Os museus são geralmente entendidos como lugares de aprendizagem e inspiração, como a casa das musas. Embora os primeiros museus tenham as suas origens nas primeiras colecções formadas na era helenista, e em Alexandria dos Ptolomeu, em particular, a instituição como a conhecemos hoje é essencialmente uma criação do Iluminismo, no final do século XVIII. Como outras instituições do Iluminismo, o museu foi interpretado com uma função educativa, como sendo um local capaz de organizar e expor os testemunhos da arte e da natureza. Inerente a esta concepção do museu é a ideia da instituição como espaço público, dedicado à difusão do conhecimento. Esta noção do museu contrasta em absoluto com o tesouro medieval ou gabinete de curiosidades da Renascença, onde as raridades eram reunidas tanto como troféus como para uma contemplação privada associada ao lazer. Mas olhar para a arte é tanto uma experiência sensorial como pedagógica. Recentemente, o museu tornou-se a catedral ou templo dos nossos tempos, um lugar de experiência "religiosa" ou quase-religiosa. A oportunidade para se usufruir de momentos tranquilos a contemplar arte, muitas vezes em espaços arquitectónicamente distintos, permitindo que o repouso espiritual e a regeneração intelectual, tão essências ao bem-estar emocional e psíquico de todos. (Ler tudo: The Museum as Muse: Artists Reflect, organizado por Kynaston McShine, Nova Iorque, MoMA, 1999, p. 7.)
19/02/2011
18/01/2010
Retábulo
Ilidio Salteiro, Desenho de retábulo 4/6, 2004.
Conferência proferida na FBAUL em 18 de Janeiro de 2010:
Retábulo
ou
Do retábulo ainda aos novos modos de o fazer e pensar
A vida como experiência e a arte como modo de estar e intervir na vida são o pensamento que orienta o processo criativo que pratico. Mas nesta relação entre a vida e a arte não são apenas as emoções que comandam. A obra é também comandada pela razão, pela força do conhecimento, pelo desejo de mudança, pelo investimento, através da investigação e da experimentação. Assim, inquietação e pensamento são duas verdades presentes em confrontos explícitos entre expressão e geometria ou entre ícone e figura. (LER MAIS)
A vida como experiência e a arte como modo de estar e intervir na vida são o pensamento que orienta o processo criativo que pratico. Mas nesta relação entre a vida e a arte não são apenas as emoções que comandam. A obra é também comandada pela razão, pela força do conhecimento, pelo desejo de mudança, pelo investimento, através da investigação e da experimentação. Assim, inquietação e pensamento são duas verdades presentes em confrontos explícitos entre expressão e geometria ou entre ícone e figura. (LER MAIS)
06/01/2010
A Dança
A aparente dissemelhança entre os quatro trabalhos expostos nesta exposição colectiva, tendo a emoção e a forma a separa-los, tem, no entanto, o pensamento e a razão a uni-los.
Em 2007 iniciei um projecto intitulado O centro do mundo é aqui! Trata-se de uma abordagem aos aspectos da globalização em confronto com o interesse individual. Esse projecto, ainda em desenvolvimento, está organizado em dez partes: uma delas refere-se aos pontos de conflito. Dança no Canal do Panamá enquadra-se nesta parte.
O canal do Panamá (1904-1914) estabeleceu a ligação marítima entre o Atlântico e o Pacífico substituindo a anterior ligação pelo estreito de Magalhães. Faz a divisão entre as Américas. É por isto, e naturalmente, um ponto sensível de interesses estratégicos.
As duas Danças de Matisse, uma de 1909 e outra de 1910, repetidas em formatos semelhantes, com jeito tribais, remetem-nos para o movimento de cinco corpos dançando em redor de um centro; os centros são os pontos de conflito a partir dos quais tudo se organizará.A Dança no Canal do Panamá, uma colagem de um arquétipo da pintura ocidental sobre um ponto de conflito latente, faz parte de um conjunto mais vasto de outras pinturas, com outros pontos de conflito (Mar Vermelho, Guantamano, CERN, Mar Morto, Mar Aral e Olho do mundo), todas executadas em óleo sobre papel. Pretende-se com o papel que o carácter circunstancial da dimensão politica e da opinião informada se mantenham porque é sobre ele que as decisões acontecem.
Em 2007 iniciei um projecto intitulado O centro do mundo é aqui! Trata-se de uma abordagem aos aspectos da globalização em confronto com o interesse individual. Esse projecto, ainda em desenvolvimento, está organizado em dez partes: uma delas refere-se aos pontos de conflito. Dança no Canal do Panamá enquadra-se nesta parte.
