Todos os “objectos” são fabricados pelo homem e o seu fabrico precisa do saber de todos os ramos do conhecimento. O conhecimento das humanidades e o conhecimento das ciências juntam-se para os construírem. Estes “objectos” são tudo aquilo que ajuda o homem a suplantar as forças naturais e desse modo habitar e reinar sobre as outras espécies. De todos eles, uns serão comuns, outros serão sublimes, mas todos cumprem o mesmo devir: auxiliar a sobrevivência do Homem na Natureza... (ler mais)
16/11/2009
15/05/2009
Artistas são como livros em estante.
Há uns anos atrás, num fim de tarde de Verão e escondido por detrás de um muro coberto de hera, ouvi um artista alto, ligeiramente corcunda, activo quanto baste, de t-shirt azul escura e com idade bastante para ser célebre dizer numa reunião de amigos no quintal da casa:
Em Portugal existem apenas vinte artistas.
Fiquei surpreendido com tal afirmação, vinda de quem veio.
Primeiro pensava-o mais acompanhado!
Senti pena pela sua solidão.
Mas depois interroguei-me sobre a que artistas ele se referia:
A pintores como ele? Ou artistas plásticos como ele também? A músicos? A escritores? A bailarinos? A actores de teatro, cinema ou de rua? Ou a quem?
A razão do meu pensamento deveu-se ao facto de não esperar essa concepção num autor cuja obra considero como relevante no panorama nacional.
Ou será que, não sendo encontradas sintonias entre o pensamento do autor e a sua obra, esta não é da sua autoria?
Pensava ser claro para todos, e para esse pintor também que, depois de Duchamp, todos somos artistas, todas as coisas podem ser arte e todas as fronteiras da arte foram derrubadas. E quer se queira quer não, passados quase cem anos, já foram vividas todas as consequências dessa verdade.
Pensava ainda eu que, sendo esse pintor uma consequência disto mesmo, ele disso tivesse consciência.
Ingenuidade a minha e por conseguinte erro meu!
Duchamp provou que os artistas são como livros em estante, nos quais as diferenças de tamanho, de formato e de peso não encontram correspondência alguma com o valor que a sua obra transporta.
Em Portugal existem apenas vinte artistas.
Fiquei surpreendido com tal afirmação, vinda de quem veio.
Primeiro pensava-o mais acompanhado!
Senti pena pela sua solidão.
Mas depois interroguei-me sobre a que artistas ele se referia:
A pintores como ele? Ou artistas plásticos como ele também? A músicos? A escritores? A bailarinos? A actores de teatro, cinema ou de rua? Ou a quem?
A razão do meu pensamento deveu-se ao facto de não esperar essa concepção num autor cuja obra considero como relevante no panorama nacional.
Ou será que, não sendo encontradas sintonias entre o pensamento do autor e a sua obra, esta não é da sua autoria?
Pensava ser claro para todos, e para esse pintor também que, depois de Duchamp, todos somos artistas, todas as coisas podem ser arte e todas as fronteiras da arte foram derrubadas. E quer se queira quer não, passados quase cem anos, já foram vividas todas as consequências dessa verdade.
Pensava ainda eu que, sendo esse pintor uma consequência disto mesmo, ele disso tivesse consciência.
Ingenuidade a minha e por conseguinte erro meu!
Duchamp provou que os artistas são como livros em estante, nos quais as diferenças de tamanho, de formato e de peso não encontram correspondência alguma com o valor que a sua obra transporta.
30/04/2009
19/04/2009
Os museus
Hoje os mentores e construtores de museus acotovelam-se nos orgãos dos poderes para assinarem um projecto de museu, seja este do que for (ler post).
Estes espaços servem para receberem e guardarem as riquezas colectivas produzidas e adquiridas por qualquer núcleo urbano, e perpétuam memórias.
Estes espaços servem para receberem e guardarem as riquezas colectivas produzidas e adquiridas por qualquer núcleo urbano, e perpétuam memórias.
Por isso os museus são ex-libris.
Os seus conteúdos promovem o conhecimento e o desenvolvimento através de exposições, festas, espectáculos etc.
A liturgia que se verifica nestes espaços é semelhante à liturgia dos espaços religiosos por causa da exigência colocada no ver, no ouvir e no interagir, na percepção e na contemplação, no usufruir, no dialogar e no partilhar.
Os seus conteúdos promovem o conhecimento e o desenvolvimento através de exposições, festas, espectáculos etc.
