29/01/2019
02/12/2018
15/10/2018
1º Congreso Internacional ARTE, NATURALEZA Y PAISAJE EN EL MEDITERRÂNEO
Em Ojós, uma pequena cidade na região norte de Murcia, em
Espanha, realizou-se nos dias 11, 12 e 13 de outubro de 2018 o I Congresso
Internacional Arte, Naturaleza y Paisaje en el Mediterrâneo (https://www.artenaturalezapaisaje.com/).
No seio de uma paisagem surpreendentemente expressiva,
simultaneamente agreste e fértil, permanente mente desenhada por sombras de
montanhas projetadas sobre vales, sinalizou-se o Mediterrâneo como espaço de
limites e fronteiras (Nélida
Mendoza, Colgando
Paisajes), falou-se dos elementos naturais em confronto com
conceitos artificias de paisagem fabricada (José María Egea Fernández, Paisaje agrario e identidad territorial), referiram-se
soluções de educação no formal no âmbito da relação professor – artista (Lucia Loren, Arte, paisaje y educación
desde un prisma eco-social), sublinhou-se a importância dos
pequenos núcleos museológicos (Carmen Berrocal Caparrós, Street Art y Patrimonio. Campaña de divulgación del patrimonio
paleontológico de Cueva Victoria a través del arte callejero en el paisaje
urbano de la Diputación de El Beal), salientou-se o valor
humanista da ação artística no contexto da cultura ocidental e do pensamento e
arte contemporâneos apresentando-se soluções em curso para a sustentabilidade
dos patrimónios naturais e paisagísticos (Giacomo Bianchi, Il progetto di Arte Sella ed il suo impatto sul territorio" ou João Castro Silva, La Luzlinar y el Jardín de las
Piedras. Un proyecto de actuación artística a cielo abierto).
Dias intensos de diálogos e apresentação de muitas ideias e
projetos que visam consolidar, em torno do Mediterrâneo, os valores
civilizacionais que hoje perigam.
As questões da ecologia e da sustentabilidade, do património
cultural passado e da educação, e a produção artística contemporânea como a
produção do património cultural futuro, estiveram presentes em todas as
comunicações.
De facto, a importância da preservação da memória para a
construção de futuros humanistas terá sido a mais-valia retirada deste encontro
de pessoas em momento de partilha das matérias das suas investigações.
Será bom que este 1º congresso seja impulsionado para a
realização de muitos mais, com a periodicidade que a logística dos meios
possibilitar, porque o Mediterrâneo é o berço civilizacional onde residem as raízes
da nossa cultura. No início do século XXI surgiram alguns movimentos que vêm
esta água e estas margens como um todos rico na diversidade com urgência em ser
pacificado. Salientamos Love Difference,
uma iniciativa de Miguel Angelo Pistoleto (http://www.lovedifference.org/)
e a Fundación Tres Culturas (http://tresculturas.org/)
Ojós é, na realidade, um oásis, juntamente com Archena, Ulea,
Blanca e Ricote. Mas metaforicamente também o é, neste tempo de conflitos
ambientais e politicos de toda espécie. Oásis onde o pensamento sobre Natureza,
Paisagem e Mediterrâneo são o fator aglutinador de concórdias entre diferentes
pontos de vistas. É este o valor maior da Arte.
Na Natureza os territórios, as fronteiras e os limites são elementos
de discórdias. Mas as paisagens são a perceção global do todo, o entendimento
do outro, porque aquilo que espirito abarca nunca possui fronteiras geográficas
nem limites.
Aguardamos os próximos congressos.
Ilídio Salteiro, 2018.
23/05/2018
22/05/2018
21/05/2018
20/05/2018
Arquipélagos e Constelações, Ilha 1
Ilídio Salteiro, Ilha 1, 2013. Óleo sobre tela, 27 x 36 cm
ARQUIPÉLAGOS
E CONSTELAÇÕES
ILÍDIO SALTEIRO
Arquipélagos
e Constelações, reúne um conjunto
diversificado de «quadros» que integram séries, muito numerosas e mais ou menos
prolongadas no tempo, produzidas entre 2006 e 2018.
Nesta seleção podemos percecionar um fio condutor em
cada um, que acaba por ser elo de união com muitos outros. Este fio condutor corresponde
a entendimentos estéticos de diversa índole sobre as formas, a iconografia, o espaço
e a luz, e sobre a geografia e a política. Nele vão-se problematizando e discutindo
as questões que a pintura e a arte levantam, sobre a matéria e a natureza, através
da linguagem plástica e pictórica, concretizadas em «quadros», sistemática e exaustivamente.
A Pintura é uma ação do pensamento sobre a matéria! É um processo de
pensamento fundamentado nos modos de rever e refazer o mundo transformando as
matérias, físicas e conceptuais, que o compõem. A Pintura refaz, reorganiza,
recompõe, reordena e enfatiza as matérias universais, conhecidas ou desconhecidas
(Salteiro, O Centro do Mundo, 2013, p. 12).
Cada obra acaba por ser disso testemunho, um
testemunho que nos coloca perante as anatomias do pensamento humano. Arquipélagos
e Constelações, o título dado a esta reunião de «quadros», corresponde a
conceitos equiparáveis pela união na diversidade e pelos elos endógenos de cada
elemento face aos outros e ao todo.
Estas vinte pinturas são fatores de ligação de
pensamentos particulares a um outro pensamento universal, que no tempo presente
apenas será abarcável, no seu todo, pela vivência da arte e pelo processo intimista
da feitura desta.