O canal do Panamá (1904-1914) estabeleceu a ligação marítima entre o Atlântico e o Pacífico substituindo a anterior ligação pelo estreito de Magalhães. Faz a divisão entre as Américas. É por isto, e naturalmente, um ponto sensível de interesses estratégicos.
As duas Danças de Matisse, uma de 1909 e outra de 1910, repetidas em formatos semelhantes, com jeito tribais, remetem-nos para o movimento de cinco corpos dançando em redor de um centro; os centros são os pontos de conflito a partir dos quais tudo se organizará.A Dança no Canal do Panamá, uma colagem de um arquétipo da pintura ocidental sobre um ponto de conflito latente, faz parte de um conjunto mais vasto de outras pinturas, com outros pontos de conflito (Mar Vermelho, Guantamano, CERN, Mar Morto, Mar Aral e Olho do mundo), todas executadas em óleo sobre papel. Pretende-se com o papel que o carácter circunstancial da dimensão politica e da opinião informada se mantenham porque é sobre ele que as decisões acontecem.
05/01/2010
Omnipresenças

ILIDIO SALTEIRO
Omnipresenças, 2006.
Óleo sobre tela, 150 cm x 100 cm
Omnipresenças, 2006.
Óleo sobre tela, 150 cm x 100 cm
A aparente dissemelhança entre os quatro trabalhos expostos nesta exposição colectiva, tendo a emoção e a forma a separa-los, têm, no entanto, o pensamento e a razão a uni-los.
Em 2006 iniciou-se uma guerra: a guerra do Líbano. Antes e durante houve muita informação, muita imagem, muitos comentários e opiniões mas, posteriormente, uma penumbra invadiu o “teatro das operações” até se atingir uma escuridão absoluta como se nada tivesse acontecido.
Pouco a pouco esta guerra foi transformada num “processo arquivado na história” com um nome, uma data, muitos relatórios e dados estatísticos.
Esta informação técnica sobre mundos desfeitos a que nos habituaram, significa uma permanente vigilância por entidades mecânicas amigas, inimigas, protectoras ou agressoras mas, sobretudo, capazes com a sua omnipresença, de reduzirem ao ínfimo a condição humana.
Hoje qualquer guerra, quando não vivida por dentro, é semelhante. Apenas diferem os locais, os protagonistas e os meios.
Em 2006 iniciou-se uma guerra: a guerra do Líbano. Antes e durante houve muita informação, muita imagem, muitos comentários e opiniões mas, posteriormente, uma penumbra invadiu o “teatro das operações” até se atingir uma escuridão absoluta como se nada tivesse acontecido.
Pouco a pouco esta guerra foi transformada num “processo arquivado na história” com um nome, uma data, muitos relatórios e dados estatísticos.
Esta informação técnica sobre mundos desfeitos a que nos habituaram, significa uma permanente vigilância por entidades mecânicas amigas, inimigas, protectoras ou agressoras mas, sobretudo, capazes com a sua omnipresença, de reduzirem ao ínfimo a condição humana.
Hoje qualquer guerra, quando não vivida por dentro, é semelhante. Apenas diferem os locais, os protagonistas e os meios.
04/01/2010
O Fato do menino

ILIDIO SALTEIRO
O Fato do Menino ou Portugal, 2002.
Óleo sobre tela, 200 cm x 150 cm
O Fato do Menino ou Portugal, 2002.
Óleo sobre tela, 200 cm x 150 cm
A aparente dissemelhança entre os quatro trabalhos expostos nesta exposição colectiva, tendo a emoção e a forma a separa-los, têm, no entanto, o pensamento e a razão a uni-los.
O fato do menino e Portugal são apenas duas referências possíveis. A obra que lhe serviu de suporte conceptual é um retrato de Don Manuel Osório Manrique de Zuniga, filho do Conde de Altamira, pintado por Francisco Goya. Os seres vivos representados, para além da criança, são três gatos que olham atentamente para uma pega (símbolo cristão da alma) que o menino segura por uma corda e canários dentro de uma gaiola (símbolo de inocência). A alma, a inocência e os medos rodeiam D. Manuel, representado como um menino Jesus vestido pela luz vermelha do seu fato.
Que feitos terá feito esta criança para ser merecedora de tal distinção? Sozinha naquele espaço, dominadora sobre todas as espécies, apenas o fato vermelho se sobrepõe em importância.Na actual pintura nenhuma desta simbólica permaneceu. Resta a forma de um fato, resta a luz, sobressaem elementos de uma outra natureza simultaneamente outonal e verdejante. E restam ainda, ironicamente, as inocentes fragilidades dos poderes instituídos e ancestrais.