A liturgia que se verifica nestes espaços é semelhante à liturgia dos espaços religiosos por causa da exigência colocada no ver, no ouvir e no interagir, na percepção e na contemplação, no usufruir, no dialogar e no partilhar.
Por dentro os museus são como as catedrais góticas na época medieval, por fora são côdea.
17/04/2009
O todo é o todo e não apenas a parte
Caro Varatojo
Muito obrigado pelas simpáticas palavras sobre o meu blog.
A produção artística na área da Pintura tem sido desde sempre, para mim, um espaço de actuação. Como produtor, como professor, como interveniente, como observador (sem estatuto de critico).
Tento perceber a necessidade incontornável de fazer arte seja ela de que formato for, tanto em mim como nos outros.
Vi o seu blog com atenção (ver) e também lhe retribuo os parabéns. Transparece claramente um amor pela arte e uma qualidade expressiva bastante forte na representação de gestos comuns entre todos nós. Verifico também uma grande actividade expositiva. Isso é muito bom. É mesmo o essencial, porque esta tarefa é um trabalho em desenvolvimento continuado permanentemente. Nunca acaba! Continuará mesmo depois de nós. Força para isso!
Não veja nestas palavras uma linguagem de crítico, porque não o sou nem o desejo ser. Eu desejo sobretudo estimular o lado produtivo e não fazer selecções com a pretensão de seriar verdades. Toda a produção é um contributo positivo para o bem comum enquanto a selecção implica uma negação.
O todo é o todo e não apenas a parte.
É por causa desta politica selectiva, na qual nunca ninguém será unânime e suficientemente bom, que não temos um museu de arte contemporânea.
Ilídio Salteiro (2009)
Muito obrigado pelas simpáticas palavras sobre o meu blog.
A produção artística na área da Pintura tem sido desde sempre, para mim, um espaço de actuação. Como produtor, como professor, como interveniente, como observador (sem estatuto de critico).
Tento perceber a necessidade incontornável de fazer arte seja ela de que formato for, tanto em mim como nos outros.
Vi o seu blog com atenção (ver) e também lhe retribuo os parabéns. Transparece claramente um amor pela arte e uma qualidade expressiva bastante forte na representação de gestos comuns entre todos nós. Verifico também uma grande actividade expositiva. Isso é muito bom. É mesmo o essencial, porque esta tarefa é um trabalho em desenvolvimento continuado permanentemente. Nunca acaba! Continuará mesmo depois de nós. Força para isso!
Não veja nestas palavras uma linguagem de crítico, porque não o sou nem o desejo ser. Eu desejo sobretudo estimular o lado produtivo e não fazer selecções com a pretensão de seriar verdades. Toda a produção é um contributo positivo para o bem comum enquanto a selecção implica uma negação.
O todo é o todo e não apenas a parte.
É por causa desta politica selectiva, na qual nunca ninguém será unânime e suficientemente bom, que não temos um museu de arte contemporânea.
Ilídio Salteiro (2009)
16/04/2009
14/04/2009
Autonomia do modelo
...«To create her photographs, Sherman shoots alone in her studio, assuming multiple roles as author, director, make-up artist, hairstylist, wardrobe mistress, and of course, model. The idea and experience of getting dressed up and putting on a show is central to Sherman’s practice, yet Sherman is also careful to closely manage the detail of each performance. Every bulge of flesh, strand of hair, rouged cheek or wrinkled brow is deliberately orchestrated to construct a vividly real yet curiously inscrutable character. The tension between pathos and alienation which Sherman’s figures evoke in the viewer are heightened by the contexts in which they appear, always obviously staged and cleverly apposite. Her creations are photographed in front of a green screen, and then digitally inserted onto backgrounds which are shot and manipulated separately, scenarios which elaborate and complicate the narrative constructed by Sherman’s garb and gaze»... Sprüth Magers London, CINDY SHERMAN, 16 April - 27 May 2009.
12/04/2009
Museu?
I. Salteiro, óleo sobre tela e madeira, 65 cm x 55 cm, 2007.
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Não tenho dúvida nenhuma de que uma sala de chá pode ser um museu.
E que tudo pode ser um museu.
E que um bric-à-brac de luxo também o pode ser.
Diz-se que a arte é objecto de luxo e que o museu é o lugar da arte.
Então luxo será museu.
E que um bric-à-brac de luxo também o pode ser.
Diz-se que a arte é objecto de luxo e que o museu é o lugar da arte.
Então luxo será museu.
Fim!.
Mas o museu não é assunto inquestionável.
Não basta existir museu!
O museu, sendo côdea e miolo, é sobretudo um bem essencial.
