04/03/2008

Patrick Mimran

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Art doesn't have to be ugly to look clever
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I.Salt. 2005
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O Pedro Saraiva está a expor na Módulo

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Sobre o ensino artístico é trivial dizer-se que aprendemos com os professores e com os colegas da nossa geração. O Pedro foi o colega que suportou, durante muitos anos em fins-de-semana contínuos, conversas à volta dos meus desenhos, pinturas e ideias que incansavelmente eu acarretava até ao seu atelier em pastas improvisadas. Foram momentos de grande produtividade e criatividade, num saudável ambiente de partilhas que se prolongavam pela noite dentro. Obrigado Pedro!

Neste momento, e em presença de mais uma deslumbrante exposição de Pedro Saraiva intitulada Gabinete > Codina só sou capaz de manifestar o meu enorme respeito por toda a sua obra e pela coerência de todo o seu processo criativo.

Discreto e simples, mas eficaz na técnica e na comunicação.

03/03/2008

Modos de ver de ver de perto


Olhar de Perto é o título de uma exposição no Museu Nacional de Arte Antiga que nos mostra um conjunto de painéis que foram uma parte integrante do retábulo-mor da Sé de Évora. Trata-se de pintura flamenga dos inícios do século XVI, que será possivelmente a segunda solução retabular encontrada para aquele espaço de fundação medieval. Nas obras ocorridas no século XVIII o retábulo foi destruído, apenas tendo sido salvaguardadas treze pinturas sobre a Vida da Virgem e seis pinturas representando Cenas da Paixão de Cristo. Estas poderiam fazer parte da predela ou, segundo outras hipóteses, constituírem-se como um retábulo autónomo.
Este conjunto de pinturas passou por inúmeras vicissitudes ao longo destes anos.
A presente exposição, para além de nos mostrar aquelas obras, mostra-nos também a investigação e a metodologia do restauro realizado no Instituto de Conservação e Restauro desde 2004 até à presente data.
Este acontecimento, temporário no MNAA (até 20 de Abril de 2008), pode ser fruído com vários modos de ver.
O primeiro será podermos Olhar de Perto uma verdade pictórica que apenas poderia ser vista de longe e durante poucos dias quando se encontrava no local de origem.
O segundo será compreendermos o modo criterioso com que pode ser feito um restauro.
O terceiro possibilita o confronto da dimensão do espaço sagrado cristão, para onde os painéis foram criados (Sé de Évora), com a dimensão do espaço sagrado museológico, ecuménico e multicultural no qual se encontram agora.
E um quarto modo de ver poderá focar-se nas tentativas de reconstituição do retábulo original, pensado apenas a partir do conteúdo de cada um dos rectângulos / pinturas e não nas estruturas retabulares que as envolveriam.
Destas quatro preocupações do nosso tempo, a patrimonial, a científica, a ritual, e a interveniente, esta última, socorrendo-se de composições fotográficas e maquetas para especular sobre a possível reconstituição do retábulo original, é o único momento que não reflecte um pensamento contemporâneo.

29/02/2008

Ce sont deux a priori...

«Face à l’art contemporain, l’homo aestheticus peut avoir deux attitudes: l’enthousiasme a priori ou le rejet a priori. Ce sont deux a priori, donc deux postures sujettes à caution et qui méritent d’être interrogées et remises en cause: jadis, la première prônait l’Avant-garde, aujourd’hui, elle se veut post-moderne, férue de nouvelles technologies, ouvert à tout ce qui nous vient du troisième millénaire; jadis, la seconde donnait des coups de cravache sur les tableaux, quand elle ne les brûlait pas en les qualifiant de «dégénérés», aujourd’hui elle ignore ce qui se crée, en hurlant que ce n’est que nullité…»
François Soulages, "Éloge du dogmatisme d’autrui", in Les Cahiers de médiologie, 4, Gallimard, 1997, p. 306.

25/02/2008

O barco de Damien Hirst


Fot. I.Salt.2006

A Pintura a passear de jusante para montante e de montante para jusante
Entre Millbank Pier (Tate Britain) and Bankside Pier (Tate Modern) de 40 em 40 minutos
Um trabalho sempre habitado por dentro e por fora.




Armando Sales Luis - Os frutos dão árvores

Armando Sales Luís
OS FRUTOS DÃO ÁRVORES
Galeria de Colares, de 16 de Fevereiro a 23 Março, 2008


Fot.I.Salt,2008.

