diferenças culturais esbatem-se, perigosamente!
Porque nem o mundo, nem muito menos a arte, são bidimensionais. Essa bidimensionalidade apregoada há muito como um paraíso global, conduziu a arte por modelos universalmente centralizados e tendencialmente provocadores de um pensamento desumanizado, porque está focalizado numa espécie de fast art como solução ideal.
Mas é a multidiversidade de processos e a legitimidade de cada um deles, que garantem a liberdade de construir e de existir e consequentemente o factor humano ao nosso tempo.
Assim, este conjunto de obras é apenas uma pequena parte do tesouro colectivo multidiverso, construído por qualquer estranha necessidade que antecede qualquer explicação.



Ilídio Salteiro, Abril de 2012




ISEG - Instituto Superior de Economia e Gestão
Inauguração: dia 27 de Abril de 2012, às 21 horas.
Horário: de 4ª a 6ª das 9h às 21h e sábado das 9h às 14h
Morada: Rua do Quelhas, 6 - 1200-781 Lisboa
Telefone: +351213925800

19/04/2012

O Art < 30 de Barcelona, é dirigido a artistas das escolas de belas-artes de Espanha+Lisboa+Bordéus.
Enviem um portfolio com 10 imagens até 10 de maio, para espanha. Se for selecionado como finalista a organização paga imediatamente 500 euros de ajuda à produção e transportes. Os artistas escolhidos e os seus 5 trabalhos selecionados, que constaram do portfolio, estarão presentes em exposição em Barcelona e em outros locais. Também se garante que haverá aquisições por empresas.
É uma boa proposta! Poderão apresentar portfolios consistentes, coerentes, e actuais, podendo ser um dos 10 selecionados, para um total de 100 concorrentes, em média.
Ver o regulamento detalhado aqui.

05/03/2012

GAB-A

A GAB-A, Galerias Abertas de Belas-Artes, é uma iniciativa da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa que acontece nos dias 24 e 25 de Março de 2012, entre as 14 e as 21 horas.
Esta faculdade de Belas-Artes é uma instituição centenária, sediada na Baixa-Chiado em Lisboa, na qual diariamente se pensa o processo criativo e se produz matéria artística por aqueles que irão ser alguns dos protagonistas do mundo da arte num futuro muito próximo.
A abertura da faculdade ao exterior é um desejo de todos e demonstra uma disponibilidade para o diálogo com quem nos visitar. Não se trata de uma exposição! Apenas se trata da abertura dos espaços de trabalho, em pleno funcionamento, e povoados com a matéria artística já produzida ou mesmo em fase de produção.
É um momento para se ver e mostrar tanto as oficinas / laboratórios, como os trabalhos e experiências que nelas se estão a desenvolver, de acordo com os planos de estudos e objectivos de cada aluno. Os trabalhos, feitos nas mais diversas tecnologias e com as mais diversas estratégias e metodologias, encontram-se estruturados pelas áreas do Desenho, da Escultura, da Pintura, da Multimédia e do Design.
Para a participação nesta iniciativa é necessário apenas estar presente, divulgar ou dialogar.

19/11/2011

Nós e todos os outros...


Luís Herberto, Dançam nos meus passos...,2011. Óleo sobre tela, 195 cm x 292,5 cm.

18/11/2011

Dos corpos pouco gloriosos

DOS CORPOS POUCO GLORIOSOS

A primeira evidência que se destaca da nova série de trabalhos de Luís Herberto é a sua qualidade retratística. Todos eles foram realizados a partir da pose dos modelos com quem habitualmente trabalha. Não lhes conhecemos os nomes. Mas podemos identificar com facilidade as feições e os modos, os gestos dos corpos que se prepararam para ser olhados por durante um período de tempo mais ou menos longo, a roupa, enfim, que quase sistematicamente traduz a idade, o lugar social e a função: jovem ou adulto, trabalhador ou ocioso, talvez um (ou uma) colega ou um amigo. Ou mesmo, nada de tudo isto: o retrato, ao fixar na tela a imagem da pessoa retratada, tem esta capacidade de convocar no observador a projecção psicológica e vivencial do retratado. Que pode, ou não, coincidir com a verdade. (Ler o texto de Luisa Soares de Oliveira)


17/11/2011

Luis Herberto: Nós e todos os outros...

«Nós e todos os outros…» é o título de uma exposição nos espaços do Instituto Superior de Economia e Gestão nos quais se podem ver as mais recentes obras de Luís Herberto. A inauguração tem lugar no próximo dia 23 de Novembro de 2011 às 18 horas e a exposição encerra no dia 26 de Janeiro de 2012.

ISEG – Instituto Superior de Economia e Gestão. Rua do Quelhas, nº 6 em Lisboa.
Horário: 2ª a 6ª feira das 9h às 21h e sábado das 9 às 14h. Encerra aos domingos e feriados.