Mas o museu não é assunto inquestionável.
Não basta existir museu!
O museu, sendo côdea e miolo, é sobretudo um bem essencial.
Porquê?
É preciso saber o que é o museu e que museu se quer!
É preciso saber o que é o museu e que museu se quer!
09/04/2009
Bérrio
03/04/2009
A tarefa da Pintura
Foi árdua a tarefa que me incumbiram.
Não sei como nem porquê.
Talvez que uma historia, num determinado dia e momento (Novembro de 1972), protagonizada pelo Mestre Lagoa, por Giotto, por Almada e por Pessoa tenha construído um tetragrama motivador (ler mais sobre esta história).
Em 1965, já tinha encarnado Pessoa declamando «O Mostrengo» (1918) perante uma vasta assembleia, muito benevolente, não sei se traumatizada pelo meu dizer. Esta performance foi largamente imbuída pelo espírito de despedida familar ocorrida um pouco antes na gare Marítima de Conde de Óbidos
A tarefa que me estava destinada foi a tarefa da Pintura nas suas múltiplas vertentes: investigar, experimentar, fazer, divulgar e ensinar.
Que me desculpem aqueles a quem ensino porque nunca estarei à altura do Assunto.
Não sei como nem porquê.
Talvez que uma historia, num determinado dia e momento (Novembro de 1972), protagonizada pelo Mestre Lagoa, por Giotto, por Almada e por Pessoa tenha construído um tetragrama motivador (ler mais sobre esta história).
Em 1965, já tinha encarnado Pessoa declamando «O Mostrengo» (1918) perante uma vasta assembleia, muito benevolente, não sei se traumatizada pelo meu dizer. Esta performance foi largamente imbuída pelo espírito de despedida familar ocorrida um pouco antes na gare Marítima de Conde de Óbidos
A tarefa que me estava destinada foi a tarefa da Pintura nas suas múltiplas vertentes: investigar, experimentar, fazer, divulgar e ensinar.
Que me desculpem aqueles a quem ensino porque nunca estarei à altura do Assunto.
02/04/2009
A Pintura e os anjos
Sam-Taylor Wood, 2007Há muitos, muitos anos, numa noite de intensa trovoada a minha avó justificava perante mim:
- São os anjinhos que estão a arrumar a casa.
Acalmei!
De imediato imaginei os anjinhos a arrastarem os móveis e, nos intervalos silenciosos da noite, conseguia vê-los a argumentarem uns perante os outros quais os melhores lugares para cada um dos móveis.
Sem duvidar da certeza da justificação muitas dúvidas surgiam diante de mim enquanto lá fora chovia copiosamente.
Os anjos teriam comprado móveis novos ou seria apenas uma mudança de local dos mesmos?
Será que colocam Pintura nas paredes?
E que tipo de Pintura?
Teria sido feita na terra, no céu ou em que lugar?
Será que a sua casa não tem paredes?
Fará sentido a casa dos anjos ter parede?
Que mundos se descobrirão nessa Pintura? O nosso mundo, o mundo dos anjos ou o mundo dos deuses?
Apenas me era difícil imaginar que os anjos existissem sem Pintura, porque foi esta que os gerou.
Ou será simplesmente que aquela trovoada não resultava da arrumação da casa dos anjos?
Prefiro pensar que sim, embora não saiba exactamente o valor deste sim.
- São os anjinhos que estão a arrumar a casa.
Acalmei!
De imediato imaginei os anjinhos a arrastarem os móveis e, nos intervalos silenciosos da noite, conseguia vê-los a argumentarem uns perante os outros quais os melhores lugares para cada um dos móveis.
Sem duvidar da certeza da justificação muitas dúvidas surgiam diante de mim enquanto lá fora chovia copiosamente.
Os anjos teriam comprado móveis novos ou seria apenas uma mudança de local dos mesmos?
Será que colocam Pintura nas paredes?
E que tipo de Pintura?
Teria sido feita na terra, no céu ou em que lugar?
Será que a sua casa não tem paredes?
Fará sentido a casa dos anjos ter parede?
Que mundos se descobrirão nessa Pintura? O nosso mundo, o mundo dos anjos ou o mundo dos deuses?
Apenas me era difícil imaginar que os anjos existissem sem Pintura, porque foi esta que os gerou.
Ou será simplesmente que aquela trovoada não resultava da arrumação da casa dos anjos?
Prefiro pensar que sim, embora não saiba exactamente o valor deste sim.
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A Pintura na relação Artes, Ciências & Humanidades
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