Ilídio Salteiro (1953), é artista-plástico pintor, investigador e professor de pintura na
Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Expõe regularmente desde
1979, participando na LIS’81-2ª Bienal de Desenho em 1981 e na III Exposição da
Fundação Calouste Gulbenkian em 1986. Está representado na Coleção Culturgest e
em outras coleções públicas e privadas. Realizou trinta e duas exposições
individuais, das quais se destacam O
Centro do Mundo no Museu Militar de Lisboa em 2013, Faróis e Tempestades na galeria da FBAUL e Uma Viagem na Minha Terra no Museu de Lanifícios na Covilhã em
2018. Participa desde os anos 80 em diversos projetos de curadoria e de
intervenção social, cultural e artística.
URL:
04/04/2018
06/02/2018
14/01/2018
Prospeção
Prospeção
Por Ilídio Salteiro
… a ilha está cheia de ruídos sonoros, de sons e de músicas
suaves que agradam e não fazem mal. Às vezes, mil instrumentos ressoam-me aos
ouvidos; outras vezes, são vozes tão doces que, se estou acordado depois de um
sono prolongado, me tornam a adormecer; então, em sonhos, parece-me que as
nuvens se abrem e vejo riquezas sem conta que vão chover sobre mim; assim é
que, quando acordo anseio por sonhar outra vez…. (Shakespeare, Tempestade)
A Pintura faz-se do ver e do partilhar. Dito deste modo, a
Pintura é apenas visão, versão, aparição, desvendamento ou descoberta. E o
pintor é aquele que a dá a ver, que a põe a descoberto e a partilha aos outros!
Consideramos a Pintura como aquilo que ─ contrariamente ao
que “alguns” pensam e argumentam hoje sobre arte ─ cura, revoluciona, rompe e
corta! Encaramo-la como aquilo que não pode ser reduzido a coisa cenográfica,
temporária! Nem ela mesma como objeto, nem o lento processo de investigação que
a originou, nem o arriscado processo de prospeção sucessiva que envolve, desde
que não estejamos a falar de um mero exercício de habilidades tecnológicas ou
outras. É, acima de tudo a formalização de pensamento vivo, humanista, que
reforça a força da esperança que permanece depois de tudo findar ─ com
reinícios constantes.
O conjunto de óleos e acrílicos sobre tela, composto por
paisagens e territórios povoados com sinais de vida, reunido neste livro sob a
titulação de Faróis e Tempestades, corresponde a uma seleção de treze obras
realizadas durante 2017 em torno de três eixos conceptuais definidos por livro
antigo, coleção e biblioteca. Estes “eixos” têm de comum o facto de nos
oferecerem possibilidades de ordenação do caótico, do confuso ou do
movimentado, ou simplesmente de tudo aquilo que se encontra sujeito a eternas
mudanças. Dominam as tempestades (Shakespeare s.d.).
A génese da civilização pré-diluviana em Babel, numa torre
única e universal, no Génesis (Crumb 2009), marca o início mítico de uma
cultura ocidental, onde o desejo de globalização e de centralismo, revelando-se
ser desmesurado, conduz a civilização para a multiculturalidade universal que
conhecemos. Esta ideia de Babel foi o ponto de partida destas obras, entendida
como ascensão e queda, como uma força globalizante em confronto com a
diversidade, ou seja, em confronto com as grandes dicotomias que vão tecendo o
nosso quotidiano. Uma ideia de Babel como arquitetura numa paisagem com
capacidade para simultaneamente agregar e disseminar, tal qual a linha de água
e o ritmo das marés junto à costa, umas vezes com grandes amplitudes e outras
com amplitudes mínimas. Uma ideia que nos conduziu naturalmente em viagens por
paisagens mentais de territórios nunca vistos, terras incógnitas, disponíveis
para as múltiplas descobertas.
Adquirindo corpo a ideia de ilha, de costa, de maré ─ de
linha entre solido e liquido. Uma linha determinante para o desenho de ilhas
aparecidas, ilhas de terra sem nome, longínquas, como aquela que Trezenzónio,
um monge galego, avistou do alto da torre de Hércules na Coruña no século VIII
e descreveu como sendo a Grande Ilha do Solstício. Uma ilha desenhada no
horizonte pelos raios do sol nascente, com um templo-torre, dedicado a Santa
Tecla. Uma imagem de um lugar distante, uma ilha paraíso onde tudo é perfeição
e harmonia e onde não existe tempo (Lucas, 1991).
Partilhamos estas palavras sobre algum do pensamento que
acompanhou a execução destas pinturas, íntima e silenciosamente, prospetando
naqueles passados assinaláveis e apenas aparentemente longínquos ─ Babel,
Grande Ilha do Solstício e Tempestade ─ os caminhos que todos nós vamos
percorrendo hoje, como descobridores do futuro, curando a sociedade da doença
da incivilidade, revolucionando paradigmas, rompendo preconceitos e cortando e colando
as boas coisas em códigos renovados e atualizados.
Referências
Lucas, Maria Clara de Almeida (1991). “Insula Solistitionis:
uma ilha iniciática”. In Yvette Centeno e Lima de Freitas, A simbólica do
espaço: cidades, ilhas, jardins. Lisboa: Estampa, pp. 73-85.
Crumb, Robert (2009), The Book of Genesis, Nova Iorque: W.W.
Norton &Company Ltd.
Shakespeare, William (s.d.). A Tempestade. Porto: Lelo &
Irmão Editores.
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