Armando Sales Luis expõe no espaço íntimo e acolhedor de uma galeria de arte, inserida numa paisagem natural e urbana, que sabe preservar o que de melhor se encontra em valores tradicionais e regionais. No entanto, quando estamos nela, percebemos que o seu projecto e seu modo de estar no mundo da arte se situam numa acuidade para as produções artísticas do nosso tempo. Com um espólio que se advinha ser diversificado, podemos ver Sónia Delaunay e Palolo, como preâmbulo das mais recentes obras de Armando Sales Luís. Daqueles dois primeiros autores, estão expostos dois trabalhos que de um modo elegante fazem o enquadramento a esta exposição individual.

Fot. I .Salt, 2008.


Com uma formação artística participada nas questões do seu tempo, com muitas vivências e outras tantas experimentações plásticas, e uma produção regular ao longo dos muitos anos, o seu projecto de trabalho tem estado alicerçado num envolvimento consciente a um dos géneros da Pintura mais investidos depois de Quinhentos: a Paisagem.
As suas paisagens, distantes de Joachim Patinir, de Claude Monet ou Paul Cézanne, são sobretudo reconstrução, muito mais do que representação. Uma reconstrução formal de um género, não entendido na base de uma pintura de ar livre orientada pelos parâmetros da crença na verdade absoluta de uma percepção visual, mas orientado pela percepção dos momentos exactos em que o essencial é desvendado, ou seja, a procura da descoberta do momento em que o acto criativo se processa.

A pintura de Armando Sales Luís é sobretudo textura e expressividade cromática, perfeitamente independente da figuração a que nos remete. Através de velaturas e inacabados sugerem-se hipóteses de se ver para além da superfície material da pintura.
Permitir que o olhar do observador se esgueire por entre vãos, planos perspectivados e registos de gestos muito compassados, é a dádiva primordial encontrada na sua obra.
Os frutos dão árvores ou natureza-morta dá paisagem.
A paisagem, ajardinada, natural, lírica ou arqueológica, sensorial ou apenas visual, real ou virtual, social e humana, é hoje um assunto de muitas pesquisas, investigações e produções visíveis na obra de muitos artistas plásticos. Mas no caso específico das obras de Armando Sales Luís expostas na Galeria de Colares somos remetidos para as obras de
João Queiroz (que navega mais sobre o limbo da figuração e a da abstracção) e de João Paulo Queiroz (A Loca do Anjo, uma paisagem narrativa, actualmente na SNBA), talvez apenas pela proximidade do contacto temporal que tivemos com elas, ou não só…

17/02/2008

Génese da forma



1. Houve um dia em que a ÁGUA caiu na TERRA e fez-se barro.
2. Depois veio o HOMEM e deu-lhe FORMA.
Fotografia e filme de Dora Iva Rita & Ilidio Salteiro, 2008

12/02/2008

POUCOS PENSAMENTOS AO FIM DE QUASE 3 ANOS

A jovem Pintura nasce todos os dias quer se queira quer não.
É pena, mas mesmo muita pena, que não a queiram sentir.
A jovem Arte nasce todos os dias... e é também pena que não a queiram usufruir.
Ontem foi um dia triste: perspectivou-se que o Conservatório Nacional não tem futuro.
Ontem foi um dia alegre para aqueles que defendem a Morte da Arte e que dão vivas às Indústrias da Cultura.
Qual Cultura? O que é a cultura? Onde está a Cultura? Quem falou de Cultura?
Para quê a Cultura (?) se tudo se pode tão bem resolver nos Mercados das Artes, das artimanhas e dos Top Ten. E em primeiro lugar vem sempre o Fulano, em segundo o Sicrano, em terceiro o Beltrano, e por último mais sete anónimos para compor a Natureza Morta! Para quê mais?
...
Mas a jovem Arte, a jovem música e a jovem Pintura .... continuarão.
http://www.em-conservatorio-nacional.rcts.pt/
Quando falamos de JOVEM não falamos de idades... mas sim de tempo; não falamos de pesssoas mas sim de COISAS.

Antonio García López, curador de Paisajes Enlazados

«Paisajes Enlazados», Pintura de Ilidio Salteiro, em exposição na FBAUL até 27 de fevereiro