Luís Herberto
NÓS E TODOS OS OUTROS…


A exposição de Luís Herberto no Instituto Superior de Economia e Gestão enquadra-se num projecto que conta com a colaboração da Faculdade de Belas-Artes de Lisboa. A colaboração entre estas duas instituições de ensino superior acontece por causa do interesse, da sensibilidade e da partilha das questões artísticas e culturais do nosso tempo e por causa da oportunidade de se seleccionarem e mostrarem projectos artísticos relevantes, independentemente do seu estado evolutivo poder situar-se nos domínios da génese ou da maturidade.
No caso desta exposição, que se inaugurará no dia 23 de Novembro de 2011, estamos, seguramente, na presença de um trabalho de grande maturidade, resultante do processo criativo de Luís Herberto, fundado na investigação continua em arte que a profissão de pintor requer.
Neste seu projecto artístico, Luís Herberto faz-nos reviver a boa pintura da tradição figurativa da cultura ocidental, expressiva pelo toque, pela denúncia dos gestos e pela insinuação de um tempo-espaço que apenas essa área da expressão artística consegue transmitir. O recurso ao modelo é uma metodologia constante para a representação de atitudes e acontecimentos cuja veracidade extrapictórica é irrelevante. Mas não é irrelevante o modo como o sentido pictórico de L.H. nos mostra esses modelos.
Eles atingem a dimensão de grandes protagonistas, mantendo no entanto velados os conceitos de retrato ou auto-retrato enquanto géneros. Os seus modelos, na intimidade do estúdio, predispuseram-se ao trabalho de serem os representantes de uma geração. Eles estão envolvidos em cumplicidades insinuantes aos olhos do observador, o qual inevitavelmente se confunde entre aquilo que se percepciona e a materialidade física de obra feita com os gestos que modelam as formas, os espaços, a luz e a cor.
A pintura de Luís Herberto recupera, sem preconceitos, os processos oficinais tradicionais, impregnando-a com a dimensão pertinente que a nossa actualidade exige.
Ilidio Salteiro, 2011.

31/10/2011

Inauguração da exposição «Palavras-chave»

Da esquerda para a direita: Ilidio Salteiro, João Paulo Queiroz, vice-director da FBAUL, João Luis Duque, Preidente do ISEG e Marco Moreiro, autor do Tijolo Branco (uma construcção em papel A4 sobreposto).

30/10/2011

Palavra-chave (10)

SAMUEL DUARTE

A partir de imagens de explosões de um conjunto de objectos, então fragmentados, surge o caos pictórico. É assumida a fragmentação do objecto, tendo em conta os seus elementos estruturais e não a sua unidade enquanto forma. A estrutura de uma pintura é o desenho e tudo o que lhe é inerente: os seus elementos básicos como a linha, a mancha, os espaços e a cor.
Assim, o objecto esboçado repercute a gestualidade e a impulsividade desses mesmos elementos, como uma explosão. As formas avançam em direcção ao espectador, consciencializando-o da profundidade, espaço e relação entre as mesmas. O dinamismo e a agressividade são reforçados pela gestualidade que o material riscador (material que mais se relaciona com o desenho do que com pintura) proporciona.
Os objectos assumem-se então como poeiras, restos, deixam de ser objectos. Tornam-se formas indefinidas, quase sem contorno, que se fundem e desvanecem no próprio fundo/espaço.
Samuel Duarte, Outubro 2011

29/10/2011

Palavra-chave (9)

TIAGO PEREIRA DE ALEXANDRE

Interna, Urbana eterna.
Dois desenhos: É prática corrente sair do atelier como forma de distanciamento do que estou a fazer e dar longas caminhadas, vaguear pela cidade. Nestas caminhadas tendo a agir como um caçador recolector de informação visual e de material para os próprios desenhos. Tendo a pegar em material orgânico. Pequenos objectos como sementes de árvores, folhas, ramos com formas atractivas, restos orgânicos, coisas que me agradem e que aparentemente foram perdidos, deixados e ignorados. Coisas sem valor aparente mas que a mim me despertem algo pela sua forma, textura ou cor
Os primeiros desenhos tinham o carácter de registo, quase obsessivo, uma espécie de desenho científico. O trabalho começou a tomar direcções apenas quando apareceu. Ao observar o conjunto de desenhos apercebi-me que aqueles registos que em tanto investi para serem tão explícitos poderiam ser aquilo ou outra coisa qualquer. Sugeriam desenhos anatómicos, as notas e as legendas faziam com que parecessem material de estudo e investigação arqueológica, tudo menos o lado naturalista talvez ambicionado. Aumentei a escala. Essa escala suscitou a experimentação de novos materiais e registos expressivos. Os objectos ganharam forças visuais distintas e passaram a ser constituintes de um todo. A Paisagem.
Foi muito importante a articulação entre a figura e o fundo, neste caso o próprio suporte, o papel. O enquadramento e o jogo de equilíbrios e desequilíbrios no espaço do desenho são as minhas fortes motivações no acto de desenhar.

Poisos para Pássaros: Desde a infância que a minha relação com os pássaros se estreita. Começou na época em que corria atrás dos pombos junto à igreja de Moscavide e pedia à minha mãe para me comprar sacos de milho para os alimentar, com sorte agarraria um ou outro pela asa…e as tardes, as tardes passadas debaixo de uma figueira de pistola de pressão de ar em punho, as armadilhas de arame estendidas e o “bisgo”, o bisgo colocado em locais estratégicos com ou sem chamariz.
Com o tempo, a vontade de os apanhar foi diminuindo mas, em contrapartida, as caminhadas pelas Lezírias e a vontade de subir às árvores sempre que vejo um ninho têm vindo a aumentar. São muitos os pássaros do meu fascínio, ainda mais aqueles que apenas pelo seu cantar reconheço.
Há já há algum tempo que linhas verticais e horizontais se apoderaram do meu caderno, nunca tentaram de modo algum ocultar a figura humana, penso que apenas as transformaram em formas quase arquitectónicas. O espaço, esse é o meu fascínio. Os equilíbrios e os desequilíbrios das linhas ligam o chão ao céu.
A junção da palavra Poiso com a forma e as linhas do objecto formou-se a partir da poesia, ou então talvez a partir do momento em que as decidi juntar…
Tiago Pereira de Alexandre, 2011.

Depois da ARCO Lisboa 2026 e Edgar Morin

Como o Mundo pode ser dividido de muitas formas, uma delas é a seguinte: por um lado, temos a cultura, por outro temos a ignorância. Seres c...