01/01/2015

The Forever Now: Contemporary Painting in an Atemporal World

The Forever Now: Contemporary Painting in an Atemporal World




Laura Owens. Untitled. 2013.
Flash paint, synthetic polymer paint, and oil stick on canvas, 349.3 cm x 304.8 cm.
The Museum of Modern Art, New York.

18/12/2014

Retábulo - Casa de Santos

 Retábulo - Casa de Santos
Keith Haring, A Vida de Cristo,

Retábulo - Casa de Santos

...Quando vemos ou ouvimos o sino de uma qualquer torre de igreja, a nossa atenção é convocada para um lugar e uma arquitetura diferentes de tudo o resto. O nosso pensamento desloca-se inevitavelmente para o espaço interior que um templo delimita e para as coisas sagradas que guarda. Coisas visuais feitas de cores, texturas e formas, permanentemente cuidadas e usufruídas por comunidades regionais com consciência do «valor essencial» e do «bem coletivo» que possuem....

 Retábulo Casa de Santos

06/07/2014

Colonos e periferias



Numa conversa de corredor
De conteúdo sério que há muito se desvaneceu
O que me sobressaiu foi uma afirmação entre vírgulas.
..., Eu até sei pintar!,...
Uma interrogação:
Que coisa grande e recente estará por detrás desta afirmação?
Só hoje a descobri.
E confirmei!
A obra existe e produz efeito muito antes de ser vista.


Antes tinha percorrido a livraria do CCB
Livro após livro, lombada após lombada, tudo foi visto.
Tudo em língua inglesa, pouco em francês.
E nenhum sobre assuntos e autores portugueses
Duas exceções: dois artistas portugueses escritos em inglês.
Uma livraria igual a todas as livrarias de qualquer museu ou centro cultural à moda da Europa ocidental.
Mas pior por ser muito menor e pouco atualizada.
Conclusão:
Não temos artistas portugueses, não temos arte portuguesa, não temos cultura portuguesa.
Minto: temos dois!
Alegremente, aceitamos ser PERIFERIA. Aceitamos reconhecidamente a paternidade do COLONO inteligente, iluminado e nosso amigo.
Um perigo mascarado de internacionalização.
 I.S. - 6/7/2014

02/07/2014

Santa Bárbara de Nexe

I.Salteiro, 2014


Santa Bárbara de Nexe


Apesar de o mundo ser simultaneamente
imenso,
macro
e heterogéneo,
tentam fazer-nos passar a ideia
de que ele é global,
plano
e homogéneo.

E quase sempre o conseguem, com muito êxito!

Esta circunstância cria a perigosa sensação de conhecermos o mundo,
quando afinal o que conhecemos
são,
quando muito,
pequenas versões desse mundo.

Mas são estas «versões»
a imposição
com a qual intimamente me insurjo.

Prefiro ser livre!

Somos um centro do mundo
e temos direito à nossa versão do mundo.

É muito difícil compreender por que razão nos escusamos a aceitar esta verdade tão óbvia, para aceitarmos,

por questões de mero comodismo,

as versões do mundo dos outros.
Admitindo sermos vulgares habitantes da caverna de Platão.


O que não devemos ser!.....

Ilídio Salteiro, 2014.

14/05/2014

Aberto Caeiro, Seja o que for que esteja no centro do Mundo......

Alberto Caeiro

Seja o que for que esteja no centro do Mundo, 
Deu-me o mundo exterior por exemplo de Realidade, 
E quando digo "isto é real", mesmo de um sentimento, 
Vejo-o sem querer em um espaço qualquer exterior, 
Vejo-o com uma visão qualquer fora e alheio a mim.
Ser real quer dizer não estar dentro de mim.

Da minha pessoa de dentro não tenho noção de realidade.
Sei que o mundo existe, mas não sei se existo.
Estou mais certo da existência da minha casa branca
Do que da existência interior do dono da casa branca.
Creio mais no meu corpo do que na minha alma,
Porque o meu corpo apresenta-se no meio da realidade.
Podendo ser visto por outros,
Podendo tocar em outros,
Podendo sentar-se e estar de pé,
Mas a minha alma só pode ser definida por termos de fora.  
Existe para mim — nos momentos em que julgo que efetivamente
        existe —
Por um empréstimo da realidade exterior do Mundo

Se a alma é mais real
Que o mundo exterior como tu, filósofos, dizes,
Para que é que o mundo exterior me foi dado como tipo da realidade"

Se é mais certo eu sentir
Do que existir a cousa que sinto —
Para que sinto
E para que surge essa cousa independentemente de mim
Sem precisar de mim para existir,
E eu sempre ligado a mim-próprio, sempre pessoal e intransmissível?
Para que me movo com os outros
Em um mundo em que nos entendemos e onde coincidimos
Se por acaso esse mundo é o erro e eu é que estou certo? 
Se o Mundo é um erro, é um erro de toda a gente.
E cada um de nós é o erro de cada um de nós apenas.  
Cousa por cousa, o Mundo é mais certo.

Mas por que me interrogo, senão porque estou doente?
Nos dias certos; nos dias exteriores da minha vida, 
Nos meus dias de perfeita lucidez natural,
Sinto sem sentir que sinto,
Vejo sem saber que vejo,
E nunca o Universo é tão real como então,
Nunca o Universo está (não é perto ou longe de mim.  
Mas) tão sublimemente não-meu.

Quando digo "é evidente", quero acaso dizer "só eu é que o vejo"?
Quando digo "é verdade", quero acaso dizer "é minha opinião"?
Quando digo "ali está", quero acaso dizer "não está ali"?
E se isto é assim na vida, por que será diferente na filosofia?
Vivemos antes de filosofar, existimos antes de o sabermos,
E o primeiro fato merece ao menos a precedência e o culto.

Sim, antes de sermos interior somos exterior.
Por isso somos exterior essencialmente.

Dizes, filósofo doente, filósofo enfim, que isto é materialismo.
Mas isto como pode ser materialismo, se materialismo é uma filosofia,
Se uma filosofia seria, pelo menos sendo minha, uma filosofia minha,
E isto nem sequer é meu, nem sequer sou eu?

Depois da ARCO Lisboa 2026 e Edgar Morin

Como o Mundo pode ser dividido de muitas formas, uma delas é a seguinte: por um lado, temos a cultura, por outro temos a ignorância. Seres c...