O fato do menino e Portugal são apenas duas referências possíveis. A obra que lhe serviu de suporte conceptual é um retrato de Don Manuel Osório Manrique de Zuniga, filho do Conde de Altamira, pintado por Francisco Goya. Os seres vivos representados, para além da criança, são três gatos que olham atentamente para uma pega (símbolo cristão da alma) que o menino segura por uma corda e canários dentro de uma gaiola (símbolo de inocência). A alma, a inocência e os medos rodeiam D. Manuel, representado como um menino Jesus vestido pela luz vermelha do seu fato.
Que feitos terá feito esta criança para ser merecedora de tal distinção? Sozinha naquele espaço, dominadora sobre todas as espécies, apenas o fato vermelho se sobrepõe em importância.Na actual pintura nenhuma desta simbólica permaneceu. Resta a forma de um fato, resta a luz, sobressaem elementos de uma outra natureza simultaneamente outonal e verdejante. E restam ainda, ironicamente, as inocentes fragilidades dos poderes instituídos e ancestrais.
03/01/2010
Deposição
ILIDIO SALTEIRODeposição, 2000.
Óleo sobre tela, 158 cm x 200 cm.
A aparente dissemelhança entre os quatro trabalhos expostos nesta exposição colectiva, tendo a emoção e a forma a separa-los, têm, no entanto, o pensamento e a razão a uni-los.
A Deposição é uma pintura cujas motivações se fundamentaram em dois momentos muito diferenciados. O primeiro, a Deposição de Roger van der Weiden (1435), com dez figuras que se recortam sobre um fundo sem profundidade como se de baixos-relevos se tratassem, corresponde a uma aproximação ao estatuto de retábulo, tão característico da cultura ocidental. O segundo momento refere-se a uma experiência vivida nas margens do estuário do Tejo, ao longo de cerca de 10 anos, observando barcos à espera dos restauros que muito raramente chegaram.
Esta Deposição é a última pintura de um conjunto de três outras também alicerçadas na iconografia da cultura cristã. A primeira é O Ninho, numa alusão ao nascimento e ao início, a segunda é As Montanhas numa alusão à fuga para o Egipto e aos percursos e, por último, a pintura que aqui se expõe, numa alusão ao fim e ao reinício.
A Deposição é uma pintura cujas motivações se fundamentaram em dois momentos muito diferenciados. O primeiro, a Deposição de Roger van der Weiden (1435), com dez figuras que se recortam sobre um fundo sem profundidade como se de baixos-relevos se tratassem, corresponde a uma aproximação ao estatuto de retábulo, tão característico da cultura ocidental. O segundo momento refere-se a uma experiência vivida nas margens do estuário do Tejo, ao longo de cerca de 10 anos, observando barcos à espera dos restauros que muito raramente chegaram.
Esta Deposição é a última pintura de um conjunto de três outras também alicerçadas na iconografia da cultura cristã. A primeira é O Ninho, numa alusão ao nascimento e ao início, a segunda é As Montanhas numa alusão à fuga para o Egipto e aos percursos e, por último, a pintura que aqui se expõe, numa alusão ao fim e ao reinício.
02/01/2010
Barcas nas praias do rosário
A aparente dissemelhança entre os quatro trabalhos expostos nesta exposição colectiva, tendo a emoção e a forma a separa-los, têm, no entanto, o pensamento e a razão a uni-los.
01/01/2010
Fábrica Braço de Prata
Inaugura no proximo dia 7 e estará disponível ao público até ao dia 31 de Janeiro de 2010, na Fábrica Braço de Prata em Lisboa uma exposição com obras de Carlos Farinha, Gilberto Gaspar, Ilídio Salteiro e Luís Herberto.
12/12/2009
Arte & Ciência / Pintura
Com Duchamp o paradigma da arte desestabilizou-se. Questionou-se a obra-prima e o museu. Este foi interrogado sobre as suas funções de veículo legitimador da obra-prima e referido depreciativamente como armazém onde o entendimento das coisas aí guardadas seria como antiguidades. Estes conceitos, de armazém e antiguidade, não se revelaram relevantes para a qualificação da Arte desses tempos modernos.
Duchamp e os ready-made, Dubufet e a ingenuidade criativa, Burri e o informalismo matérico, Bueys e a sobrevalorização da dimensão conceptual das coisas, são apenas alguns dos responsáveis pela disseminação do conceito de objecto artístico por tudo e por todos, enquanto produtores ou observadores, concretizando a utopia das utopias, o ideal dos ideais: tudo é arte, todos somos artistas, sejam os que observam, sejam os que fazem... (Ler mais)
Duchamp e os ready-made, Dubufet e a ingenuidade criativa, Burri e o informalismo matérico, Bueys e a sobrevalorização da dimensão conceptual das coisas, são apenas alguns dos responsáveis pela disseminação do conceito de objecto artístico por tudo e por todos, enquanto produtores ou observadores, concretizando a utopia das utopias, o ideal dos ideais: tudo é arte, todos somos artistas, sejam os que observam, sejam os que fazem... (Ler mais)
16/11/2009
Tratados de Pintura
Todos os “objectos” são fabricados pelo homem e o seu fabrico precisa do saber de todos os ramos do conhecimento. O conhecimento das humanidades e o conhecimento das ciências juntam-se para os construírem. Estes “objectos” são tudo aquilo que ajuda o homem a suplantar as forças naturais e desse modo habitar e reinar sobre as outras espécies. De todos eles, uns serão comuns, outros serão sublimes, mas todos cumprem o mesmo devir: auxiliar a sobrevivência do Homem na Natureza... (ler mais)
15/05/2009
Artistas são como livros em estante.
Há uns anos atrás, num fim de tarde de Verão e escondido por detrás de um muro coberto de hera, ouvi um artista alto, ligeiramente corcunda, activo quanto baste, de t-shirt azul escura e com idade bastante para ser célebre dizer numa reunião de amigos no quintal da casa:
Em Portugal existem apenas vinte artistas.
Fiquei surpreendido com tal afirmação, vinda de quem veio.
Primeiro pensava-o mais acompanhado!
Senti pena pela sua solidão.
Mas depois interroguei-me sobre a que artistas ele se referia:
A pintores como ele? Ou artistas plásticos como ele também? A músicos? A escritores? A bailarinos? A actores de teatro, cinema ou de rua? Ou a quem?
A razão do meu pensamento deveu-se ao facto de não esperar essa concepção num autor cuja obra considero como relevante no panorama nacional.
Ou será que, não sendo encontradas sintonias entre o pensamento do autor e a sua obra, esta não é da sua autoria?
Pensava ser claro para todos, e para esse pintor também que, depois de Duchamp, todos somos artistas, todas as coisas podem ser arte e todas as fronteiras da arte foram derrubadas. E quer se queira quer não, passados quase cem anos, já foram vividas todas as consequências dessa verdade.
Pensava ainda eu que, sendo esse pintor uma consequência disto mesmo, ele disso tivesse consciência.
Ingenuidade a minha e por conseguinte erro meu!
Duchamp provou que os artistas são como livros em estante, nos quais as diferenças de tamanho, de formato e de peso não encontram correspondência alguma com o valor que a sua obra transporta.
Em Portugal existem apenas vinte artistas.
Fiquei surpreendido com tal afirmação, vinda de quem veio.
Primeiro pensava-o mais acompanhado!
Senti pena pela sua solidão.
Mas depois interroguei-me sobre a que artistas ele se referia:
A pintores como ele? Ou artistas plásticos como ele também? A músicos? A escritores? A bailarinos? A actores de teatro, cinema ou de rua? Ou a quem?
A razão do meu pensamento deveu-se ao facto de não esperar essa concepção num autor cuja obra considero como relevante no panorama nacional.
Ou será que, não sendo encontradas sintonias entre o pensamento do autor e a sua obra, esta não é da sua autoria?
Pensava ser claro para todos, e para esse pintor também que, depois de Duchamp, todos somos artistas, todas as coisas podem ser arte e todas as fronteiras da arte foram derrubadas. E quer se queira quer não, passados quase cem anos, já foram vividas todas as consequências dessa verdade.
Pensava ainda eu que, sendo esse pintor uma consequência disto mesmo, ele disso tivesse consciência.
Ingenuidade a minha e por conseguinte erro meu!
Duchamp provou que os artistas são como livros em estante, nos quais as diferenças de tamanho, de formato e de peso não encontram correspondência alguma com o valor que a sua obra transporta.
Subscribe to:
Posts (Atom)
A Pintura na relação Artes, Ciências & Humanidades
A Pintura na relação Artes, Ciências & Humanidades Ilídio Salteiro, 2011. Resumo: As artes não servem apenas para iluminar as ciên...


